Tangará da Serra completa 50 anos de emancipação no próximo dia 13 de maio (quarta-feira) com uma base econômica estruturada e posição consolidada como polo regional do Sudoeste de Mato Grosso.
O município vive uma nova fase de desenvolvimento, iniciada após um processo de reorganização econômico-financeira implantado a partir de 2013, sob gestão do então prefeito Fábio Martins Junqueira (MDB). Com as finanças reequilibradas, a administração seguinte, conduzida pelo prefeito Vander Alberto Masson (União), deu continuidade ao processo por meio de obras estruturais e investimentos em infraestrutura. Apesar dos avanços, Tangará da Serra ainda convive com demandas históricas e busca ampliar sua representatividade política nas esferas superiores.

Prefeitura de Tangará da Serra: Município obteve avanços, mas há muitas pendências relacionadas a demandas históricas.
A economia local é sustentada por um setor agropecuário diversificado, com produção de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. A agricultura familiar também possui participação relevante, com forte cinturão verde voltado à produção de hortifrutigranjeiros e destaque para culturas como abacaxi, banana e batata-doce, contribuindo para a diversificação produtiva.
O município exerce influência sobre mais de 10 cidades da região, funcionando como centro de compras, serviços e atendimento especializado. O comércio apresenta estrutura consolidada, enquanto a construção civil acompanha o crescimento populacional e a expansão urbana.
Na área educacional, Tangará da Serra se firmou como cidade universitária, com unidades da UNEMAT, Anhanguera, FAEST e Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), formando mão de obra qualificada e atendendo estudantes de diversos municípios.
No setor de saúde, o município atua como referência regional, com rede composta por hospitais, clínicas e cobertura de atenção básica por meio das unidades de saúde da família.
A infraestrutura urbana apresenta elevado índice de pavimentação, com quase a totalidade das vias asfaltadas, além de avanços no saneamento, com aterro sanitário licenciado, instalação de aterro privado, coleta seletiva e expansão gradual da rede de esgoto.
A localização geográfica, entre a Serra dos Parecis e a Serra Tapirapuã, associada à presença de rios como Sepotuba, Formoso e Juba, contribui para o desenvolvimento da atividade agropecuária e aponta potencial para o turismo de natureza.
Demandas estruturais e busca por superação
Ao completar 50 anos, Tangará da Serra ainda convive com desafios estruturais em áreas estratégicas, que acompanham o ritmo de crescimento do município.
No saneamento básico, a cobertura de tratamento de esgoto ainda é limitada. Cerca de 30% dos domicílios urbanos estão conectados à rede coletora com tratamento, indicando necessidade de ampliação do sistema.

A cidade conta com apenas 32% de cobertura por rede coletora, com os dejetos remetidos à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que precisa ser ampliada.
Na saúde pública, a demanda por atendimento segue elevada. A estrutura existente, que atende toda a região, enfrenta pressão constante, com necessidade de melhorias na atenção básica, no Hospital Municipal e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h), cuja ampliação é apontada como uma das principais demandas.
Por outro lado, o Hospital Regional de Tangará da Serra, em fase avançada de construção, deverá ampliar a capacidade de atendimento regional e elevar a estrutura pública de saúde do município.
A oferta de energia elétrica, especialmente na modalidade trifásica, também é apontada como um desafio. A limitação atual restringe a instalação de empreendimentos industriais de maior porte.
A infraestrutura urbana segue em expansão, com obras de drenagem, pavimentação, recapeamento e melhorias viárias, incluindo duplicações (foto abaixo) e implantação de rotatórias para reorganização do trânsito.

No campo econômico, o município busca ampliar sua capacidade de geração de empregos, com incentivo à atração de investimentos e desenvolvimento de áreas como o Jardim Industriário.
A dependência predominante do transporte rodoviário também é considerada um entrave, diante da necessidade de integração a outros modais, como ferroviário e hidroviário.
O setor de turismo ainda demanda estruturação, com potencial para crescimento a partir de um plano municipal voltado ao turismo de negócios e ao aproveitamento do Centro de Eventos.
Representatividade política
Na esfera política, o município conta atualmente com apenas um representante na Assembleia Legislativa, embora haja avaliação de que possui base eleitoral suficiente para ampliar essa representatividade.

Com apenas um representante no parlamento estadual, município sofre com imaturidade política e baixa capacidade de entendimento e articulação.
Nesse aspecto, persistem dificuldades de articulação política e de construção de projetos regionais mais convergentes. O elevado número de candidaturas nos pleitos proporcionais, muitas vezes associado a compromissos partidários e dispersão eleitoral, acaba limitando o fortalecimento da representação política do município em esferas superiores.
O desafio da prevenção para antecipar soluções
Aos 50 anos, Tangará da Serra reúne indicadores de crescimento e uma base estruturada em diferentes áreas. Ao mesmo tempo, mantém demandas conhecidas que exigem planejamento e ação contínua.
Uma experiência recente do município demonstra que a atuação sobre as causas dos problemas pode produzir resultados consistentes. A recuperação de nascentes na bacia do rio Queima Pé, responsável pelo abastecimento urbano, contribuiu para a regularização do fornecimento de água mesmo em períodos prolongados de estiagem.

Recuperação do Córrego Queima Pé garante maior regularidade no abastecimento de água, mesmo nas estiagens prolongadas.
O caso evidencia que intervenções direcionadas e coordenadas podem reduzir vulnerabilidades e evitar situações críticas.
Em outras áreas, como saúde, saneamento, energia e mobilidade, os desafios permanecem identificados e acompanham o crescimento populacional e econômico.
O marco dos 50 anos coloca o município diante de uma nova etapa, em que a capacidade de antecipar demandas e enfrentar gargalos estruturais tende a influenciar diretamente o desenvolvimento nos próximos anos.
A evolução observada até aqui indica potencial de avanço, condicionado à continuidade de investimentos e à adoção de medidas voltadas à prevenção de problemas já conhecidos.