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Boteco do "Seo Pedro"

Amarelinha – Mais de 40 tipos de madeiras dão sabor à autêntica cachaça brasileira

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No fantástico mundo dos destilados, a Cachaça tem um lugar especial, seja por seu valor histórico, cultural e/ou comercial, seja por ser o primeiro destilado das Américas, por se tratar de um produto de Indicação Geográfica-IG Brasileira (só se produz cachaça no Brasil) ou por ter uma característica que a difere de muitos destilados espalhados pelo mundo: a quantidade de madeiras utilizadas em seu envelhecimento, trazendo identidade e autenticidade ao destilado nacional.

Na última semana, o Enfoque Business abordou as características da cachaça por meio de sua maturação em barris, tonéis ou dornas de madeiras (normalmente de 700 litros). Nessa missão, o site contou com o conhecimento do historiador de cachaças Nelson Alves, morador de Nova Olímpia e colecionador de mais de 700 rótulos de diferentes estados brasileiros) e entusiasta da cachaça. (https://enfoquebusiness.com.br/cachaca-e-o-3o-destilado-mais-consumido-no-mundo-conheca-suas-classificacoes/)

E, dando seguimento nesse tema cativante, Nelson destaca que há necessidade de complementar o assunto, tratando das diversas madeiras que dão sabores únicos e inigualáveis à cachaça, produto orgulho nacional. “Quando falamos em cachaça envelhecida, armazenada, ouro, premium, extra premium ou blend, temos de ter em mente que para chegar a essas características, precisamos de barris, tonéis ou dornas de madeiras para essa ‘mágica’, que aumenta ainda mais a percepção de aromas e sabores da cachaça, que em muitos casos representam mais de 65% de suas características sensoriais”, cita.

Segundo ele, o armazenamento de bebidas alcoólicas em madeira é uma arte praticada há mais de 2 mil anos. Antes, era utilizada apenas para transportar e conservar a bebida, porém, quando o homem descobriu que poderia agregar sabores diferenciados e apreciados aos fermentados e destilados, a prática se tornou comum no processo de produção de bebidas alcoólicas.

Nelson também acrescenta que, enquanto a maioria dos destilados pelo mundo afora como o whisky (ou whiskey), tequila, brandy, conhaque, para não citar outros tantos utilizam o Carvalho (nas mais diversas variedades) no processo de envelhecimento; a cachaça se dá bem com mais de 40 madeiras, seja de origem brasileira, como estrangeiras, como os carvalhos europeu, francês, americano. As mais conhecidas são Amburana, Jequitibá, Amendoim, Bálsamo, Ipê, Freijó, Eucalipto, Castanheira, Jaqueira, Grápia, Pau Brasil, além de outras menos conhecidas também são utilizadas na confecção de tonéis e dornas, e cada uma dá um sabor diferente ao destilado.

Acerca da maturação, o álcool, proveniente da destilação do mosto fermentado de cana de açúcar extrai compostos da madeira, e o oxigênio que circula pelas porosidades do barril contribui para a formação de ácidos, ésteres e aldeídos que modificam a bebida.

Abaixo, as qualidades sensoriais de cada madeira, tendo como fonte de informação o site Cachaçaria Terra Amarela. (https://terraamarela.com.br/entendendo-as-madeiras/)

– PRATA / CLÁSSICA / TRADICIONAL

Aroma frutado com notas de abacaxi e frutas cítricas, indicativo da cana-de-açúcar utilizada no processo de destilação. Ao provarmos, percebemos uma doçura equilibrada e um amargor sutil. Nota-se também a presença de sabores frutados, com pronunciado sabor de ananás e notas de baunilha.

Pode ficar armazenada em recipientes de aço inox ou madeiras neutras em relação a coloração, como Jequitibá, Amendoim, Frejó e Grápia.

– AMBURANA

Aroma de baunilha e canela, lembrando rolinhos de canela recém-assados. As notas de nozes e especiarias da madeira acrescentam complexidade e riqueza à bebida espirituosa, semelhantes aos sabores encontrados num bourbon bem envelhecido.

– AMENDOIM

Pode ter sabor doce e de nozes ou picante e de carvalho. Destacam-se os sabores de nozes e marcas doces do barril de madeira de Amendoim, com notas de caramelo e baunilha. A Cachaça tem um paladar bem arredondado e um final longo e persistente.

– ARARIBÁ

Destacam-se especialmente as características de baunilha, caramelo e especiarias, oferecendo uma experiência sensorial única.

