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Economia & Mercado

Projeto de autossuficiência alimentar da China acende alerta para o agronegócio brasileiro

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Tema foi destaque na coluna Circuito Rural, de Olmir Cividini, e levanta debate sobre a dependência brasileira do maior comprador mundial de alimentos

Enquanto o agronegócio brasileiro enfrenta uma das mais severas crises financeiras dos últimos anos, uma transformação silenciosa em curso na China começa a despertar preocupações adicionais para produtores e exportadores.

O tema foi abordado na mais recente edição da coluna Circuito Rural, assinada pelo jornalista tangaraense Olmir Cividini, que analisou os impactos da estratégia chinesa de fortalecimento da segurança alimentar e seus possíveis reflexos para o Brasil.

Segundo Cividini, o gigante asiático, principal destino das exportações brasileiras de soja e carne bovina, avança em um amplo projeto de redução gradual da dependência de fornecedores externos, buscando ampliar sua capacidade de produção interna de alimentos.

A estratégia está inserida no 15º Plano Quinquenal da China, que estabelece como prioridades o desenvolvimento de qualidade, a segurança econômica, a autonomia tecnológica, o bem-estar social e a autossuficiência alimentar.

Para alcançar esses objetivos, o governo chinês vem intensificando investimentos em biotecnologia, desenvolvimento de sementes próprias, inteligência artificial, agricultura de precisão e outras tecnologias voltadas ao aumento da produtividade agrícola.

“O objetivo é produzir mais dentro de casa e depender menos dos fornecedores externos. E é aí que entra o Brasil”, observa o jornalista em sua análise.

Dependência

A preocupação decorre do elevado grau de dependência do agronegócio brasileiro em relação ao mercado chinês. Atualmente, cerca de 70% da soja exportada pelo Brasil têm como destino a China. No caso da carne bovina, o país asiático responde por aproximadamente metade das exportações brasileiras.

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De acordo com projeções citadas na coluna, as importações chinesas de soja poderão ser reduzidas em até 20 milhões de toneladas anuais até 2030, à medida que os investimentos em produtividade e autossuficiência avancem.

No mercado de proteína animal, também surgem sinais de mudanças. O aumento das exigências sanitárias, a adoção de mecanismos regulatórios e a implementação de controles comerciais mais rigorosos são apontados como indícios de uma política voltada à redução gradual da dependência externa.

“Mercados não desaparecem da noite para o dia. Eles mandam sinais antes, e esses sinais já estão sobre a mesa”, alerta Cividini.

Cenário desafiador

A discussão ocorre em um momento particularmente delicado para o agronegócio brasileiro.

O setor convive com os efeitos acumulados de eventos climáticos adversos, elevação dos custos de produção, juros elevados e redução das margens de rentabilidade, fatores que têm pressionado a capacidade financeira dos produtores rurais.

O Senado Federal aprovou projeto que prevê a renegociação de dívidas do setor agropecuário e a criação de um Fundo Garantidor para o Agro. A proposta ainda retornará à Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção presidencial.

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Apesar do avanço da matéria, lideranças do setor acompanham com cautela a tramitação, diante da possibilidade de vetos a dispositivos considerados importantes para o enfrentamento da atual crise.

Diversificação ganha importância estratégica

Na avaliação apresentada na coluna Circuito Rural, o cenário reforça a necessidade de o Brasil ampliar sua estratégia comercial e reduzir a dependência excessiva de um único mercado comprador.

Entre os caminhos apontados estão a abertura de novos mercados internacionais, a ampliação da industrialização interna, o aumento da agregação de valor às commodities agrícolas e a construção de modelos produtivos menos vulneráveis às oscilações da demanda externa.

A análise sugere que a competitividade do agronegócio brasileiro continuará sendo fundamental, mas que a diversificação deverá assumir papel cada vez mais relevante nas estratégias de longo prazo do setor.

“Quem depende mais de um único comprador entrega a ele parte do seu futuro”, conclui Olmir Cividini.

A reflexão ganha relevância diante das transformações em curso na economia global. Se por um lado a China continuará sendo um parceiro estratégico para o Brasil, por outro os movimentos de fortalecimento da produção interna chinesa indicam que o agronegócio nacional precisará estar preparado para um mercado cada vez mais competitivo e menos dependente de relações comerciais concentradas em poucos destinos.

(*) Ouça a coluna de Olmir Cividini na íntegra:

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Economia & Mercado

Com alta demanda, Mato Grosso desponta como nova fronteira em florestas de eucalipto

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Palestra promovida pela LiptosFlora tratou sobre plantio e manejo, demanda e mercado. Alta produtividade, valorização dos ativos florestais e políticas de estímulo às florestas plantadas reforçam o potencial de retorno dos projetos silviculturais no estado.

A combinação entre demanda crescente por madeira, déficit de biomassa, produtividade superior à média nacional e novas diretrizes ambientais favoráveis às florestas plantadas está colocando Mato Grosso no radar de investidores que buscam oportunidades na economia verde.

