O governo federal vai disponibilizar R$ 14 bilhões em linhas de crédito para investimentos em máquinas e implementos agrícolas por meio do Programa Move Agricultura.
O anúncio oficial está previsto para a próxima segunda-feira (8), durante a Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), mas foi antecipado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, nesta terça-feira (2), durante o evento “Diálogo, inovação e crescimento: o novo momento do agronegócio brasileiro”, realizado na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
O programa havia sido anunciado em abril pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), com previsão inicial de R$ 10 bilhões. Agora, o volume de recursos foi ampliado para R$ 14 bilhões.
“Serão R$ 14 bilhões disponibilizados, com juros de 8,5% para operações realizadas pelo BNDES e de 9,5% para os outros 42 bancos credenciados”, afirmou o ministro.
Crédito disponível, acesso limitado
Apesar do aumento dos recursos, representantes do setor alertam que o principal desafio continua sendo o acesso ao crédito. Embora as taxas anunciadas estejam em patamar de um dígito e sejam mais competitivas que as linhas tradicionais, produtores relatam dificuldades para aprovação dos financiamentos.

Bancos estão muito restritivos, com muitas exigências. Muitos produtores não terão acesso.
Durante o debate promovido pela ACSP, o presidente da Associação Comercial, Industrial e Serviços de Rio Verde (ACIRV), José Carlos Cintra, afirmou que a restrição bancária tem sido uma preocupação recorrente nas principais feiras agropecuárias do país.
“Os recursos serão disponibilizados, mas hoje o produtor rural não está conseguindo acessar esse crédito. Os bancos estão muito restritivos, com muitas exigências. Teremos recursos, mas muitos produtores não terão acesso”, disse.
André de Paula concordou com o diagnóstico e atribuiu parte das dificuldades à falta de instrumentos mais robustos de mitigação de riscos, como o seguro rural.
Seguro rural em pauta
O coordenador do Conselho do Agronegócio da ACSP, Cesário Ramalho, defendeu a ampliação da cobertura do seguro rural no Brasil.
“Temos que ter um seguro abrangente. Como ocorre nos Estados Unidos, entre 80% e 90% das lavouras, da pecuária e das atividades do campo são cobertas. Precisamos de proteção contra as intempéries climáticas”, afirmou.
O ministro reconheceu que tanto o seguro rural quanto o endividamento dos produtores estão entre os principais desafios do setor e informou que os temas são discutidos em projetos em tramitação no Congresso Nacional.
“Política não trabalha com o ideal, trabalha com o possível. Tenho legitimidade para reivindicar e trabalhar para que possamos avançar de forma mais significativa”, declarou.
Relação comercial com os EUA
Em entrevista coletiva, André de Paula também comentou a possibilidade de novas tarifas de importação sobre produtos brasileiros anunciadas pelos Estados Unidos. Segundo ele, embora seja legítimo que o governo norte-americano adote medidas para proteger seus interesses econômicos, é fundamental buscar soluções negociadas para reduzir impactos no comércio bilateral.
“O balanço dessa relação comercial é mais favorável aos EUA do que ao Brasil. Vamos seguir mostrando que, se podemos ganhar aqui, perdemos ali, e que essa relação deve ser analisada com muito cuidado pelas duas partes”, afirmou.

Além das barreiras tarifárias já em vigor, EUA acenam com tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.
Nesta terça-feira (2), os EUA anunciaram a possibilidade de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, alegando práticas consideradas desleais, como questões ligadas ao comércio digital e ao desmatamento ilegal. A medida poderá entrar em vigor em 15 de julho.
Entre os produtos excluídos da tarifa estão carne bovina, café, terras raras, outros metais e peças de aeronaves.
ACSP e SRB firmam parceria
O evento também marcou a assinatura de um termo de cooperação institucional entre a ACSP e a Sociedade Rural Brasileira (SRB). A parceria busca fortalecer a atuação conjunta das entidades em temas estratégicos para o agronegócio e o setor produtivo nacional.
O presidente da ACSP, Alfredo Cotait Neto, que também preside a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), destacou a importância da iniciativa.
“Queremos mostrar que a sociedade civil está cada vez mais organizada para discutir demandas, fortalecer ações e contribuir para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro”, disse.
Já o presidente da SRB, Sérgio Bortolozzo, ressaltou a relevância histórica das duas instituições.
“Nossas entidades representam um associativismo legítimo, construído ao longo de décadas. A Sociedade Rural Brasileira é um patrimônio moral da agricultura brasileira, assim como a Associação Comercial de São Paulo é referência para as atividades comerciais em todo o país”, afirmou.
(Redação EB, com informações de Brasil 61)