TANGARÁ DA SERRA

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Com atividades sobre Fruticultura, ATeG encerra série de dias de campo em Tangará da Serra

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Cerca de 50 pessoas entre produtores rurais, universitários e profissionais da área técnica acompanharam, na manhã desta terça-feira (05.07), o quarto e último Dia de Campo da séria empreendida pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), em Tangará da Serra.

As instruções foram sobre Fruticultura e ocorreram no Sítio Dois Irmãos, na Comunidade Córrego das Pedras. Os temas das palestras foram Métodos de Propagação, Condução de Podas e Primeiros Socorros.

Palestras sobre primeiros socorros, com a técnica Fabiana Souza (esq.): “O primeiro socorro e muito importante”.

As palestras foram simultâneas, com duração média de 40 minutos para cada um dos grupos que se sucederam nas três estações disponibilizadas na propriedade.

Na Estação 01, o tema abordado foi ‘Primeiros Socorros’. A técnica de campo Fabiana Souza apresentou aos participantes um conteúdo sobre avaliação de sinais vitais e outras técnicas de socorro para casos de envenenamento (produtos tóxicos usados na horta/lavoura), obstrução de vias aéreas por corpo estranho e acidente vascular cerebral (AVC). Técnicas de atendimento em casos de acidentes com animais peçonhentos também integraram o painel.

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Na Estação 02, o instrutor Eduardo Teixeira discorreu sobre Condução de Podas. Neste tema o foco foi todo um contexto que envolve seleção de equipamentos e desinfecção para podas de formação, limpeza, frutificação e rejuvenescimento.

Métodos de propagação foram tema das palestras na Estação 03, com o técnico de campo Leandro Fachi. Nesta, os focos foram as modalidades de propagação, que podem ocorrer através de sexuada (sementes) ou assexuada (forma vegetativa, por enxertia, estaquia ou estruturas especializadas).

As palestras da Estação 03 tiveram a participação do produtor rural José Turatti, de Tangará da Serra, que se especializou em produção de mudas com o apoio da ATeG e contribuiu no dia de campo repassando aos presentes parte do seu conhecimento.

Avaliação

O supervisor da ATeG, Thiago Salapata, qualificou a série de dias de campo em Tangará da Serra como “grande sucesso”, com público significativo perfazendo uma média de 40 pessoas por evento.

Thiago Salapata, supervisor da ATeG: Destaque para o interesse dos participantes, em especial dos produtores.

Thiago destacou o interesse dos participantes, em especial dos produtores. “O que mais me chamou atenção foi que tivemos produtores que participaram de todos os dias de campo”, disse, acrescentando que é perceptível o interesse dos produtores pelos conceitos e novas tecnologias disponíveis para o setor produtivo.

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Em todo o MT

Os quatro dias de campo promovidos pela ATeG Senat-MT em Tangará da Serra integram uma série de abrangência estadual iniciada em junho e que se encerra em 14 de julho. Até lá, o Senar somará 100 dias de campo em todo o estado. O objetivo é divulgar os resultados já obtidos nas propriedades e reunir os produtores rurais atendidos.

Até nove eventos têm sido realizados por dia no estado, de forma simultânea, abrangendo as mais diversas cadeias produtivas atendidas pela ATeG em Mato Grosso. Além das cadeias atendidas em Tangará da Serra (pecuária de leite, floricultura, olericultura e fruticultura), as palestras versam sobre pecuária de corte, piscicultura, ovinocultura, apicultura, e outras que se enquadram nas vocações produtivas das mais diferentes regiões do estado.

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SENAR-MT

Ferrageamento: Edison Pagoto garante que manicure de cavalos é uma profissão que dá dinheiro

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Manicure de cavalos. É isso mesmo. Homem de sorriso largo, prosa boa e apaixonado por cavalos. Estamos falando de Edison Pagoto, 50 anos. Profissão? Ferrador de cavalos. Hobby: cavalos. Diversão: cavalos. Lazer: cavalos. Assim como Edison, os três filhos e a esposa também são apaixonados por cavalos.

Meio sem jeito, mas sempre com um sorriso no rosto, ele parou sua vida por alguns minutos para conversar com a equipe do Senar-MT sobre o que mais gosta: cavalos. Quando pergunto como é a relação entre homem e animal, Edison se cala por uns poucos segundos, mas em seguida responde: não consigo mensurar isso. Não vivo sem os cavalos.

