Mais uma vez o alto escalão do poder Judiciário de Mato Grosso se envolvido em escândalo de corrupção. A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (8) a Operação Gemini, tendo como alvo um desembargador e um deputado estadual por suspeita de venda de sentenças e lavagem de dinheiro.
Pela manhã, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça do Mato Groso (TJMT), e do deputado estadual Faissal Calil (PL), além do advogado Bruno Castro.
De acordo com a PF, eles são investigados pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. Ambos também tiveram quebrados os sigilos bancário, fiscal e telemático.
À imprensa local, que se aglomerou em frente a sua residência, o deputado Faissal Calil declarou ter entregue seu celular e senha para a PF e negou qualquer envolvimento com esquema de venda de sentenças.
Ex-servidor da Justiça matogrossense, tendo trabalhado no gabinete do desembargador Dirceu dos Santos, o parlamentar negou manter contato com o magistrado. “Desde que virei deputado, que saí do Tribunal de Justiça, perdi todo o meu contato”, afirmou aos jornalistas.
O advogado Bruno Castro é apontado como intermediário no esquema. O TJMT, já maculado por outros escândalos, ainda não se manifestou sobre as investigações.

Poder Judiciário maculado: Casos frequentes de corrupção corroem imagem do TJMT.
Em outro caso recente, em 2024, o desembargador Sebastião de Moraes Filho foi afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), devido a um esquema de venda de decisões judiciais. A investigação, originada a partir da morte do advogado Roberto Zampieri, revelou movimentações financeiras suspeitas e o recebimento de propina, incluindo barras de ouro.
CNJ
Dirceu dos Santos já tem contra ele um processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que o afastou das funções no início de março, em meio à apuração de movimentações financeiras acima do compatível com o salário de juiz.
De acordo quebras de sigilo bancário e fiscal já promovidas pelo CNJ, o magistrado movimentou nos últimos cinco anos mais de R$ 14,6 milhões. No mesmo período, ele teve rendimentos oficiais de R$ 1,9 milhão.
Segundo o órgão de controle da Justiça, “foram identificados indícios de que o magistrado requerido proferiu decisões mediante o possível recebimento de vantagens indevidas, realizando a intermediação de atos decisórios por intermédio de terceiros, empresários e advogados”.
O afastamento cautelar do desembargador não tem prazo determinado e deve perdurar ao menos até o fim das investigações.
(Redação EB, com informações de Agência Brasil)