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Suspensão da carne brasileira pela UE poderá gerar perdas de US$ 1,8 bilhão ao ano

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A União Europeia confirmou a suspensão das importações de carne bovina brasileira a partir de 3 de setembro. O Brasil não conseguiu comprovar às autoridades europeias que a carne destinada ao bloco está livre dos chamados promotores de crescimento, como ionóforos e antibacterianos.

O tema é o destaque desta semana do Momento Agrícola, programa em formato de podcast veiculado na rede de rádios do agro e produzido pelo engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra.

Suspensão e impactos

Além da carne bovina, a suspensão atinge também as exportações de carne de frango, pescado, mel, tripas e carne equina. A medida poderá provocar perdas anuais estimadas em US$ 1,8 bilhão para o agronegócio brasileiro.

Suspensão expõe sucessão de falhas e negligência do governo brasileiro e consequentes prejuízos na cadeia da carne como um todo.

A decisão força uma redistribuição dos fluxos comerciais internacionais, abrindo espaço para que outros países sul-americanos e novos fornecedores, como a Sérvia, ampliem sua participação no mercado europeu. O episódio ocorre logo após a implementação provisória do acordo Mercosul-União Europeia e evidencia a rigidez das exigências sanitárias do bloco europeu, especialmente no que se refere ao controle de antibióticos e à rastreabilidade completa dos produtos, do campo ao frigorífico.

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O governo brasileiro intensifica os esforços diplomáticos para tentar reverter a decisão. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o Ministério da Agricultura conduzem negociações com autoridades europeias e trabalham na adequação dos protocolos sanitários antes da entrada em vigor da suspensão.

Paralelamente, uma missão técnica da União Europeia deverá visitar o Brasil no segundo semestre para avaliar os sistemas de controle e verificar a possibilidade de reinclusão do país entre os fornecedores habilitados ao mercado europeu.

No mercado interno, especialistas avaliam que o aumento da oferta de carne bovina e de frango originalmente destinada à exportação poderá provocar uma redução temporária dos preços ao consumidor brasileiro.

Outros destaques

Além das análises sobre o cenário do agronegócio, o Momento Agrícola apresenta entrevistas sobre temas de interesse do setor:

  • Soja Alto Oleico, Mel e Máxima Produtividade, com o pesquisador Dr. Décio Gazzoni, da Embrapa;
  • O uso do RNA no controle de pragas, com Giuvan Lenz, da GreenLight Biosciences;
  • Como enfrentar a seca na cultura da soja, com José Renato Farias, da Embrapa.
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Para ouvir o programa na íntegra, acesse o podcast no link abaixo:

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Recuperações judiciais avançam no agro; Mato Grosso lidera e frango reage

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O agronegócio brasileiro encerra a semana sob uma combinação de pressão financeira, desaceleração econômica e incertezas no comércio internacional. No episódio deste sábado (15) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli comenta o aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor, a queda do PIB do agronegócio, a proximidade do limite de exportação de carne bovina para a China e os efeitos da seca que atinge partes da Europa.

O principal alerta está no avanço da recuperação judicial. Levantamento da Serasa Experian contabilizou 474 pedidos no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação às 389 solicitações registradas no mesmo período do ano passado. O número reúne produtores rurais que atuam como pessoa física ou jurídica e empresas relacionadas à cadeia do agronegócio, refletindo uma deterioração que ultrapassa a porteira e alcança agroindústrias, transportadores, prestadores de serviços e outros elos do sistema produtivo.

Mato Grosso concentra o maior número de pedidos

Mato Grosso liderou o ranking nacional, com 135 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O resultado coloca o estado no centro da discussão sobre endividamento rural, especialmente porque a produção mato-grossense tem forte exposição aos custos de sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, fretes e financiamento. Quando os preços das commodities recuam ou a produtividade fica abaixo do esperado, a margem estreita transforma compromissos de custeio e investimento em um problema de fluxo de caixa.

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Os dados mostram, porém, que a crise não se manifesta de forma igual em todos os segmentos. Entre produtores rurais pessoa física, foram 182 solicitações, queda de 6,7% na comparação anual. Já as empresas ligadas à cadeia do agro somaram 96 pedidos, aumento de 18,5% sobre o primeiro trimestre de 2025. A diferença sugere que a pressão financeira também está se deslocando para negócios de transformação, processamento e apoio à atividade rural.

Fonte: EB/IA

O quadro financeiro é reforçado pelo desempenho do PIB do agronegócio. Segundo levantamento Cepea/CNA, o indicador recuou 2,01% no primeiro trimestre, pressionado principalmente pelo ramo agrícola, que caiu 3,62%; a pecuária, em sentido contrário, avançou 0,70% [2]. A retração está associada sobretudo à queda dos preços das commodities, mesmo com a expectativa de crescimento da produção em algumas cadeias.

Frango traz notícia positiva ao comércio exterior

Em meio aos sinais negativos, a avicultura oferece um contraponto importante. As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram 519,2 mil toneladas em julho, avanço de 29,9% sobre o mesmo mês de 2025, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O desempenho confirma a força do produto brasileiro no mercado internacional e ajuda a diversificar as receitas externas do setor, em um momento em que outras carnes enfrentam incertezas comerciais.

Na carne bovina, o mercado chinês acompanha com atenção a utilização da cota anual. O Brasil já havia empregado 90% do limite de 1,106 milhão de toneladas autorizado para 2026 sem a sobretaxa prevista. Depois do esgotamento da cota, a carne excedente estará sujeita a uma tarifa adicional de 55%, além das demais cobranças aplicadas pelo país asiático.

Fonte: EB/IA

A possibilidade de encarecimento pode reduzir o ritmo dos embarques, redirecionar parte da oferta para outros mercados e pressionar as negociações entre frigoríficos e pecuaristas.

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Outro tema resumido no programa é a seca na Europa. Ondas sucessivas de calor e baixos níveis dos rios Reno e Danúbio já afetam a navegação, a geração de energia, a indústria e a agricultura. A escassez de água também aumenta o risco de perdas em lavouras e de encarecimento do transporte e dos alimentos, mostrando como eventos climáticos extremos podem produzir efeitos econômicos em cadeia.

Nos blocos de entrevistas, o programa apresenta a discussão “A Europa vai acabar?”, produzida com inteligência artificial, e entrevista o pesquisador Dr. José Renato Farias, da Embrapa, sobre o Zoneamento por Níveis de Manejo. A proposta é relacionar clima, uso do solo, tecnologia e planejamento para melhorar a tomada de decisão no campo.

Em resumo: o agro enfrenta forte aumento das recuperações judiciais, liderado por Mato Grosso, e queda do PIB, mas as exportações de frango avançam; enquanto isso, a cota chinesa ameaça encarecer a carne bovina e a seca agrava os riscos agrícolas na Europa.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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