TANGARÁ DA SERRA

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Produtores falam sobre as transformações que a assistência técnica trouxe às propriedades

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O assunto em pauta em todo o Mato Grosso nos últimos 15 dias foi a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT).  O projeto “100 dias de Campo da ATeG do Senar-MT – em 15 dias”, foi realizado em mais de 30 municípios.

Estes eventos realizados junto com os Sindicatos Rurais, com o apoio do Corpo de Bombeiro e, em alguns municípios, com os integrantes do projeto Famato Jovem, atenderam produtores de nove cadeias produtivas. Em cada evento eram três palestras com assuntos relativos a cadeia produtiva. Ninguém melhor que os participantes para falar do assunto.

COM A PALAVRA OS PRODUTORES RURAIS:

Moisés Vizioli – pecuária de corte – Castanheira –  “Somos assistidos pela ATeG faz quase um ano e com o apoio técnico estamos melhorando cada vez mais. Fizemos análise de solo e a separação do gado. Estas iniciativas contribuíram não só para a melhora da qualidade, mas também da nossa produtividade”.

Leonir Valk e família – pecuária de leite – Cláudia – “Desde que o técnico começou a nos orientar passamos por várias mudanças. A assistência traz conhecimento para o produtor. Isso é muito importante. Mudamos o manejo de ordenha e nutrição. Aconselho todos a pedir a ATeG do Senar-MT. É só ir ao sindicato rural de seu município e solicitar”.

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Adão Luiz de Oliveira – pecuária de corte – Juína – “O acompanhamento do técnico na parte de gestão mudou tudo na propriedade. Anotamos tudo, mesmo que seja a compra de um parafuso. Já fizemos análise de solo e estamos na fase de planejamento”.

Valdemir de Oliveira Mouro – pecuária de corte – São José do Rio Claro – “A assistência técnica mudou minha forma de pensar. Antes eu achava uma perda de tempo ir a uma palestra ou a um dia de campo. Agora dificilmente perco a oportunidade de agregar conhecimento. Nunca sabemos de tudo. Podemos aprender sempre.

Welligton Maganha dos Santos – olericultura – Campo Verde – “Estou ansioso para ver o que o Senar-MT tem para me oferecer. Como não tenho nem conhecimento técnico e nem prático, a minha expectativa é conhecer melhor a parte de sementes, adubos e melhorar a qualidade do meu produto”.

Fran Campos – ovinocultura – Campo Verde –  “ATeG é gestão. Nós produtores temos uma dificuldade grande de fazer conta. A assistência técnica do Senar-MT traz profissionalização para a propriedade e, com isso, temos um retorno financeiro muito mais eficiente”.

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Alberi Luiz Forgiarini – piscicultura – Campo Verde – “Já fui atendido pela assistência técnica do Senar-MT. A expectativa com a piscicultura é receber conhecimento e o acompanhamento técnico para melhorar a qualidade e também aumentar a produção. A assistência técnica nos dá uma visão melhor do nosso negócio”.

Francisco de Assis da Silva – olericultura – Jaciara – “Mudamos a maneira de trabalhar e de cuidar das plantas. Quando pensamos que sabemos de tudo, não sabemos de nada. Esta assistência técnica do Senar-MT é conhecimento. O meu recado para os vizinhos é que busquem conhecimento que é tudo na vida”.

(Ascom Senat-MT)

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Ferrageamento: Edison Pagoto garante que manicure de cavalos é uma profissão que dá dinheiro

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Manicure de cavalos. É isso mesmo. Homem de sorriso largo, prosa boa e apaixonado por cavalos. Estamos falando de Edison Pagoto, 50 anos. Profissão? Ferrador de cavalos. Hobby: cavalos. Diversão: cavalos. Lazer: cavalos. Assim como Edison, os três filhos e a esposa também são apaixonados por cavalos.

Meio sem jeito, mas sempre com um sorriso no rosto, ele parou sua vida por alguns minutos para conversar com a equipe do Senar-MT sobre o que mais gosta: cavalos. Quando pergunto como é a relação entre homem e animal, Edison se cala por uns poucos segundos, mas em seguida responde: não consigo mensurar isso. Não vivo sem os cavalos.