– ARARUVA

Ao tomar o primeiro gole, você percebe uma doçura sutil que lembra o caramelo, seguida por um delicioso sabor tostado. A cachaça também deixa no paladar um sabor persistente de baunilha e coco, acrescentando um toque de riqueza tropical à experiência.

– BÁLSAMO

Aroma marcante de cravo e canela, combinado com um leve adocicado. Ao provarmos, percebemos sabores de especiarias, notas terrosas, caramelo e frutas secas. Notamos um equilíbrio entre as notas adocicadas da madeira e o sabor natural da bebida. Além disso, identificamos um leve toque amargo, que é típico da cachaça envelhecida em bálsamo.

– CABREÚVA

Você pode notar os tons doces e terrosos, seguidos por notas sutis de baunilha e especiarias. Ao continuar explorando o aroma, tente imaginar a jornada da cachaça enquanto ela envelhece nos barris de madeira Cabreúva, absorvendo os sabores e aromas que a tornam única. Concluindo, o aroma da Cachaça Envelhecida em Cabreúva é um aspecto fascinante da degustação e apreciação desta aguardente brasileira. A combinação da aguardente de cana-de-açúcar com as notas amadeiradas dos barris de madeira Cabreúva cria uma experiência olfativa complexa e cativante. Ao envolver os sentidos e explorar as diferentes camadas olfativas, você poderá apreciar e desfrutar plenamente o aroma distinto da Cachaça Envelhecida em Cabreúva.

– CARVALHO

Os barris de carvalho, geralmente feitos de carvalho francês ou americano, são reconfortantes com compostos como taninos, lignina e vanilina que são absorvidos pela cachaça durante o envelhecimento, resultando em aromas e sabores complexos. Os aromas provenientes do carvalho podem variar, desde notas de baunilha e especiarias até pão tostado ou caramelo. Esses aromas se misturam com as notas naturais frutadas ou florais da cachaça, resultando em uma experiência sensorial mais complexa para o consumidor. A intensidade desses aromas pode variar de acordo com fatores como o tipo de carvalho utilizado, a idade do barril e a duração do envelhecimento. Além dos aromas, o carvalho também influencia o perfil de sabor da cachaça. Os taninos extraídos do carvalho escondidos para a estrutura e a sensação na boca da cachaça, conferindo-lhe uma textura mais suave e redonda. O carvalho também adiciona sabores como coco, chocolate ou nozes, que podem adicionar profundidade e complexidade à cachaça.

Carvalho Americano: Notas proeminentes de baunilha e caramelo. A madeira de carvalho libera lentamente seus sabores na cachaça ao longo de vários anos, realçando sua complexidade e caráter.

Carvalho Francês: Sabor mais delicado e refinado. A cachaça apresenta notas de especiarias, pão torrado e frutas secas, conferindo-lhe um sabor único e sofisticado.

Blend de Barris de Carvalho Americano e Francês: Ao combinar os sabores ousados do carvalho americano com os sabores refinados do carvalho francês, eles criam uma cachaça com perfil de sabor complexo e equilibrado que agrada aos mais diversos paladares.

– CASTANHEIRA

Aroma doce de baunilha, imediatamente seguido pelo aroma sedutor de caramelo rico. Misturado a esses aromas familiares, você detecta uma explosão de frutas tropicais. Sabor inconfundível do chocolate amargo, seguido por um toque sutil de nozes torradas. O final revela um delicioso calor de especiarias, deixando um sabor persistente e satisfatório.

– CEDRO

Após envelhecer a cachaça em barris de Madeira Cedro por um período de dois anos, a aguardente transforma-se numa bebida suave e saborosa. A madeira confere uma doçura delicada, com notas de baunilha e caramelo, que complementam lindamente os sabores naturais da cana-de-açúcar. O resultado é um sabor equilibrado e harmonioso que vem ganhando reconhecimento e elogios dos apreciadores da Cachaça.

– CEREJEIRA

A madeira de cerejeira acrescenta um pouco de doçura e deixa a cachaça com uma linda cor âmbar. A cachaça precisa ser envelhecida por pelo menos um ano, mas às vezes até mais, para desenvolver seus sabores deliciosos. O processo de envelhecimento faz com que a cachaça tenha gosto de cereja, baunilha, caramelo e especiarias.

Você pode experimentar diferentes alimentos para torná-lo ainda melhor. Algumas pessoas gostam de comê-lo com chocolate. Dizem que o sabor doce da bebida combina bem com o sabor do chocolate amargo. Outras pessoas gostam de harmonizá-la com frutas tropicais como abacaxi ou manga. O sabor frutado da bebida combina bem com o sabor adocicado das frutas. E algumas pessoas gostam de saboreá-la acompanhada de carne ou ensopado. O sabor forte da bebida deixa a carne ainda mais saborosa. Portanto, há muitas maneiras de saborear esta bebida especial!

