Um funcionário da biorrefinaria uisa, localizada em Nova Olímpia (MT), registrou o momento em que três onças-pintadas (Panthera onca), maior espécie de felino das Américas, bebiam água e circulavam calmamente em uma região de mata nas proximidades do canavial, na sede da companhia. (Assista ao vídeo ao final do texto)
As imagens foram capturadas pelo líder da área de irrigação da uisa, Josivaldo Diniz dos Santos. “Estava passando e vi a onça, achei bonito, parei o carro e comecei a filmar. Ela atravessou a estrada e vi mais duas, elas ficaram bebendo água, vieram bem perto do carro. A gente sempre vê onça no campo, geralmente a onça-parda, porém sempre de longe, a gente não consegue filmar porque elas entram muito rápido na mata, no canavial. Agora pertinho igual essas, foi a primeira vez”, relatou o profissional.
Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a onça-pintada integra a lista de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, sendo classificada em situação de vulnerabilidade. O pesquisador da ONG Panthera, Fernando Tortato, analisou as imagens e acredita tratar-se de uma fêmea com filhotes. “Provavelmente é uma fêmea com dois filhotes já quase adultos. O registro mostra claramente o indivíduo do meio de maior porte e os outros dois um pouco menores. Isso é uma boa notícia. Demonstra que essa região possui onças-pintadas e que estão reproduzindo e tendo sua garantia de sobrevivência nessa região”, pontuou o pesquisador da ONG Panthera, organização que atua na conservação de diversas espécies de felinos no mundo.
Tortato explicou que as fêmeas costumam ficar com os filhotes por aproximadamente dois anos, período em que eles aprendem a caçar e a sobreviver sozinhos, tornando-se independentes da mãe. Nos últimos anos, a companhia investiu no plantio de mais de um milhão de mudas de árvores nativas e na manutenção de 34 mil hectares de Floresta Amazônica e Cerrado, que hoje protegem 246 nascentes na região de cabeceiras do Pantanal.
Além de preservar os recursos hídricos, a localidade tornou-se um importante corredor ecológico para conservação da biodiversidade. As atividades de monitoramento da fauna, já identificaram 283 espécies, entre elas, animais que estão ameaçados de extinção como: queixada, lobo-guará, onça-parda, gato-mourisco, anta, tamanduá-bandeira e a onça[1]pintada.
A companhia mantém armadilhas fotográficas (câmeras trap) em diversos pontos e implementou em 2019 o Programa de Avistamento, com registros de fotos e vídeos capturados pelos funcionários na área de influência da companhia durante suas rotinas de trabalho. Todo o material alimenta a base de dados para formação do inventário da fauna local. “Esses registros são indicadores ambientais importantes em nossa agenda de sustentabilidade. Demonstram que estamos conseguindo conciliar o processo produtivo com a preservação e conservação dos ecossistemas. Nos empenhamos para manter um hábitat favorável para a onça-pintada e outras espécies com grandes áreas preservadas de Floresta Amazônica e Cerrado, ricas em biodiversidade e recursos hídricos. As próprias lavouras de cana-de-açúcar contribuem, servindo de abrigo para diversos animais, entre eles, espécies que estão na cadeia alimentar da onça-pintada”, destacou o gerente de Sustentabilidade da uisa, Caetano Henrique Grossi.
A uisa, uma das maiores Biorrefinarias do Brasil, conta com um modelo de negócios que permite a transformação de matérias-primas renováveis e de seus resíduos em biocombustível, energia limpa, álcool em gel e saneantes, alimentos e biofertilizantes derivados da cana-de-açúcar. Localizada em Mato Grosso, a uisa tem como diretriz a maximização da sustentabilidade e a redução das emissões de carbono, a partir do processamento de biomassas.
(Assessoria Uisa)
Assista ao vídeo realizado pelo colaborador da uisa:
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.