TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Economia & Mercado

Redução da jornada para escala 5×2 gera debate sobre custos e produtividade

Publicado em

A proposta de redução da jornada de trabalho, com a substituição da escala 6×1 pela 5×2, voltou ao centro dos debates econômicos e trabalhistas no país. Entre os principais pontos levantados por representantes do setor produtivo estão os possíveis impactos sobre custos, produtividade e oferta de mão de obra.

O tema é abordado na edição deste sábado do programa Momento Agrícola, apresentado pelo produtor rural, engenheiro agrônomo e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra.

Segundo a análise apresentada no programa, a redução da jornada tende a elevar os custos de produção no agronegócio, considerado um dos principais motores da economia brasileira. O mesmo efeito também seria sentido pela indústria, comércio e setor de serviços, que poderiam necessitar de novas contratações para compensar a diminuição das horas trabalhadas.

Na avaliação de Arioli, o aumento dos custos operacionais deverá refletir nos preços finais de alimentos, vestuário, calçados e outros produtos comercializados no mercado nacional. E tem, também, a questão do impacto sobre a competitividade dos produtor nacionais nas exportações.

Custo da mão de obra no campo será impulsionado com a redução da jornada para escala 5 x 2.

Um aspecto paralelo à abordagem do programa é a dificuldade enfrentada por diversos setores para encontrar trabalhadores qualificados. Afinal, a escassez de mão de obra poderá representar um desafio adicional caso as empresas precisem ampliar seus quadros de funcionários para atender à nova jornada.

Leia mais:  Populista e inoportuna: PEC do fim da escala 6x1 divide Congresso e preocupa setor produtivo

A produtividade do trabalhador brasileiro também entra na discussão. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que o Brasil gera, em média, US$ 21,20 por hora trabalhada, ocupando a 94ª posição em um ranking de 184 países. O desempenho fica abaixo de países vizinhos, como Uruguai, Chile e Argentina (entre US$ 33 e US$ 38), e distante de economias desenvolvidas, como a Alemanha (US$ 80,50).

Arioli também relacionou o debate à carga tributária incidente sobre as empresas brasileiras. Segundo ele, a combinação entre altos impostos e aumento dos custos trabalhistas já reduz a competitividade nacional e estimula a migração de investimentos para países com ambiente de negócios considerado mais favorável, como o Paraguai.

Além da discussão sobre a jornada de trabalho, o Momento Agrícola abordou temas como a demora na solução para o endividamento rural, os resultados positivos da pecuária e da cotonicultura e os números do Produto Interno Bruto (PIB), que evidenciam a participação do agronegócio na economia brasileira.

A edição também trouxe entrevistas sobre sementes, com Jonas Pinto, da FEBRASEM; gestão de crises e soluções para o setor, com Mauro Osaki, do CEPEA; e o lançamento do livro infantil A Fazenda dos Bezerros, com Lygia Pimentel, da Agrifatto.

Leia mais:  Populista e inoportuna: PEC do fim da escala 6x1 divide Congresso e preocupa setor produtivo

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique abaixo.

Comentários Facebook
Advertisement

Economia & Mercado

Populista e inoportuna: PEC do fim da escala 6×1 divide Congresso e preocupa setor produtivo

Published

on

O jornalista Olmir Cividini classificou como populista a proposta aprovada nesta semana pela Câmara dos Deputados que reduz a jornada de trabalho e altera a escala 6×1 no país. Em sua coluna Circuito Rural, publicada nesta sexta-feira, ele afirmou que o avanço da matéria ocorre em meio a um ambiente político marcado pelo calendário eleitoral, o que, segundo ele, dificulta posicionamentos contrários por parte dos parlamentares.

“Nestas horas, a corrupção acaba perdendo feio para o cálculo eleitoral. Depois reclamam quando a população desacredita da política”, observou Cividini.

O jornalista chama atenção, ainda, para o inevitável repasse dos custos da redução da jornada ao consumidor final e, também, a potencialização das dificuldades que praticamente todos os setores tem em contratar, pela falta de qualificação e, principalmente, pelas limitações impostas pelos programas assistenciais do governo federal.

A proposta ainda será analisada pelo Senado Federal, mas já provoca forte reação entre representantes do setor produtivo, especialmente da indústria e do agronegócio, que apontam aumento expressivo de custos, risco de perda de competitividade e impactos sobre o emprego.

Impactos no setor produtivo

Segundo Cividini, o agronegócio já projeta elevação significativa nos custos operacionais em praticamente toda a cadeia produtiva, diante da necessidade de contratação de mais trabalhadores para compensar a redução da jornada.

Leia mais:  Populista e inoportuna: PEC do fim da escala 6x1 divide Congresso e preocupa setor produtivo

A estimativa é de aumento superior a 8% nas despesas operacionais em diversos segmentos. No setor de proteínas, o impacto pode ultrapassar R$ 9 bilhões, enquanto no segmento sucroenergético os custos adicionais são estimados em cerca de R$ 5 bilhões.

CNI critica proposta

A Confederação Nacional da Indústria classificou como “inadequada e inoportuna” a aprovação da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho e altera a escala 6×1. Para a entidade, uma mudança dessa dimensão exige debate técnico e responsabilidade, sem influência do calendário eleitoral.

O texto foi aprovado em dois turnos pela Câmara dos Deputados e segue agora para análise do Senado Federal.

A proposta prevê que, 60 dias após a promulgação, passe a valer a escala de cinco dias de trabalho para dois de descanso, além da redução imediata da jornada semanal de 44 para 42 horas, sem redução salarial. Após um ano, a carga horária cairá para 40 horas semanais.

O relator, deputado federal Leo Prates, incluiu a possibilidade de medidas transitórias para MEIs, microempresas e pequenas empresas, desde que sejam mantidos os níveis de emprego.

Custos bilionários

Segundo estudo da CNI, a redução da jornada poderá elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais, o equivalente a aumento de até 7% na folha de pagamento das empresas.

Leia mais:  Populista e inoportuna: PEC do fim da escala 6x1 divide Congresso e preocupa setor produtivo

As projeções apontam impactos entre 6% e 9% em setores como alimentos, serviços e vestuário. Na indústria, o custo adicional estimado chega a R$ 88 bilhões.

Simulações do Instituto Brasileiro de Economia indicam ainda possibilidade de retração de até 11,3% no Produto Interno Bruto (PIB), além de aumento da informalidade e do desemprego.

Transição gradual

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu que mudanças na jornada sejam acompanhadas de medidas para elevar a produtividade, com investimentos em tecnologia, inovação e qualificação profissional.

Segundo ele, a redução da carga horária precisa ocorrer de forma gradual e sustentável, evitando impactos negativos sobre empresas, empregos, inflação e custos.

A entidade também defende a negociação coletiva como principal instrumento para adequar as mudanças às particularidades de cada setor da economia.

Ao final, a CNI afirmou confiar que o Senado Federal fará uma análise “cuidadosa e responsável” da proposta.

(Redação EB, com informações do Brasil 61)

(*) Ouça o Circuito Rural, na íntegra, clicando abaixo:

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana