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Economia & Mercado

Suspensão imposta pela UE expõe combinação de falhas regulatórias do governo brasileiro

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A suspensão das importações de carne brasileira pela União Europeia expõe uma série de fragilidades na gestão regulatória do país. A análise dos fatos indica uma combinação de burocracia defasada, baixa integração de dados e lentidão na implementação de medidas corretivas, fatores que contribuíram para o desgaste da credibilidade sanitária brasileira perante o mercado europeu.

Segundo apurado pelo Enfoque Business, especialistas apontam que o problema não decorre apenas de exigências mais rígidas da União Europeia, mas também de limitações estruturais do sistema brasileiro de controle e rastreabilidade animal.

Enquanto concorrentes diretos avançaram na modernização de seus mecanismos de monitoramento, o Brasil demorou a consolidar sistemas capazes de comprovar, de forma rápida e transparente, o controle sobre o uso de antibióticos, antimicrobianos e outros insumos submetidos à fiscalização sanitária internacional. O resultado foi o aumento das restrições por parte das auditorias conduzidas pela DG SANTE, órgão responsável pela saúde e segurança alimentar da União Europeia.

Os três pilares da fragilidade regulatória

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A situação atual pode ser compreendida a partir de três gargalos principais:

  • Rastreabilidade fragmentada – Diferentemente de países como Uruguai e Argentina, que avançaram em sistemas centralizados e digitalizados de identificação individual do rebanho, o Brasil ainda apresenta significativa dependência de registros descentralizados e processos documentais heterogêneos entre os estados. Essa realidade dificulta auditorias rápidas e a comprovação imediata da conformidade sanitária exigida pelos importadores.
  • Morosidade na modernização – Alertas relacionados ao controle de antimicrobianos e resíduos químicos já haviam sido apontados em missões veterinárias anteriores da União Europeia. A ausência de ações preventivas mais abrangentes e de um cronograma robusto de adequação contribuiu para o agravamento das divergências técnicas entre as partes.
  • Déficit de fiscalização e estrutura operacional – Restrições orçamentárias, limitações de pessoal e desafios estruturais enfrentados por órgãos de fiscalização e laboratórios oficiais reduziram a capacidade de resposta do sistema público. Em um ambiente de crescente exigência internacional, a geração de laudos e evidências técnicas precisa atender padrões cada vez mais elevados de confiabilidade e rastreabilidade.
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Geopolítica, comércio e credibilidade

Sob a perspectiva dos negócios internacionais, a tese de que a União Europeia estaria utilizando exclusivamente argumentos sanitários como instrumento protecionista encontra obstáculos na própria dinâmica do mercado regional. Caso a motivação fosse estritamente comercial, outros fornecedores sul-americanos estariam sujeitos às mesmas restrições.

A manutenção de concorrentes da região no mercado europeu sugere que o foco das autoridades do bloco recai, sobretudo, sobre aspectos relacionados à consistência documental, à rastreabilidade e à capacidade institucional de comprovação sanitária.

Mais do que uma disputa comercial, o episódio representa um alerta para a necessidade de modernização dos sistemas de controle agropecuário brasileiros. Em mercados cada vez mais exigentes, competitividade não depende apenas de produtividade e escala, mas também da capacidade de demonstrar conformidade, transparência e confiança regulatória.

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Suspensão da carne brasileira pela UE poderá gerar perdas de US$ 1,8 bilhão ao ano

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A União Europeia confirmou a suspensão das importações de carne bovina brasileira a partir de 3 de setembro. O Brasil não conseguiu comprovar às autoridades europeias que a carne destinada ao bloco está livre dos chamados promotores de crescimento, como ionóforos e antibacterianos.

O tema é o destaque desta semana do Momento Agrícola, programa em formato de podcast veiculado na rede de rádios do agro e produzido pelo engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra.

Suspensão e impactos

Além da carne bovina, a suspensão atinge também as exportações de carne de frango, pescado, mel, tripas e carne equina. A medida poderá provocar perdas anuais estimadas em US$ 1,8 bilhão para o agronegócio brasileiro.

Suspensão expõe sucessão de falhas e negligência do governo brasileiro e consequentes prejuízos na cadeia da carne como um todo.

A decisão força uma redistribuição dos fluxos comerciais internacionais, abrindo espaço para que outros países sul-americanos e novos fornecedores, como a Sérvia, ampliem sua participação no mercado europeu. O episódio ocorre logo após a implementação provisória do acordo Mercosul-União Europeia e evidencia a rigidez das exigências sanitárias do bloco europeu, especialmente no que se refere ao controle de antibióticos e à rastreabilidade completa dos produtos, do campo ao frigorífico.

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O governo brasileiro intensifica os esforços diplomáticos para tentar reverter a decisão. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o Ministério da Agricultura conduzem negociações com autoridades europeias e trabalham na adequação dos protocolos sanitários antes da entrada em vigor da suspensão.

Paralelamente, uma missão técnica da União Europeia deverá visitar o Brasil no segundo semestre para avaliar os sistemas de controle e verificar a possibilidade de reinclusão do país entre os fornecedores habilitados ao mercado europeu.

No mercado interno, especialistas avaliam que o aumento da oferta de carne bovina e de frango originalmente destinada à exportação poderá provocar uma redução temporária dos preços ao consumidor brasileiro.

Outros destaques

Além das análises sobre o cenário do agronegócio, o Momento Agrícola apresenta entrevistas sobre temas de interesse do setor:

  • Soja Alto Oleico, Mel e Máxima Produtividade, com o pesquisador Dr. Décio Gazzoni, da Embrapa;
  • O uso do RNA no controle de pragas, com Giuvan Lenz, da GreenLight Biosciences;
  • Como enfrentar a seca na cultura da soja, com José Renato Farias, da Embrapa.
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Para ouvir o programa na íntegra, acesse o podcast no link abaixo:

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