E numa entrevista recheada de boas histórias e muita informação, Edison fala sobre a profissão de ferrador. Faz um panorama do mercado e também chama a atenção sobre a importância de ter um corpo saudável e em forma para atuar nesta profissão. Segundo ele, é uma área de atuação que precisa não só de conhecimento, como também de experiência e força física.

Ele conta que já teve instrutores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) como participantes de seus cursos. E destaca que sempre chama a atenção sobre a responsabilidade de quem está à frente da formação de mão de obra para este mercado.

O Senar-MT oferta em seu portfólio cursos de doma e rédeas, casqueamento e ferrageamento de equinos. Para o segundo semestre de 2022 estão previstos mais de 50 cursos e a capacitação de cerca de 700 pessoas que irão atuar nesta área. Os interessados em participar destes cursos devem procurar o Sindicato Rural de seu município para verificar se há turmas previstas e se há vagas.

Senar-MT – Já teve instrutores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), em seus cursos?

Edison Pagoto –  Sim. Sempre chamo a atenção de todos para a responsabilidade que cada um tem com a formação de novos profissionais. A capacitação e a qualificação transformam a vida das pessoas. Outra dica é não parar de estudar nunca. Eu, com 32 anos de profissão, estudo mais agora do que há 10 anos. A tecnologia chega com muita rapidez e precisamos estar sempre atualizados.

Senar-MT – O Senar-MT oferece cursos de doma e rédea e de casqueamento e ferrageamento de equídeos. O que você tem a dizer para os instrutores destas áreas?

Edison Pagoto – Que estejam sempre em busca de informação e conhecimento. Que se capacitem todos os anos. Estas duas áreas têm que caminhar juntas. A relação homem e cavalo é muito importante. O ferrador tem que saber como funciona a cabeça do cavalo e como ele pensa. Dentro deste contexto, o animal não pode ver o profissional como predador. Esta é a grande sacada. Para que haja qualidade, a relação homem e cavalo deve estar bem afinada.

Pagoto: “Esta é uma profissão que a experiência conta muito, o profissional é, sim, bem remunerado”.

Senar-MT – Qual a importância do ferrageamento para os equídeos?

Edison Pagoto – Eles dependem do casco para viver. Se o casco está com algum problema, o animal não anda e se ele não anda, morre. O cavalo é um animal nômade. É importante ressaltar que na cadeia alimentar o cavalo é presa. A sua arma de defesa é a velocidade. Se acontece qualquer coisa que ele precise fugir e não está com os cascos bem cuidados, ele morre. É óbvio este tipo de situação está cada vez mais difícil de acontecer por conta de toda a evolução que ocorreu no mundo. Mas é importante enfatizar que está no DNA do cavalo que ele tem que fugir do perigo. Para isso, tem que ter casco bem cuidado. Com as mudanças neste setor, o ferrageamento é mais voltado para os animais que participam de atividades esportivas. Um casco com problema é sinônimo de desempenho ruim.

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Senar-MT – Cascos bem cuidados influenciam na sanidade do animal?

Edison Pagoto – Claro. Um animal pode morrer se não tiver os cascos bem cuidados. Há vários problemas que podem começar no casco e levar o cavalo a óbito.

Senar-MT – E a profissão de ferrador é rentável?

Edison Pagoto – Quando se atinge um certo nível de conhecimento e, vale destacar, que esta é uma profissão que a experiência conta muito, o profissional é, sim, bem remunerado. Eu costumo dizer que uma vida é pouco para esta profissão. Quando começamos a aprender a ferrar um cavalo, o corpo já não aguenta mais, em função da idade. Ao longo da carreira o profissional tem que estudar muito, cuidar do corpo, evitar os excessos e se manter em forma. Trabalhamos o dia inteiro fazendo força. A principal ferramenta de um ferrador é o seu corpo.

Senar-MT – Houve mudanças no mercado de ferrageamento?

Edison Pagoto – Muitas mudanças. Quando comecei tinha muita dificuldade em conseguir informações. Quando saía alguma coisa na Europa demorava demais para chegar no Brasil. Eu, como profissional da área, acho que ficou muito mais fácil acessar informações e novas tecnologias. Com a internet tudo ficou mais fácil. Basta um clique para termos acesso a tudo. Em 1995 me associei à Associação de Ferradores Americanos e, foi assim que ficou mais fácil para mim ter acesso à informação. Até então, tudo era muito difícil. Equipamento demorava muito para chegar no Brasil. Tínhamos que adaptar. Com a globalização tudo ficou muito mais fácil.

