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Boteco do "Seo Pedro"

Em Nova Olímpia, o bom exemplo de um pai inspira coleção de cachaça de 21 estados do Brasil

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Uma bela e rica coleção da mais popular e típica bebida brasileira tem chamado a atenção de Mato Grosso. Já foi pauta de reportagem na TV, atrai curiosos, rende admiração. O acervo de cachaça de Nélson Alves, conhecido servidor público de Nova Olímpia, talvez seja a única no estado.

Cabe aqui uma coincidência: Nova Olímpia, município localizado no Centro-Sul de Mato Grosso, é conhecida como a “Capital da Cana”, abrigando a maior usina de álcool e açúcar do estado. Todo brasileiro sabe, mas não custa frisar: a cana-de-açúcar é a matéria-prima da cachaça.

Um exemplo na memória

“Desde muito criança, lembro do meu pai, nordestino simples, chegando da roça, sujo de poeira do dia de labuta no roçado, indo ao cantinho do quarto, servindo um pequeno cálice de cachaça curtida em centenas de ervas. Tomava aquele trago, se banhava, jantava ouvindo no radinho de pilha o jornal ‘A Voz do Brasil’ e depois seguia para a cama dormir”, conta.

Alguns exemplares Matogrossenses: Cuiabana, Serra Pantaneira, Geodésica, Bressan, Sucuri, Arara, Barão do Araguaia, Rustk, Morada da Serra, Caleffi, Eitanois e Aguas Claras.

Esta é a memória afetiva que Nélson Alves tem de seu pai, Pedro Alves da Silva (in memoriam), um apreciador de cachaça que, ao contrário de alguns consumidores da bebida, nunca teve histórico de agressividade. “Ouvia histórias de brigas, crimes e outras mazelas que o excesso de bebida alcoólica causava em algumas famílias. Lá em casa, na minha família, nunca tivemos isso. Meu pai nunca ficou alterado em razão do álcool, seja cachaça ou cerveja. Ele era até mais alegre, tranquilo e mais dócil do habitual.  Ele bebeu até seus 80 anos e faleceu com seus 94”, relata, ao explicar como iniciou a sua admiração pela cachaça.

A ideia e um belo acervo

E foi essa admiração que fez brilhar a ideia de se ter um barzinho com bebidas diversas para confraternização com familiares e amigos, com uma pequena coleção de cachaça, em Nova Olímpia.

Batizada de ‘Boteco do Seo Pedro”, a sala de sua casa tornou-se uma grande bancada de bebidas, com diversas prateleiras contendo ao menos 700 rótulos de cachaças e aguardentes de 21 Estados Brasileiros, sendo 27 rótulos só de Mato Grosso. “Comecei a comprar alguns rótulos, algumas cachaças, principalmente de Minas. Fui comprando alguma através de colegas que eu tinha em outros estados, clubes de colecionadores que nós temos vários no Brasil, então tem uns 8 anos que eu comecei a adquirir a cachaça. Aquela coisa do ímpeto, eu vejo uma e quero comprar”, pontuou, destacando que comercializa e “até para beber fico com dó de abrir, estão todas elas lacradas. As que eu tenho aqui, quando eu bebo, reponho ou abro alguma que tenho em duplicidade”, diz.

Boteco do ‘Seo’ Pedro – Homenagem ao Pai, Pedro Alves (in memorian).

Conforme pode-se observar, são produtos em miniaturas (50 ml), long neck (200, 250 e 300 ml), garrafas de 600 ml (garrafa tradicional de cerveja), 600 ml (cachaça Brasil e Paraíba), 620 ml, 650 ml, 700 ml, porcelanas e latas (260 ml e 350 ml) e estão expostos em sua residência.

No seu acervo, diga-se de passagem, todo lacrado, encontram-se produtos (cachaças e aguardentes) dos Estados de São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Tocantins, Brasília, Rio de Janeiro, Paraíba, Ceará, Goiás, Bahia, Rio Grande do Norte, Acre, Rondônia, Alagoas, Pará e Sergipe. Também tem aguardentes do Paraguai e da Bolívia (singane).

Quanto aos rótulos de Mato Grosso, os exemplares são de Cuiabá (Arara e Eitanois), Estrada da Guia-Cuiabá (Engenho Cuiabano), Castanheira (Castanheira), Santo Antônio do Leveger (Cuiabana), Chapada dos Guimarães (Geodésica, Velho Lobo e Donzela Chapadense), São José do Rio Claro (Água Clara), Várzea Grande (Paixão Brasileira,  Capri, Tropical, Serrinha, Zéburana e Santo Engenho), Poconé (Rancho Mineiro e Serra Pantaneira), Sinop (Só Alegria e Caleffi), Lucas Do Rio Verde (Major), Colniza (Morada da Serra), Primavera do Leste (Bressan e Velho Jacó), Tangará da Serra (Bourscheidt e Cachaça da Serra), Rondonópolis (Rustk) e Comodoro (Sucuri). Segundo Nelson, muitos dessas cachaças/aguardentes tiveram suas produções paralisadas, e não se encontram mais no mercado.

Questionado se existem outros colecionadores em Mato Grosso, Nelson diz desconhecer. “Fiz diversas pesquisas e até o momento não encontrei nenhuma informação sobre esse tipo de coleção”, informa, destacando que possui contatos de diversos produtores de cachaça artesanal do Estado, que também não conhecem alguém que colecione. “Creio que seja o único no Estado”, finaliza.

