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Comércio regional mostra otimismo e estima incremento de até 20% nas vendas de Natal

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Horário especial, bons estoques, estímulo ao consumo, contratações temporárias… Esta é a base do cenário do comércio da região para o Natal deste ano. Depois de um 2020 nebuloso, influenciado negativamente pela pandemia do novo coronavírus, a economia, mesmo estagnada, volta a mostrar sinais de reação em virtude do período natalino.

O otimismo começa na região metropolitana de Cuiabá. Pesquisa divulgada em novembro pela Câmara de Dirigentes Lojistas da capital (CDL Cuiabá) revela que quase 76% da população mato-grossense pretende ir às compras neste final de 2021, que promete ser o melhor em cinco anos.

Esse otimismo chega na região polarizada por Tangará da Serra. No principal município da região sudoeste (foto topo) de Mato Grosso, os fatores que fomentam as boas expectativas são o controle da pandemia, o recebimento do 13º salário e o retorno dos eventos.

Pesquisa realizada pela Associação Comercial e Empresarial de Tangará da Serra (ACITS), aponta para uma expectativa de incremento entre 10% e 15% nas vendas, neste período natalino. “As datas comemorativas são muito importantes para o comércio, é o momento de o empresário recuperar o fôlego e quando a população aproveita as campanhas e promoções”, diz o administrador da ACITS, Jorge Nazzari.

Em Barra do Bugres, otimismo e estímulo ao consumo projetam boas vendas neste Natal.

Em Barra do Bugres, A Associação Comercial e Industrial local (ACIBB), aposta num incremento semelhante nas vendas e projeta, também, reflexos socioeconômicos positivos com a abertura de vagas temporárias. “Nos estabelecimentos associados, temos uma projeção de 10% de abertura de vagas temporárias. Ou seja, a cada 10 empregos já existentes no comércio, projetamos a criação de uma vaga temporária”, disse, ao Enfoque Business, o presidente da entidade, Iandro Almicci.

 

Já em, Nova Olímpia, A Associação Comercial e Industrial (ACINO) prevê um incremento no comércio em geral em decorrência das massas salariais da usina de álcool e açúcar (Uisa) estabelecida na cidade e da prefeitura. “São os nossos maiores empregadores, então temos o 13º salário pagos por eles”, diz o presidente da entidade, Gonçalo da Trindade.

Trindade prevê um aumento das vendas neste período natalino de até 40% em relação ao mesmo período do ano anterior, considerando os momentos diferentes da pandemia Covid-19 de um ano para o outro. Nos negócios à vista, o crescimento esperado é de até 15%.

No Chapadão, o otimismo com a reação da economia é maior. Segundo o presidente da Associação Comercial de Campo Novo do Parecis (ACIC), Júnior Schleicher, a expectativa é que o período natalino represente um avanço de 20% no volume de negócios no comércio.

O optimismo com as vendas de Natal no comércio de Campo Novo do Parecis está embasado na força do agronegócio e no bom poder aquisitivo da população, cujo PIB per capita se aproxima da casa dos R$ 105 mil/ano, um dos maiores do estado.

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Empresas têm mais dados e dashboards, mas continuam tomando decisões ruins

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Especialistas alertam que excesso de indicadores, baixa maturidade analítica e falhas humanas continuam comprometendo decisões estratégicas mesmo em empresas altamente digitalizadas

Empresas nunca tiveram tanto acesso a dados, relatórios em tempo real e ferramentas de monitoramento. Ainda assim, erros operacionais, decisões estratégicas equivocadas e falhas de gestão continuam frequentes, inclusive em organizações altamente digitalizadas.

O paradoxo chama a atenção de especialistas: apesar dos investimentos em analytics, automação e transformação digital, muitas empresas ainda não conseguem transformar informação em decisões eficientes.

Estimativas indicam que entre 60% e 73% dos dados gerados sequer são analisados. Ao mesmo tempo, executivos relatam dificuldade para converter indicadores em ações práticas. Para especialistas, o problema está menos na tecnologia e mais na maturidade analítica.

Dificuldades em para converter indicadores em ações práticas: problema está menos na tecnologia e mais na maturidade analítica.

“Ter acesso a dados não significa necessariamente entender o que eles estão dizendo. Muitas empresas criaram uma infraestrutura sofisticada de monitoramento, mas continuam operando sem clareza estratégica”, afirma Guilherme Francescon Cittoli, co-founder e CPO da ST-One.

Na prática, dashboards, relatórios em tempo real e métricas automatizadas podem criar uma falsa sensação de controle, principalmente em ambientes pressionados por produtividade e rapidez.

A era da “névoa de medição”

A digitalização levou empresas a medir praticamente tudo: desempenho, produtividade, vendas, comportamento do consumidor e indicadores operacionais. O problema é que nem toda métrica gera valor para o negócio.

“Muitas organizações acompanham dezenas de indicadores sem definir claramente quais realmente apoiam a tomada de decisão. Existe um risco enorme de confundir volume de informação com inteligência”, diz Giovanni Abate Neto, CTO da empresa.

Especialistas chamam esse fenômeno de “névoa de medição”, quando o excesso de indicadores dificulta a interpretação dos cenários e favorece métricas de vaidade em detrimento de dados ligados à eficiência operacional, sustentabilidade financeira e comportamento do mercado.

Liderança da ST-One: [Esquerda] Giovanni Abate Neto, Guilherme Francescon Cittolin, Rodrigo Cruz R. Gonçalves e Tiago Machado.

Tecnologia exige interpretação

Segundo os especialistas, muitas empresas investem em transformação digital antes de resolver questões de governança de dados, integração de sistemas e cultura analítica.

“Em muitos casos, as empresas passaram a acumular ferramentas sem criar processos claros para interpretar informações e transformar dados em ação”, afirma Guilherme Francescon Cittoli.

Para Giovanni Abate Neto, outro equívoco é acreditar que a automação elimina a necessidade de análise humana. “Automatizar processos não significa automatizar pensamento crítico. Ainda existe uma dependência muito grande da capacidade humana de interpretar contexto, identificar exceções e questionar padrões.”

Excesso de dados pode paralisar

Outro efeito crescente é a chamada “paralisia analítica”, quando o excesso de informação dificulta decisões rápidas. Na tentativa de reduzir riscos, lideranças acumulam relatórios, reuniões e validações, tornando os processos mais lentos.

Pesquisas mostram ainda que muitos executivos recorrem ao “feeling” para decidir, mesmo em ambientes orientados por dados. Segundo Giovanni Abate Neto, isso ocorre porque a tecnologia não elimina vieses cognitivos, que podem até ganhar aparência de precisão quando sustentados por indicadores mal interpretados.

O desafio continua sendo humano

Embora os investimentos em analytics e digitalização continuem crescendo, o principal gargalo permanece humano. Falta de alfabetização de dados, baixa capacidade analítica, excesso de indicadores e pouca integração entre áreas figuram entre os maiores desafios.

Para os especialistas, as empresas que transformarão dados em vantagem competitiva serão aquelas capazes de equilibrar tecnologia, contexto e pensamento crítico.

“O grande diferencial não está apenas em ter mais dados, mas em conseguir transformar informação em decisões mais consistentes, rápidas e sustentáveis”, conclui Guilherme Francescon Cittoli.

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