Senar-MT – Além destas, houve alguma outra mudança no contexto do mercado?

Edison Pagoto – Antes a força motriz do mundo era animal.  Tudo dependia da força animal. Era boi puxando arado, burro puxando carroça. Na minha cidade, por exemplo, tinha dois ou três ferreiros na cidade. O carroceiro chegava amarrava o animal na porta da oficina e ferrava ali mesmo. Agora é diferente. A quantidade de animais diminuiu muito e o ferrageamento é feito mais em cavalos que participam de inúmeras atividades esportivas. E eles estão concentrados dentro das hípicas. Não se leva mais cavalo ao ferrador. Agora é o ferrador que vai até o cavalo.

Senar-MT – Como se deu a modernização das oficinas de ferrageamento?

Edison Pagoto – As oficinas são instaladas em camionetes para ir até o cavalo. Hoje se tem o que há de mais moderno em cima de uma pick-up, de preferência traçada que vai a qualquer lugar.

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Senar-MT – E, com você, como foi esta formação? Quando se descobriu apaixonado pelos cavalos?

Edison Pagoto – É de família. Meu avô era produtor rural e desde criança sempre tivemos cavalos. Eu nunca tive dúvidas de que seria médico veterinário e que trabalharia com cavalos. Eu via os colegas fazendo teste vocacional e eu sabia que não precisava fazer, porque sempre soube que seria médico veterinário. Nunca tive dúvida sobre este assunto. Eu nasci veterinário (risos). Só tive que esperar o tempo certo para entrar na faculdade e me formar. (mais risos).

Ferrageamento é mais voltado para os animais que participam de atividades esportivas.

Senar-MT – Esta certeza incluía a lida com grandes animais, com os cavalos especificamente?

Edison Pagoto – Sim. Já sabia que ia lidar com cavalos. Antes da faculdade eu era atleta, cavaleiro, participava de eventos hípicos. Isso entre os 10 e 18 anos.

Senar-MT – Como surgiu esta vontade de especializar em ferrageamento, já que é uma área bem específica?

Edison Pagoto – Como antigamente eram poucos profissionais nesta área, era muito difícil fazer com que eles viessem até a fazenda para fazer o serviço.  Quando eu e meus irmãos começamos a competir, o pessoal da hípica vinha fazer este trabalho. Eu ficava especulando e perguntando, querendo aprender a fazer o serviço. Mas nesta época ainda não me passava pela cabeça investir nessa profissão. Foi durante a faculdade que eu comecei a me dispor para ferrar os cavalos dos colegas, quando participávamos de cavalgadas ou atividades hípicas.

Senar-MT – Então, no começo, você foi autodidata?

Edison Pagoto – Isso, mas logo surgiu a oportunidade de fazer um curso com outro colega veterinário que já tinha fama no mercado.

Senar-MT – Quem?

Edison Pagoto –  Fábio Furquim, de Araçatuba. Ele já tinha o nome consolidado no mercado. Na hora que eu o vi trabalhando, tive certeza que era isso que eu queria fazer na vida. E foi assim que começou o meu encanto e o direcionamento para a podologia equina. Durante toda a minha faculdade eu sempre investi nesta área. Eu via as aulas voltadas para avicultura, bovinocultura de leite e ficava pensando: “não é com isso que eu quero mexer”.

Senar-MT – Como você lidava com estas aulas, já que tinha que cumprir a grade curricular de ensino?

Edison Pagoto – (risos) Tem até uma história que gosto de contar. Me dei mal numa prova da matéria de reprodução de bovinos e fiquei para a prova final. Fiz, mas não consegui atingir a média necessária para passar. Fui conversar com o professor. Disse a ele que nunca ia trabalhar com vacas. Eu ainda disse: “a única coisa que quero de boi, é carne na churrasqueira”. O professor viu que eu estava sendo honesto e acabou me dando o meio ponto e passei.

Senar-MT – Me conta como é ser manicure de cavalo. (risos)

Edison Pagoto – Pois é quando me apresentam como ferrador de cavalo, às vezes tem aqueles que acham meio estranho, e eu brinco dizendo que faço as unhas (casquear) do cavalo e coloco o sapatinho (colocar a ferradura). E tudo vira uma grande brincadeira.

(Ascom Senar-MT)

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