A confirmação de mais um crime de feminicídio com extrema violência deixou Tangará da Serra em estado de perplexidade nesta semana. Na manhã da última terça-feira (12.05), a jovem Clara Vitória da Silva (foto), de 23 anos, foi encontrada morta dentro da própria residência, no Jardim Esmeralda, vítima de agressões violentas e com indícios de violência sexual. O suspeito, um vizinho de 35 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Judiciária Civil menos de 24 horas após o crime.
O caso abalou a comunidade tangaraense não apenas pela brutalidade, mas também por ocorrer apenas uma semana depois do assassinato da estudante universitária Valéria Correia Araújo, de 28 anos, igualmente vítima de feminicídio marcado por violência extrema. Nos dois episódios, os crimes envolveram homens que mantinham algum vínculo ou interesse afetivo pelas vítimas.

Clara, a vítima, foi encontrada sem vida e com sinais de violência e estupro no interior de sua residência.
A rápida resposta da Polícia Judiciária Civil foi novamente decisiva. No caso de Clara Vitória, a investigação conduzida pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa e pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, através do delegado Guilherme Lós, reuniu imagens de câmeras de segurança, depoimentos e vestígios encontrados na residência do suspeito. A análise de mais de 15 horas de monitoramento permitiu identificar a movimentação do investigado e localizar objetos da vítima descartados nas proximidades.
Segundo a Polícia Civil, dias antes do crime o suspeito já havia enviado mensagens obscenas à jovem, numa tentativa de intimidação. As roupas utilizadas pelo investigado no momento do crime também foram apreendidas com vestígios semelhantes a sangue.
Caso anterior
Na semana passada, Tangará da Serra já havia sido palco de outro crime que causou grande comoção. A universitária Valéria Correia Araújo foi assassinada por um homem de 20 anos, preso pela Polícia Civil poucas horas após o homicídio.

Vítima na semana passada, Valéria tinha 28 anos e estudava Direito.
De acordo com as investigações, o suspeito teria agido por vingança após um desentendimento com a vítima. O caso também chocou pela violência empregada. Assim como no feminicídio registrado nesta terça-feira, a elucidação ocorreu em menos de 24 horas, resultado do trabalho conjunto das equipes da Polícia Judiciária Civil.
Mato Grosso entre os estados com maiores índices
Os dois crimes reacendem um debate que há anos preocupa Mato Grosso. O estado aparece entre os líderes nacionais em taxas de feminicídio. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública mostram que Mato Grosso vem ocupando as primeiras posições do ranking nacional, com taxas superiores à média brasileira. Em 2024, o estado registrou 47 feminicídios, alcançando índice de aproximadamente 2,5 casos por 100 mil mulheres, o maior do país em diversos levantamentos.
Em âmbito nacional, os números também seguem alarmantes. O Brasil registrou mais de 1,5 mil feminicídios em 2025, média de uma mulher assassinada a cada cinco horas.
A sucessão de crimes em Tangará da Serra expõe um sentimento coletivo de tristeza e indignação diante da violência contra mulheres. Em uma cidade reconhecida historicamente pelo perfil acolhedor e comunitário, episódios tão brutais causam sensação de insegurança e revolta, sobretudo pela recorrência de crimes motivados por posse, obsessão, rejeição ou sentimento de vingança.
No Congresso Nacional, o aumento dos casos também intensificou discussões sobre endurecimento das penas para autores de feminicídio, especialmente em crimes acompanhados de estupro, tortura ou extrema crueldade. A legislação já classifica o feminicídio como crime hediondo, mas parlamentares defendem maior rigor penal e ampliação de mecanismos de proteção às mulheres em situação de risco.
Enquanto isso, em Tangará da Serra, permanece o sentimento de luto e reflexão. Em apenas uma semana, duas jovens tiveram suas vidas interrompidas de forma brutal, deixando famílias destruídas e uma comunidade inteira questionando até quando a violência contra a mulher continuará produzindo tragédias tão devastadoras.