– FREJÓ

Em termos de aroma, a cachaça envelhecida na Madeira-Frejó oferece um bouquet que o transporta para uma exuberante floresta tropical. O perfume da madeira é sutil, mas presente, evocando a sensação de caminhar por uma floresta após uma chuva leve. As frutas tropicais trazem aromas de abacaxi maduro e manga, provocando os sentidos com sua doçura. Por fim, as especiarias completam a experiência olfativa, acrescentando um toque de calor e intriga, como entrar num animado mercado de especiarias. Ao provar a cachaça envelhecida na Madeira-Frejó, você poderá notar sabores que lembram o caramelo, como o de um rico toffee ou de um doce de leite cremoso. As notas de baunilha acrescentam um toque de doçura e suavidade ao paladar, enquanto as especiarias proporcionam um leve toque de complexidade, semelhante a uma mistura quente e reconfortante de especiarias natalinas.

– GRÁPIA

O aroma é sutilmente amadeirado e de nozes. Isso potencializa a experiência olfativa, conferindo à bebida um aroma agradável que complementa suas notas de sabor. Tem gosto de caramelo, mel e baunilha, além de sabor defumado e picante.

– IPÊ

Aroma marcante de especiarias, com notas de cravo, canela e pimenta, combinado com a presença sutil de baunilha e madeira tostada. Sabor de especiarias, baunilha e frutas secas, adstringência leve, que proporciona um equilíbrio perfeito entre o doce e o amargo, destacando-se no paladar como uma bebida com personalidade única.

– JAQUEIRA

Sabor adstringente e com notas amadeiradas distintas, aroma característico de baunilha, que é conferido pelos taninos da madeira.

Jatobá

Sabores e aromas distintos de baunilha, carvalho e um amargor sutil, também com sabores complexos de frutas secas e especiarias, adstringência equilibrada.

– JEQUITIBÁ

Quando alguém toma um gole, pode notar imediatamente o sabor doce e cremoso da baunilha que permanece em sua língua e o desenvolvimento de notas de caramelo. À medida que a bebida envelhece, a madeira confere um sabor ainda mais profundo e rico de caramelo, conferindo à bebida um tom doce e indulgente. As propriedades únicas da madeira também podem realçar o sabor picante da cachaça, também pode ganhar notas sutis de canela, noz-moscada ou pimenta preta, acrescentando complexidade e um toque de calor ao perfil geral do sabor.

– PAU-BRASIL

Aroma de carvalho tostado e especiarias. Essa cachaça em particular é conhecida por seus sabores complexos de baunilha, caramelo e frutas secas, todos atribuídos às características únicas da madeira, nota-se também notas de chocolate, canela e frutas tropicais.

– PEREIRA

Possui um toque sutil de canela e cravo no aroma. Ao tomar um gole, percebe-se uma textura macia e aveludada e um sabor rico de caramelo com um toque de damasco seco. A complexidade dos sabores permanece no paladar, proporcionando uma experiência de consumo verdadeiramente única e agradável.

– SASSAFRÁS

Sabor terroso e picante, com notas de canela e cravo. A cachaça possui cor âmbar profunda, indicando seu bom envelhecimento e maturação. Apresenta sabor suave e equilibrado, com a aspereza do álcool suavizada pelos taninos da madeira de sassafrás.

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Boteco do "Seo Pedro"

Superstição, título no futebol e mendigo bêbado: as histórias por trás da origem da Cachaça 51

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A cachaça, mais importante destilado brasileiro, acumula ao longo de seus mais de 500 anos uma coleção de histórias e lendas. Muitas dessas narrativas são passadas de geração em geração — sempre acompanhadas de uma boa prosa e uma dose da bebida.

É o que destaca o historiador e cachacista mato-grossense Nelson Alves, residente em Nova Olímpia. Apaixonado pela história da cachaça, Nelson compartilha versões curiosas e pitorescas sobre a origem de uma das mais icônicas marcas do país: a Cachaça Pirassununga 51, sinônimo de “Uma Boa Ideia”.

Como tudo começou

De acordo com Nelson, a história da Cachaça 51 teve início em 1951, na cidade de Santa Cruz das Palmeiras, interior de São Paulo. Foi ali que os irmãos Piccolo começaram a comprar cachaça de pequenos alambiques da vizinha Pirassununga, engarrafando o produto em garrafas de 600 ml e revendendo na região.