E numa entrevista recheada de boas histórias e muita informação, Edison fala sobre a profissão de ferrador. Faz um panorama do mercado e também chama a atenção sobre a importância de ter um corpo saudável e em forma para atuar nesta profissão. Segundo ele, é uma área de atuação que precisa não só de conhecimento, como também de experiência e força física.

Ele conta que já teve instrutores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) como participantes de seus cursos. E destaca que sempre chama a atenção sobre a responsabilidade de quem está à frente da formação de mão de obra para este mercado.

O Senar-MT oferta em seu portfólio cursos de doma e rédeas, casqueamento e ferrageamento de equinos. Para o segundo semestre de 2022 estão previstos mais de 50 cursos e a capacitação de cerca de 700 pessoas que irão atuar nesta área. Os interessados em participar destes cursos devem procurar o Sindicato Rural de seu município para verificar se há turmas previstas e se há vagas.

Senar-MT – Já teve instrutores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), em seus cursos?

Edison Pagoto –  Sim. Sempre chamo a atenção de todos para a responsabilidade que cada um tem com a formação de novos profissionais. A capacitação e a qualificação transformam a vida das pessoas. Outra dica é não parar de estudar nunca. Eu, com 32 anos de profissão, estudo mais agora do que há 10 anos. A tecnologia chega com muita rapidez e precisamos estar sempre atualizados.

Senar-MT – O Senar-MT oferece cursos de doma e rédea e de casqueamento e ferrageamento de equídeos. O que você tem a dizer para os instrutores destas áreas?

Edison Pagoto – Que estejam sempre em busca de informação e conhecimento. Que se capacitem todos os anos. Estas duas áreas têm que caminhar juntas. A relação homem e cavalo é muito importante. O ferrador tem que saber como funciona a cabeça do cavalo e como ele pensa. Dentro deste contexto, o animal não pode ver o profissional como predador. Esta é a grande sacada. Para que haja qualidade, a relação homem e cavalo deve estar bem afinada.

Pagoto: “Esta é uma profissão que a experiência conta muito, o profissional é, sim, bem remunerado”.

Senar-MT – Qual a importância do ferrageamento para os equídeos?

Edison Pagoto – Eles dependem do casco para viver. Se o casco está com algum problema, o animal não anda e se ele não anda, morre. O cavalo é um animal nômade. É importante ressaltar que na cadeia alimentar o cavalo é presa. A sua arma de defesa é a velocidade. Se acontece qualquer coisa que ele precise fugir e não está com os cascos bem cuidados, ele morre. É óbvio este tipo de situação está cada vez mais difícil de acontecer por conta de toda a evolução que ocorreu no mundo. Mas é importante enfatizar que está no DNA do cavalo que ele tem que fugir do perigo. Para isso, tem que ter casco bem cuidado. Com as mudanças neste setor, o ferrageamento é mais voltado para os animais que participam de atividades esportivas. Um casco com problema é sinônimo de desempenho ruim.

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Senar-MT – Cascos bem cuidados influenciam na sanidade do animal?

Edison Pagoto – Claro. Um animal pode morrer se não tiver os cascos bem cuidados. Há vários problemas que podem começar no casco e levar o cavalo a óbito.

Senar-MT – E a profissão de ferrador é rentável?

Edison Pagoto – Quando se atinge um certo nível de conhecimento e, vale destacar, que esta é uma profissão que a experiência conta muito, o profissional é, sim, bem remunerado. Eu costumo dizer que uma vida é pouco para esta profissão. Quando começamos a aprender a ferrar um cavalo, o corpo já não aguenta mais, em função da idade. Ao longo da carreira o profissional tem que estudar muito, cuidar do corpo, evitar os excessos e se manter em forma. Trabalhamos o dia inteiro fazendo força. A principal ferramenta de um ferrador é o seu corpo.

Senar-MT – Houve mudanças no mercado de ferrageamento?

Edison Pagoto – Muitas mudanças. Quando comecei tinha muita dificuldade em conseguir informações. Quando saía alguma coisa na Europa demorava demais para chegar no Brasil. Eu, como profissional da área, acho que ficou muito mais fácil acessar informações e novas tecnologias. Com a internet tudo ficou mais fácil. Basta um clique para termos acesso a tudo. Em 1995 me associei à Associação de Ferradores Americanos e, foi assim que ficou mais fácil para mim ter acesso à informação. Até então, tudo era muito difícil. Equipamento demorava muito para chegar no Brasil. Tínhamos que adaptar. Com a globalização tudo ficou muito mais fácil.

