TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Economia & Mercado

Com alta demanda, Mato Grosso desponta como nova fronteira em florestas de eucalipto

Publicado em

Palestra promovida pela LiptosFlora tratou sobre plantio e manejo, demanda e mercado. Alta produtividade, valorização dos ativos florestais e políticas de estímulo às florestas plantadas reforçam o potencial de retorno dos projetos silviculturais no estado.

A combinação entre demanda crescente por madeira, déficit de biomassa, produtividade superior à média nacional e novas diretrizes ambientais favoráveis às florestas plantadas está colocando Mato Grosso no radar de investidores que buscam oportunidades na economia verde.

O tema foi destaque na palestra “Como ter êxito com um projeto florestal de eucalipto” (foto abaixo), promovida pela LiptosFlora na tarde da última quarta-feira (10), em Tangará da Serra. O encontro, realizado no Maison Hotel, reuniu produtores rurais, empresários, investidores e profissionais ligados ao agronegócio para discutir as perspectivas da silvicultura comercial no estado.

O palestrante, consultor especializado em florestas plantadas e agrossilvicultura, Pedro Francio Filho, apresentou um cenário que evidencia o enorme espaço para expansão da atividade. Segundo ele, Mato Grosso possui atualmente cerca de 165 mil hectares de florestas plantadas, número insuficiente para atender à demanda existente.

“O estado já apresenta um déficit estimado em 250 mil hectares e as projeções apontam para a necessidade de aproximadamente 600 mil hectares nos próximos dez anos”, observou.

Para Francio, o potencial produtivo mato-grossense coloca o estado em posição privilegiada no cenário nacional. “Hoje Mato Grosso tem o maior potencial do Brasil e do mundo para a produção de eucalipto”, afirmou.

Francio e a demanda de mercado: “Projeções apontam para a necessidade de aproximadamente 600 mil hectares nos próximos dez anos”.

O especialista destacou que o Incremento Médio Anual (IMA) de áreas comerciais no estado é um indicativo do alto rendimento do eucalipto. “A produtividade, com as técnicas aplicadas, podem dobrar – e até mais que isso – a produtividade média nacional. Não estamos falando de projeções ou pesquisas experimentais, mais de resultados obtidos em propriedades rurais de Mato Grosso”, enfatizou.

Leia mais:  Desafios crescentes: Custo da Soja, estiagem em MT e barreiras da UE são entraves

Além da produtividade, o mercado também apresenta sinais consistentes de valorização. Dados do setor indicam que o preço da madeira de eucalipto em pé alcançou aproximadamente R$ 179 por metro cúbico em 2026, acumulando valorização superior a 30% em apenas um ano, impulsionado pela demanda dos segmentos de energia, biomassa, secagem de grãos, construção civil e indústria.

Biomassa para geração de energia industrial: Grande demanda em Mato grosso para os próximos anos.

Expectativa de virada no mercado

Durante o evento, o empresário Valdir Andrade (foto abaixo), da LiptosFlora, lembrou que Mato Grosso já chegou a registrar aproximadamente 200 mil hectares de florestas plantadas no início dos anos 2000. O crescimento, entretanto, perdeu força diante da forte participação da madeira oriunda de florestas nativas manejadas, atendendo o mercado de biomassa.

Atualmente, cerca de 64% da produção florestal mato-grossense ainda tem origem em florestas nativas manejadas, enquanto 36% provêm de áreas plantadas.

Contudo, esse cenário pode estar próximo de uma mudança estrutural. Recentemente, o Governo de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual firmaram um Termo de Compromisso Ambiental que estabelece metas para ampliar significativamente a base de florestas plantadas e reduzir gradativamente a dependência da biomassa proveniente de vegetação nativa.

A iniciativa busca estimular novos investimentos privados, ampliar a oferta de matéria-prima renovável para a indústria e fortalecer a segurança jurídica do setor, criando um ambiente mais favorável para projetos de médio e longo prazo.

Leia mais:  Amaggi confirma 40% da FS e mercado de biocombustíveis ganha novo fôlego

A expectativa é que essa política acelere a expansão das florestas comerciais e contribua para reduzir o déficit de madeira existente no estado, fortalecendo uma cadeia produtiva que já movimenta cerca de R$ 1,6 bilhão por ano.

Tangará da Serra se consolida como polo florestal

A região de Tangará da Serra ocupa posição estratégica nesse processo de expansão. O município reúne viveiros de alta tecnologia, empresas de reflorestamento, indústrias de beneficiamento e fornecedores especializados em madeira tratada.

A presença de estruturas como a da LiptosFlora, capazes de produzir milhões de mudas clonais por ano, associada à demanda crescente das usinas de etanol de milho, secadores de grãos, indústrias e propriedades rurais, transforma a região em um dos principais polos emergentes da silvicultura mato-grossense.

Além da produção de biomassa, o eucalipto vem ganhando espaço em segmentos de maior valor agregado, como madeira tratada, serraria, construção rural, postes, mourões e projetos de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Economia verde e ativos ambientais

Outro fator que amplia o interesse de investidores é a crescente valorização dos ativos ambientais.

A expansão dos mercados ligados à bioeconomia, créditos de carbono, reflorestamento e produção sustentável vem criando novas fontes de receita para projetos florestais, que passam a combinar produção de madeira, geração de energia renovável e serviços ambientais.

Nesse contexto, Mato Grosso reúne características consideradas estratégicas para a expansão da atividade: disponibilidade de terras, forte demanda industrial, condições climáticas favoráveis, elevada produtividade e uma logística cada vez mais integrada ao agronegócio.

Com demanda aquecida, oferta insuficiente e novas políticas voltadas à ampliação das florestas plantadas, o setor florestal desponta como uma das oportunidades mais promissoras para investidores que buscam participar do avanço da economia verde no Centro-Oeste brasileiro.

Comentários Facebook
Advertisement

Economia & Mercado

Amaggi confirma 40% da FS e mercado de biocombustíveis ganha novo fôlego

Published

on

O mercado de biocombustíveis e nutrição animal no Brasil deu um passo decisivo nesta semana com a consolidação de uma das maiores movimentações societárias do ano. A Amaggi concluiu oficialmente a aquisição de 40% da FS, gigante da produção de etanol de milho, após receber o aval definitivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). A operação, que injeta US$ 100 milhões no caixa da companhia, desenha um novo mapa estratégico para o setor produtivo nacional.

De acordo com as reflexões e registros do engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, apresentados no programa Momento Agrícola deste sábado, essa transação não é apenas uma mudança de controle acionário, mas um movimento de integração vertical que fortalece a competitividade brasileira. Arioli destaca que a sinergia entre a capacidade de originação de grãos da Amaggi e a expertise industrial da FS cria um ecossistema robusto que beneficia desde a logística até as exportações de valor agregado.

US$ 100 Milhões e Sinergia Estratégica

A conclusão do negócio envolveu um aporte financeiro de US$ 100 milhões via emissão primária de ações, além da aquisição de participações de acionistas atuais. O objetivo central é claro: maximizar a eficiência em toda a cadeia do milho. Com a Amaggi como parceira estratégica, a FS ganha fôlego para novos ciclos de expansão, enquanto a gigante mato-grossense consolida sua posição como player indispensável na transição energética global.

Leia mais:  Desafios crescentes: Custo da Soja, estiagem em MT e barreiras da UE são entraves

A integração promete otimizar o transporte e a originação do cereal, garantindo suprimento estável para as usinas e ampliando a oferta de DDG (grãos de destilaria), subproduto essencial para a nutrição animal. Esse fortalecimento ocorre em um momento em que o Brasil busca se firmar como o principal fornecedor de soluções de baixo carbono para o mundo.

A invasão dos genéricos e ilegais

Outro tema de destaque no balanço semanal de Ricardo Arioli é a crescente preocupação com a importação de defensivos agrícolas genéricos, oriundos principalmente da China. Embora os produtos genéricos sejam uma alternativa para a redução de custos, o setor produtivo acende um sinal de alerta sobre a eficiência agronômica dessas formulações.

O problema ganha contornos mais graves com o avanço do mercado ilegal. Registros apontam a entrada de produtos com documentação falsificada, formulações adulteradas e até defensivos completamente falsificados. Arioli alerta que o uso desses insumos coloca em risco não apenas a produtividade das lavouras, mas também a segurança jurídica e ambiental das propriedades, exigindo uma fiscalização mais rigorosa nas fronteiras e portos.

Leia mais:  Amaggi confirma 40% da FS e mercado de biocombustíveis ganha novo fôlego

Carbono em Pauta

Encerrando as análises da semana, o programa abordou os avanços na regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Com a base jurídica estabelecida pela Lei nº 15.042/2024, o mercado regulado de carbono no Brasil começa a ganhar forma, prometendo transformar a sustentabilidade em um ativo financeiro tangível para o produtor rural.

A expectativa é que o sistema incentive práticas regenerativas e ofereça novas fontes de receita para aqueles que conseguirem comprovar a redução ou remoção de emissões. Para o agro, o desafio agora reside na métrica e na governança desses dados, garantindo que a preservação ambiental praticada no campo seja devidamente valorizada no mercado global.

Para ouvir as reflexões completas de Ricardo Arioli no programa Momento Agrícola deste sábado, 25 de julho, acesse o link abaixo:

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana