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Economia & Mercado

Populista e inoportuna: PEC do fim da escala 6×1 divide Congresso e preocupa setor produtivo

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O jornalista Olmir Cividini classificou como populista a proposta aprovada nesta semana pela Câmara dos Deputados que reduz a jornada de trabalho e altera a escala 6×1 no país. Em sua coluna Circuito Rural, publicada nesta sexta-feira, ele afirmou que o avanço da matéria ocorre em meio a um ambiente político marcado pelo calendário eleitoral, o que, segundo ele, dificulta posicionamentos contrários por parte dos parlamentares.

“Nestas horas, a corrupção acaba perdendo feio para o cálculo eleitoral. Depois reclamam quando a população desacredita da política”, observou Cividini.

O jornalista chama atenção, ainda, para o inevitável repasse dos custos da redução da jornada ao consumidor final e, também, a potencialização das dificuldades que praticamente todos os setores tem em contratar, pela falta de qualificação e, principalmente, pelas limitações impostas pelos programas assistenciais do governo federal.

A proposta ainda será analisada pelo Senado Federal, mas já provoca forte reação entre representantes do setor produtivo, especialmente da indústria e do agronegócio, que apontam aumento expressivo de custos, risco de perda de competitividade e impactos sobre o emprego.

Impactos no setor produtivo

Segundo Cividini, o agronegócio já projeta elevação significativa nos custos operacionais em praticamente toda a cadeia produtiva, diante da necessidade de contratação de mais trabalhadores para compensar a redução da jornada.

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A estimativa é de aumento superior a 8% nas despesas operacionais em diversos segmentos. No setor de proteínas, o impacto pode ultrapassar R$ 9 bilhões, enquanto no segmento sucroenergético os custos adicionais são estimados em cerca de R$ 5 bilhões.

CNI critica proposta

A Confederação Nacional da Indústria classificou como “inadequada e inoportuna” a aprovação da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho e altera a escala 6×1. Para a entidade, uma mudança dessa dimensão exige debate técnico e responsabilidade, sem influência do calendário eleitoral.

O texto foi aprovado em dois turnos pela Câmara dos Deputados e segue agora para análise do Senado Federal.

A proposta prevê que, 60 dias após a promulgação, passe a valer a escala de cinco dias de trabalho para dois de descanso, além da redução imediata da jornada semanal de 44 para 42 horas, sem redução salarial. Após um ano, a carga horária cairá para 40 horas semanais.

O relator, deputado federal Leo Prates, incluiu a possibilidade de medidas transitórias para MEIs, microempresas e pequenas empresas, desde que sejam mantidos os níveis de emprego.

Custos bilionários

Segundo estudo da CNI, a redução da jornada poderá elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais, o equivalente a aumento de até 7% na folha de pagamento das empresas.

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As projeções apontam impactos entre 6% e 9% em setores como alimentos, serviços e vestuário. Na indústria, o custo adicional estimado chega a R$ 88 bilhões.

Simulações do Instituto Brasileiro de Economia indicam ainda possibilidade de retração de até 11,3% no Produto Interno Bruto (PIB), além de aumento da informalidade e do desemprego.

Transição gradual

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu que mudanças na jornada sejam acompanhadas de medidas para elevar a produtividade, com investimentos em tecnologia, inovação e qualificação profissional.

Segundo ele, a redução da carga horária precisa ocorrer de forma gradual e sustentável, evitando impactos negativos sobre empresas, empregos, inflação e custos.

A entidade também defende a negociação coletiva como principal instrumento para adequar as mudanças às particularidades de cada setor da economia.

Ao final, a CNI afirmou confiar que o Senado Federal fará uma análise “cuidadosa e responsável” da proposta.

(Redação EB, com informações do Brasil 61)

(*) Ouça o Circuito Rural, na íntegra, clicando abaixo:

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Semana do Agro: Entre recordes de exportação e os reflexos da geopolítica no campo

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O cenário do agronegócio brasileiro nesta segunda semana de julho é marcado por um misto de superação produtiva e alertas ligados ao cenário internacional. No tradicional balanço do programa Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli traz uma análise profunda sobre os eventos que moldaram os últimos dias, desde o impacto emocional da eliminação brasileira na Copa do Mundo até as complexas engrenagens da economia de guerra no Oriente Médio.

O “Adeus” na copa e a necessidade de foco

Ao iniciar suas reflexões sobre o sentimento nacional, Arioli destaca que a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 é um momento em que “a ficha tem que cair” para o país. Afinal, embora o futebol mova paixões, o agronegócio não para e a economia real exige pragmatismo. A resiliência do setor, segundo o autor, deve servir de exemplo para que o Brasil retome o foco nas pautas produtivas e estruturantes, deixando a frustração esportiva em segundo plano diante dos desafios que a safra impõe.

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Geopolítica em chamas: o impacto da retomada da guerra

Uma simples análise do cenário internacional leva à constatação de que a volta da guerra no Irã acende um alerta vermelho para o custo de produção no Brasil. A instabilidade no Oriente Médio pressiona imediatamente as cotações do petróleo, o que reflete no preço do diesel e, consequentemente, nos fretes logísticos. Além disso, a dependência global de insumos daquela região, representa um alerta de que o produtor brasileiro deve estar atento à volatilidade dos fertilizantes nitrogenados, que podem sofrer novos reajustes caso o conflito se prolongue.

Recordes de exportação: soja e gado vivo em alta

A semana também trouxe boas notícias, com o Brasil alcançando vendas recordes de soja. A demanda global segue aquecida, consolidando a posição do país como o principal fornecedor do grão.

As exportações de gado vivo também são destaque, evidenciando a versatilidade do Brasil em atender mercados específicos que demandam animais para terminação ou abate em solo estrangeiro, garantindo a liquidez do setor pecuário nacional.

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Sustentabilidade: o novo papel das vacas europeias

Por fim, ao abordar as tendências de sustentabilidade, o autor da coluna comenta o curioso fenômeno das “vacas europeias”, que passaram do status de poluidoras a “salvadoras da pátria”. O autor das reflexões explica que a Europa começa a reconhecer o valor dos ruminantes na economia circular e na fertilização natural dos solos, reduzindo a dependência de adubos químicos. Para o colunista, essa mudança de percepção é fundamental, pois valida o que o produtor brasileiro já defende: a integração lavoura-pecuária é uma das ferramentas mais poderosas para uma agricultura de baixo carbono e alta eficiência.

Ouça o programa Momento Agrícola deste sábado, 11 de julho, clicando abaixo:

 

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