O nome “51”, no entanto, está cercado de versões lendárias:

  • Uma delas conta que os irmãos, supersticiosos a ponto de evitarem até gatos pretos, sempre armazenavam a melhor aguardente da safra no barril número 51.
  • Outra versão afirma que um mendigo de Pirassununga teria tomado 51 doses num único dia — sendo 50 para ele e uma “para o santo”.
  • Há ainda quem diga que os Piccolo eram torcedores fanáticos do Palmeiras e que o nome “Palmeiras 51” foi uma homenagem ao título internacional conquistado pelo clube na Taça Rio de 1951. (Veja foto do topo)

Nelson, com um exemplar histórico da 51.

Mas há também explicações mais técnicas: estudiosos indicam que era comum, naquela época, marcas de aguardente levarem o nome da cidade seguido de um número — como “Pirassununga 1”, “Pirassununga 5”, “Pirassununga 21” e assim por diante. O número 51, segundo essa teoria, era apenas o número do telefone da empresa dos Piccolo.

A virada: nasce a Pirassununga 51

Oito anos depois, em 1959, a pequena empresa foi comprada por Guilherme Müller Filho, brasileiro de origem alemã. Müller assumiu o negócio, que estava praticamente desativado, e rebatizou oficialmente o produto como Pirassununga 51.

A produção usava garrafas de cerveja de 600 ml adaptadas e equipamentos rudimentares, como tonéis de madeira, envasadoras simples e tampadores manuais. A partir dali, a marca começava sua jornada de sucesso.

Hoje, a 51 é a cachaça mais vendida do Brasil, com uma produção diária de 500 mil litros, respondendo por 40% do mercado nacional de cachaça e 50% do volume de destilados consumidos no país. São cerca de 104 doses vendidas por segundo no Brasil. Em consumo, perde apenas para a cerveja, superando em 10 vezes o consumo de vodca e em 13 vezes o de uísque.

Exportações e reconhecimento internacional

A Cachaça 51 está presente em 56 países, com destaque para Portugal, Espanha, Itália e Estados Unidos. Um levantamento da revista The Millionaire’s Club (2017) colocou a marca na 12ª posição mundial em volume de vendas, à frente de bebidas renomadas internacionalmente.

Linha de produtos da Companhia Müller de Bebidas

Hoje, o portfólio da empresa inclui:

  • 51 Caipirinha Mix
  • 51 Ouro
  • 51 Mel
  • 51 Ice
  • 51 Internacional
  • 51 Gold
  • 51 Assinatura
  • Reserva 51 Única
  • Reserva 51 Rara
  • Reserva 51 Singular
  • Reserva 51 Carvalho Americano

Curiosidades sobre a Cachaça 51

  • Primeira exportação: Japão, na década de 1990.
  • 2004: Durante a Eurocopa, a marca espalhou 7.897 painéis e 132 outdoors em Portugal, com o slogan em inglês “51, The Brazilian Spirit”.
  • 2009: Lançamento da Reserva 51, cachaça extra premium envelhecida em carvalho.
  • 2013: Reconhecimento oficial nos EUA como produto tipicamente brasileiro pelo Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau.
  • 2016: Ação promocional durante os Jogos Olímpicos do Rio.
  • SPFW: Participação nas edições de 2005, 2006 e 2007 da São Paulo Fashion Week.
  • 2020: Redesign do rótulo, com destaque para elementos como cana-de-açúcar, barris e a volta do nome “Pirassununga”.
  • Product placement em Hollywood: A Cachaça 51 apareceu em três cenas da série Big Bang Theory e em episódios da temporada final de Two and a Half Men.

Os slogans da Cachaça 51

  • 2019 – Você é uma Boa Ideia.
  • 2015 – Brasil é uma boa ideia.
  • 2014 – Boa ideia do Bra51l.
  • 2008 – Uma boa ideia puxa outra.
  • 2007 – Boa ideia é ser brasileiro.
  • 1978 – Uma boa ideia.

Sobre o lendário slogan

Criado em 1978 pela agência Lage Stabel & Guerreiro, o slogan “51 – Uma Boa Ideia” tornou-se um dos mais memoráveis da publicidade brasileira. O diferencial da campanha foi valorizar o hábito de consumo da bebida, em vez de seus atributos tradicionais como sabor ou preço. A estratégia transformou consumidores em personagens de uma boa escolha — como se pedir uma 51 fosse, por si só, uma atitude inteligente.

O resultado foi extraordinário: a marca, que tinha apenas 0,5% de participação no mercado, saltou para 45% em pouco tempo, expandindo-se de São Paulo para todo o Brasil. A frase se transformou em ditado popular e referência cultural, sendo lembrada até mesmo por quem não consome bebidas alcoólicas.

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