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Boteco do "Seo Pedro"

Superstição, título no futebol e mendigo bêbado: as histórias por trás da origem da Cachaça 51

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A cachaça, mais importante destilado brasileiro, acumula ao longo de seus mais de 500 anos uma coleção de histórias e lendas. Muitas dessas narrativas são passadas de geração em geração — sempre acompanhadas de uma boa prosa e uma dose da bebida.

É o que destaca o historiador e cachacista mato-grossense Nelson Alves, residente em Nova Olímpia. Apaixonado pela história da cachaça, Nelson compartilha versões curiosas e pitorescas sobre a origem de uma das mais icônicas marcas do país: a Cachaça Pirassununga 51, sinônimo de “Uma Boa Ideia”.

Como tudo começou

De acordo com Nelson, a história da Cachaça 51 teve início em 1951, na cidade de Santa Cruz das Palmeiras, interior de São Paulo. Foi ali que os irmãos Piccolo começaram a comprar cachaça de pequenos alambiques da vizinha Pirassununga, engarrafando o produto em garrafas de 600 ml e revendendo na região.

O nome “51”, no entanto, está cercado de versões lendárias:

  • Uma delas conta que os irmãos, supersticiosos a ponto de evitarem até gatos pretos, sempre armazenavam a melhor aguardente da safra no barril número 51.
  • Outra versão afirma que um mendigo de Pirassununga teria tomado 51 doses num único dia — sendo 50 para ele e uma “para o santo”.
  • Há ainda quem diga que os Piccolo eram torcedores fanáticos do Palmeiras e que o nome “Palmeiras 51” foi uma homenagem ao título internacional conquistado pelo clube na Taça Rio de 1951. (Veja foto do topo)

Nelson, com um exemplar histórico da 51.

Mas há também explicações mais técnicas: estudiosos indicam que era comum, naquela época, marcas de aguardente levarem o nome da cidade seguido de um número — como “Pirassununga 1”, “Pirassununga 5”, “Pirassununga 21” e assim por diante. O número 51, segundo essa teoria, era apenas o número do telefone da empresa dos Piccolo.

A virada: nasce a Pirassununga 51

Oito anos depois, em 1959, a pequena empresa foi comprada por Guilherme Müller Filho, brasileiro de origem alemã. Müller assumiu o negócio, que estava praticamente desativado, e rebatizou oficialmente o produto como Pirassununga 51.

A produção usava garrafas de cerveja de 600 ml adaptadas e equipamentos rudimentares, como tonéis de madeira, envasadoras simples e tampadores manuais. A partir dali, a marca começava sua jornada de sucesso.

Hoje, a 51 é a cachaça mais vendida do Brasil, com uma produção diária de 500 mil litros, respondendo por 40% do mercado nacional de cachaça e 50% do volume de destilados consumidos no país. São cerca de 104 doses vendidas por segundo no Brasil. Em consumo, perde apenas para a cerveja, superando em 10 vezes o consumo de vodca e em 13 vezes o de uísque.

Exportações e reconhecimento internacional

A Cachaça 51 está presente em 56 países, com destaque para Portugal, Espanha, Itália e Estados Unidos. Um levantamento da revista The Millionaire’s Club (2017) colocou a marca na 12ª posição mundial em volume de vendas, à frente de bebidas renomadas internacionalmente.

Linha de produtos da Companhia Müller de Bebidas

Hoje, o portfólio da empresa inclui:

  • 51 Caipirinha Mix
  • 51 Ouro
  • 51 Mel
  • 51 Ice
  • 51 Internacional
  • 51 Gold
  • 51 Assinatura
  • Reserva 51 Única
  • Reserva 51 Rara
  • Reserva 51 Singular
  • Reserva 51 Carvalho Americano

Curiosidades sobre a Cachaça 51

  • Primeira exportação: Japão, na década de 1990.
  • 2004: Durante a Eurocopa, a marca espalhou 7.897 painéis e 132 outdoors em Portugal, com o slogan em inglês “51, The Brazilian Spirit”.
  • 2009: Lançamento da Reserva 51, cachaça extra premium envelhecida em carvalho.
  • 2013: Reconhecimento oficial nos EUA como produto tipicamente brasileiro pelo Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau.
  • 2016: Ação promocional durante os Jogos Olímpicos do Rio.
  • SPFW: Participação nas edições de 2005, 2006 e 2007 da São Paulo Fashion Week.
  • 2020: Redesign do rótulo, com destaque para elementos como cana-de-açúcar, barris e a volta do nome “Pirassununga”.
  • Product placement em Hollywood: A Cachaça 51 apareceu em três cenas da série Big Bang Theory e em episódios da temporada final de Two and a Half Men.

Os slogans da Cachaça 51

  • 2019 – Você é uma Boa Ideia.
  • 2015 – Brasil é uma boa ideia.
  • 2014 – Boa ideia do Bra51l.
  • 2008 – Uma boa ideia puxa outra.
  • 2007 – Boa ideia é ser brasileiro.
  • 1978 – Uma boa ideia.

Sobre o lendário slogan

Criado em 1978 pela agência Lage Stabel & Guerreiro, o slogan “51 – Uma Boa Ideia” tornou-se um dos mais memoráveis da publicidade brasileira. O diferencial da campanha foi valorizar o hábito de consumo da bebida, em vez de seus atributos tradicionais como sabor ou preço. A estratégia transformou consumidores em personagens de uma boa escolha — como se pedir uma 51 fosse, por si só, uma atitude inteligente.

O resultado foi extraordinário: a marca, que tinha apenas 0,5% de participação no mercado, saltou para 45% em pouco tempo, expandindo-se de São Paulo para todo o Brasil. A frase se transformou em ditado popular e referência cultural, sendo lembrada até mesmo por quem não consome bebidas alcoólicas.

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