O tema foi destaque na palestra “Como ter êxito com um projeto florestal de eucalipto” (foto abaixo), promovida pela LiptosFlora na tarde da última quarta-feira (10), em Tangará da Serra. O encontro, realizado no Maison Hotel, reuniu produtores rurais, empresários, investidores e profissionais ligados ao agronegócio para discutir as perspectivas da silvicultura comercial no estado.

O palestrante, consultor especializado em florestas plantadas e agrossilvicultura, Pedro Francio Filho, apresentou um cenário que evidencia o enorme espaço para expansão da atividade. Segundo ele, Mato Grosso possui atualmente cerca de 165 mil hectares de florestas plantadas, número insuficiente para atender à demanda existente.

“O estado já apresenta um déficit estimado em 250 mil hectares e as projeções apontam para a necessidade de aproximadamente 600 mil hectares nos próximos dez anos”, observou.

Para Francio, o potencial produtivo mato-grossense coloca o estado em posição privilegiada no cenário nacional. “Hoje Mato Grosso tem o maior potencial do Brasil e do mundo para a produção de eucalipto”, afirmou.

Francio e a demanda de mercado: “Projeções apontam para a necessidade de aproximadamente 600 mil hectares nos próximos dez anos”.

O especialista destacou que o Incremento Médio Anual (IMA) de áreas comerciais no estado é um indicativo do alto rendimento do eucalipto. “A produtividade, com as técnicas aplicadas, podem dobrar – e até mais que isso – a produtividade média nacional. Não estamos falando de projeções ou pesquisas experimentais, mais de resultados obtidos em propriedades rurais de Mato Grosso”, enfatizou.

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Além da produtividade, o mercado também apresenta sinais consistentes de valorização. Dados do setor indicam que o preço da madeira de eucalipto em pé alcançou aproximadamente R$ 179 por metro cúbico em 2026, acumulando valorização superior a 30% em apenas um ano, impulsionado pela demanda dos segmentos de energia, biomassa, secagem de grãos, construção civil e indústria.

Biomassa para geração de energia industrial: Grande demanda em Mato grosso para os próximos anos.

Expectativa de virada no mercado

Durante o evento, o empresário Valdir Andrade (foto abaixo), da LiptosFlora, lembrou que Mato Grosso já chegou a registrar aproximadamente 200 mil hectares de florestas plantadas no início dos anos 2000. O crescimento, entretanto, perdeu força diante da forte participação da madeira oriunda de florestas nativas manejadas, atendendo o mercado de biomassa.

Atualmente, cerca de 64% da produção florestal mato-grossense ainda tem origem em florestas nativas manejadas, enquanto 36% provêm de áreas plantadas.

Contudo, esse cenário pode estar próximo de uma mudança estrutural. Recentemente, o Governo de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual firmaram um Termo de Compromisso Ambiental que estabelece metas para ampliar significativamente a base de florestas plantadas e reduzir gradativamente a dependência da biomassa proveniente de vegetação nativa.

A iniciativa busca estimular novos investimentos privados, ampliar a oferta de matéria-prima renovável para a indústria e fortalecer a segurança jurídica do setor, criando um ambiente mais favorável para projetos de médio e longo prazo.

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A expectativa é que essa política acelere a expansão das florestas comerciais e contribua para reduzir o déficit de madeira existente no estado, fortalecendo uma cadeia produtiva que já movimenta cerca de R$ 1,6 bilhão por ano.

Tangará da Serra se consolida como polo florestal

A região de Tangará da Serra ocupa posição estratégica nesse processo de expansão. O município reúne viveiros de alta tecnologia, empresas de reflorestamento, indústrias de beneficiamento e fornecedores especializados em madeira tratada.

A presença de estruturas como a da LiptosFlora, capazes de produzir milhões de mudas clonais por ano, associada à demanda crescente das usinas de etanol de milho, secadores de grãos, indústrias e propriedades rurais, transforma a região em um dos principais polos emergentes da silvicultura mato-grossense.

Além da produção de biomassa, o eucalipto vem ganhando espaço em segmentos de maior valor agregado, como madeira tratada, serraria, construção rural, postes, mourões e projetos de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Economia verde e ativos ambientais

Outro fator que amplia o interesse de investidores é a crescente valorização dos ativos ambientais.

A expansão dos mercados ligados à bioeconomia, créditos de carbono, reflorestamento e produção sustentável vem criando novas fontes de receita para projetos florestais, que passam a combinar produção de madeira, geração de energia renovável e serviços ambientais.

Nesse contexto, Mato Grosso reúne características consideradas estratégicas para a expansão da atividade: disponibilidade de terras, forte demanda industrial, condições climáticas favoráveis, elevada produtividade e uma logística cada vez mais integrada ao agronegócio.

Com demanda aquecida, oferta insuficiente e novas políticas voltadas à ampliação das florestas plantadas, o setor florestal desponta como uma das oportunidades mais promissoras para investidores que buscam participar do avanço da economia verde no Centro-Oeste brasileiro.

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