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Segurança Pública

Líder nacional em produção, cidade de Mato Grosso aparece entre as mais violentas do país

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O avanço da violência em cidades médias e polos econômicos do interior brasileiro acendeu um alerta em Mato Grosso. Dados do Atlas da Violência 2025, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostram que o município de Sorriso, líder nacional na produção de grãos e uma das economias mais fortes do Centro-Oeste, aparece na 11ª colocação entre os municípios mais violentos do Brasil em taxa de homicídios.

O levantamento aponta uma mudança no mapa da violência no país, com expansão da criminalidade para municípios médios e pequenos, especialmente em regiões ligadas a rotas do tráfico de drogas e à atuação de facções criminosas. Bahia e Ceará concentram o maior número de cidades entre as mais violentas do país.

(*) Veja ranking, ao final da matéria.

No caso de Mato Grosso, especialistas apontam que a posição geográfica do estado, fazendo fronteira com a Bolívia e servindo como corredor logístico para diferentes regiões do país, favorece a atuação do tráfico de drogas e de organizações criminosas. O Atlas destaca justamente a interiorização da violência letal e o avanço das facções em municípios estratégicos do agronegócio e de circulação de mercadorias.

Além de Sorriso (taxa de 63 homicídios para cada 100 mil habitantes), diversas cidades mato-grossenses com mais de 100 mil habitantes e em condição de polo regional registram índices consideráveis de violência letal. Cuiabá e Várzea Grande, na região metropolitana, possuem taxas que historicamente flutuam entre 18 e 25 mortes/100 mil.

Municípios como Rondonópolis, Sinop, Tangará da Serra e Cáceres possuem taxas entre 22 e 43 homicídios/100 mil habitantes. Os números também preocupam em cidades menores – como Pontes e Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade, localizadas em áreas de fronteira. Embora nem todas estejam entre as primeiras posições nacionais, o estudo mostra que Mato Grosso segue entre os estados com índices elevados de homicídios, especialmente relacionados ao uso de armas de fogo e ao crescimento das disputas entre facções criminosas, sempre tendo o tráfico de drogas como vetor da criminalidade.

O Atlas da Violência 2025 evidencia, portanto, que a violência letal vem deixando de se concentrar apenas nas grandes capitais brasileiras e avançando para cidades do interior com forte crescimento econômico, expansão urbana acelerada e importância logística.

Mesmo diante do cenário preocupante, o relatório aponta que o Brasil registrou queda no número geral de homicídios na última década. Ainda assim, os pesquisadores alertam que a redução não ocorreu de forma homogênea e que algumas regiões continuam enfrentando crescimento da criminalidade organizada.

Ranking

Fonte: Brasil 61/Atlas da Violência 2025.

Veja o Atlas da Violência 2025: https://publicacoes.forumseguranca.org.br/items/ecd3f9ce-d774-46f6-9a17-21802a469a09

Veja infográfico com dados parciais de 2026: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/05/atlas-violencia-2026-infografico.pdf

(Redação EB, com Brasil 61)

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Segurança Pública

Justiça interpela Estado sobre saúde nos presídios; CDP de Tangará superlotado em 20%

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) determinou que o Governo do Estado adote uma série de medidas urgentes para corrigir falhas no atendimento de saúde dentro dos presídios. Além do clima permanente de tensão por força da superlotação nas unidades, há grande preocupação relacionada às condições de saúde da população carcerária.

A redação do EB apurou que, em Tangará da Serra, o Centro de Detenção Provisória (CDP) convive com o problema crônica da superlotação. Atualmente, a unidade prisional extrapola em 84 detentos (total de 517), praticamente 20% a mais que a sua capacidade para 433 presos.

Na decisão, o magistrado Orlando Perri reconhece que a assistência à saúde nas unidades prisionais é precária e marcada por problemas estruturais.

Precariedade

O documento aponta falta de médicos, psicólogos e dentistas, além de escassez de medicamentos e dificuldades no atendimento de saúde mental.

O texto também destaca que muitos presos sofrem com problemas de saúde, principalmente mentais.

Entre os casos mais comuns estão depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno bipolar, estresse pós-traumático, dependência química e outros transtornos psicológicos, além de condições como epilepsia e quadros psicóticos.

A decisão ainda chama atenção para a presença de doenças infecciosas, como HIV e tuberculose, e para o aumento de casos de automutilação e suicídio dentro das unidades prisionais.

Segundo o documento, a situação é agravada justamente pela falta de assistência.

O juiz afirma que a omissão do Estado configura violação de direitos fundamentais e pode caracterizar tratamento desumano e degradante.

A decisão também destaca que o problema não é recente.

O magistrado ressaltou que o Estado tem capacidade financeira para cumprir as obrigações e que a falta de melhorias não pode ser justificada por ausência de recursos.

Segundo ele, trata-se de uma escolha administrativa que não pode se sobrepor ao direito à dignidade humana.

(Redação EB, com Sapicuá Rádio Agência; Foto: Secom)

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