Senar-MT – Além destas, houve alguma outra mudança no contexto do mercado?

Edison Pagoto – Antes a força motriz do mundo era animal.  Tudo dependia da força animal. Era boi puxando arado, burro puxando carroça. Na minha cidade, por exemplo, tinha dois ou três ferreiros na cidade. O carroceiro chegava amarrava o animal na porta da oficina e ferrava ali mesmo. Agora é diferente. A quantidade de animais diminuiu muito e o ferrageamento é feito mais em cavalos que participam de inúmeras atividades esportivas. E eles estão concentrados dentro das hípicas. Não se leva mais cavalo ao ferrador. Agora é o ferrador que vai até o cavalo.

Senar-MT – Como se deu a modernização das oficinas de ferrageamento?

Edison Pagoto – As oficinas são instaladas em camionetes para ir até o cavalo. Hoje se tem o que há de mais moderno em cima de uma pick-up, de preferência traçada que vai a qualquer lugar.

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Senar-MT – E, com você, como foi esta formação? Quando se descobriu apaixonado pelos cavalos?

Edison Pagoto – É de família. Meu avô era produtor rural e desde criança sempre tivemos cavalos. Eu nunca tive dúvidas de que seria médico veterinário e que trabalharia com cavalos. Eu via os colegas fazendo teste vocacional e eu sabia que não precisava fazer, porque sempre soube que seria médico veterinário. Nunca tive dúvida sobre este assunto. Eu nasci veterinário (risos). Só tive que esperar o tempo certo para entrar na faculdade e me formar. (mais risos).

Ferrageamento é mais voltado para os animais que participam de atividades esportivas.

Senar-MT – Esta certeza incluía a lida com grandes animais, com os cavalos especificamente?

Edison Pagoto – Sim. Já sabia que ia lidar com cavalos. Antes da faculdade eu era atleta, cavaleiro, participava de eventos hípicos. Isso entre os 10 e 18 anos.

Senar-MT – Como surgiu esta vontade de especializar em ferrageamento, já que é uma área bem específica?

Edison Pagoto – Como antigamente eram poucos profissionais nesta área, era muito difícil fazer com que eles viessem até a fazenda para fazer o serviço.  Quando eu e meus irmãos começamos a competir, o pessoal da hípica vinha fazer este trabalho. Eu ficava especulando e perguntando, querendo aprender a fazer o serviço. Mas nesta época ainda não me passava pela cabeça investir nessa profissão. Foi durante a faculdade que eu comecei a me dispor para ferrar os cavalos dos colegas, quando participávamos de cavalgadas ou atividades hípicas.

Senar-MT – Então, no começo, você foi autodidata?

Edison Pagoto – Isso, mas logo surgiu a oportunidade de fazer um curso com outro colega veterinário que já tinha fama no mercado.

Senar-MT – Quem?

Edison Pagoto –  Fábio Furquim, de Araçatuba. Ele já tinha o nome consolidado no mercado. Na hora que eu o vi trabalhando, tive certeza que era isso que eu queria fazer na vida. E foi assim que começou o meu encanto e o direcionamento para a podologia equina. Durante toda a minha faculdade eu sempre investi nesta área. Eu via as aulas voltadas para avicultura, bovinocultura de leite e ficava pensando: “não é com isso que eu quero mexer”.

Senar-MT – Como você lidava com estas aulas, já que tinha que cumprir a grade curricular de ensino?

Edison Pagoto – (risos) Tem até uma história que gosto de contar. Me dei mal numa prova da matéria de reprodução de bovinos e fiquei para a prova final. Fiz, mas não consegui atingir a média necessária para passar. Fui conversar com o professor. Disse a ele que nunca ia trabalhar com vacas. Eu ainda disse: “a única coisa que quero de boi, é carne na churrasqueira”. O professor viu que eu estava sendo honesto e acabou me dando o meio ponto e passei.

Senar-MT – Me conta como é ser manicure de cavalo. (risos)

Edison Pagoto – Pois é quando me apresentam como ferrador de cavalo, às vezes tem aqueles que acham meio estranho, e eu brinco dizendo que faço as unhas (casquear) do cavalo e coloco o sapatinho (colocar a ferradura). E tudo vira uma grande brincadeira.

(Ascom Senar-MT)

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