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Carne: Brasil segue estratégico para mercado americano, mas corre contra o tempo na UE

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Um dos principais segmentos do agronegócio brasileiro recebeu com alívio a decisão do governo dos Estados Unidos de não incluir a carne bovina na nova rodada de tarifas de importação de 25%. A medida reforça a importância da proteína brasileira para o abastecimento do mercado norte-americano, especialmente em um momento de redução histórica do rebanho bovino dos EUA e de preços elevados da carne ao consumidor.

O assunto é pauta da coluna semanal Circuito Rural, do jornalista especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra (foto). Ele ressalta que a dependência americana da carne brasileira se tornou ainda mais evidente diante das limitações da produção doméstica. “O Brasil segue estratégico para abastecer o mercado americano”, observa.

Enquanto o cenário nos Estados Unidos traz perspectivas positivas, o governo brasileiro enfrenta desafios em outras frentes comerciais. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) trabalha para atender às exigências regulatórias da União Europeia antes do prazo limite de 3 de setembro. Caso não haja avanços nas negociações e adequações necessárias, o Brasil corre o risco de perder habilitações para exportação ao bloco europeu, um dos mercados mais exigentes e relevantes para a carne bovina de maior valor agregado.

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A preocupação ocorre mesmo em meio ao acordo de livre comércio firmado entre Mercosul e União Europeia, que ainda depende de etapas de implementação e da adequação dos países exportadores às novas exigências ambientais e de rastreabilidade impostas pelos europeus.

Outro ponto de atenção está na relação comercial com a China, principal destino da carne bovina brasileira. O setor busca alternativas para ampliar o acesso ao mercado chinês, diante das limitações impostas pelas cotas de importação atualmente vigentes. Segundo representantes da cadeia produtiva, a cota disponível já foi integralmente utilizada, o que restringe novas operações e exige negociações para ampliação dos volumes autorizados.

Apesar dos desafios, o Brasil segue em posição privilegiada no comércio internacional de carne bovina. A combinação de amplo rebanho, capacidade produtiva, competitividade de custos e reconhecimento sanitário mantém o país entre os principais fornecedores globais da proteína, com presença consolidada nos mercados americano, europeu, asiático e do Oriente Médio.

Ouça o Circuito Rural na íntegra clicando abaixo:

 

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Semana do Agro: Entre recordes de exportação e os reflexos da geopolítica no campo

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O cenário do agronegócio brasileiro nesta segunda semana de julho é marcado por um misto de superação produtiva e alertas ligados ao cenário internacional. No tradicional balanço do programa Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli traz uma análise profunda sobre os eventos que moldaram os últimos dias, desde o impacto emocional da eliminação brasileira na Copa do Mundo até as complexas engrenagens da economia de guerra no Oriente Médio.

O “Adeus” na copa e a necessidade de foco

Ao iniciar suas reflexões sobre o sentimento nacional, Arioli destaca que a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 é um momento em que “a ficha tem que cair” para o país. Afinal, embora o futebol mova paixões, o agronegócio não para e a economia real exige pragmatismo. A resiliência do setor, segundo o autor, deve servir de exemplo para que o Brasil retome o foco nas pautas produtivas e estruturantes, deixando a frustração esportiva em segundo plano diante dos desafios que a safra impõe.

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Geopolítica em chamas: o impacto da retomada da guerra

Uma simples análise do cenário internacional leva à constatação de que a volta da guerra no Irã acende um alerta vermelho para o custo de produção no Brasil. A instabilidade no Oriente Médio pressiona imediatamente as cotações do petróleo, o que reflete no preço do diesel e, consequentemente, nos fretes logísticos. Além disso, a dependência global de insumos daquela região, representa um alerta de que o produtor brasileiro deve estar atento à volatilidade dos fertilizantes nitrogenados, que podem sofrer novos reajustes caso o conflito se prolongue.

Recordes de exportação: soja e gado vivo em alta

A semana também trouxe boas notícias, com o Brasil alcançando vendas recordes de soja. A demanda global segue aquecida, consolidando a posição do país como o principal fornecedor do grão.

As exportações de gado vivo também são destaque, evidenciando a versatilidade do Brasil em atender mercados específicos que demandam animais para terminação ou abate em solo estrangeiro, garantindo a liquidez do setor pecuário nacional.

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Sustentabilidade: o novo papel das vacas europeias

Por fim, ao abordar as tendências de sustentabilidade, o autor da coluna comenta o curioso fenômeno das “vacas europeias”, que passaram do status de poluidoras a “salvadoras da pátria”. O autor das reflexões explica que a Europa começa a reconhecer o valor dos ruminantes na economia circular e na fertilização natural dos solos, reduzindo a dependência de adubos químicos. Para o colunista, essa mudança de percepção é fundamental, pois valida o que o produtor brasileiro já defende: a integração lavoura-pecuária é uma das ferramentas mais poderosas para uma agricultura de baixo carbono e alta eficiência.

Ouça o programa Momento Agrícola deste sábado, 11 de julho, clicando abaixo:

 

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