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Acúmulo de resíduos em imóvel mobiliza força-tarefa para retirada de 20 toneladas de entulho

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Um caso de acúmulo de resíduos em um imóvel urbano mobilizou equipes da Prefeitura de Tangará da Serra nesta semana. Ao menos 24 toneladas de entulhos foram retiradas de uma residência localizada no Jardim Tanaka, região central da cidade, durante uma força-tarefa iniciada na quarta-feira (27) e que prosseguiu nesta quinta-feira (28).

Os trabalhos ocorreram em cumprimento a uma determinação judicial para limpeza do imóvel. A medida teve como objetivo eliminar possíveis criadouros do mosquito transmissor da dengue e ampliar a segurança sanitária dos moradores da região, que registra número elevado de casos de arboviroses.

A ação conjunta contou com a participação das secretarias municipais de Saúde, Meio Ambiente, Samae e Sinfra, além do acompanhamento do Poder Judiciário. Aproximadamente 20 caminhões-caçamba carregados de resíduos foram encaminhados ao aterro sanitário. Segundo as equipes envolvidas, o material não pode ser reciclado devido à contaminação por óleo e outros tipos de substâncias e resíduos.

Entre os materiais retirados estavam peças de veículos com resíduos de óleo, carcaças de eletrodomésticos, latas, restos de materiais de construção, tábuas, esquadrias, materiais plásticos e ferrosos, cabos, fiações, canos e diversos outros objetos acumulados no terreno.

De acordo com a administração municipal, o imóvel apresentava condições de vulnerabilidade sanitária, com grande acúmulo de lixo e potencial risco à saúde pública.

Segundo o coordenador da Vigilância Ambiental, Fagner Silva Brito, a área onde está localizada a residência é considerada ponto estratégico no combate à dengue devido à incidência de focos do mosquito Aedes aegypti.

“A equipe realiza trabalhos quinzenais no local, incluindo borrifação, justamente por conta dos vários focos encontrados e dos casos registrados na região”, afirmou.

A coordenadora da Vigilância Sanitária, Renata Dias de Almeida, alertou a população sobre os riscos provocados pelo acúmulo de materiais e resíduos nas residências.

“Alertamos toda a população para que não acumule lixo e materiais que possam trazer prejuízos à saúde. Caso a pessoa tenha esse hábito, é importante fazer a retirada e o descarte correto desses objetos”, destacou.

Situação de risco

O acúmulo irregular de entulhos em imóveis urbanos é considerado uma infração grave, com potencial de configurar crime ambiental e representar risco sanitário à coletividade. Além de favorecer a proliferação de insetos e animais peçonhentos, esse tipo de situação pode comprometer diretamente a saúde pública.

Em alguns casos, o problema ultrapassa a esfera da irregularidade urbana e pode estar associado ao Transtorno de Acumulação Compulsiva, condição relacionada à saúde mental e caracterizada pela dificuldade persistente de descartar objetos e materiais e, também, pela prática contumaz de recolher o que é encontrado na rua.

Segundo informações apuradas pela reportagem, o morador do imóvel no Jardim Tanaka já vinha sendo acompanhado pelo poder público, que realizou encaminhamentos na área assistencial para oferta de tratamento e suporte social.

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Cidades & Geral

Aripuanã vê duas obras milionárias travadas por decisões da Justiça e do Tribunal de Contas

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Usina solar de R$ 30 milhões tem pagamentos suspensos pelo Tribunal de Contas, enquanto licitação da nova Prefeitura é barrada pela Justiça; investimentos somam mais de R$ 40 milhões e pressionam município de 26 mil habitantes

Dois grandes investimentos da gestão da prefeita Seluir Peixer Reghin (União) estão sob intervenção dos órgãos de controle e ampliam a preocupação com a questão da regularidade e, também, quanto aos impactos financeiros para Aripuanã. Enquanto o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) suspendeu os pagamentos restantes da usina solar de aproximadamente R$ 30 milhões, a Justiça determinou a paralisação da licitação para a construção da nova sede da Prefeitura por indícios de irregularidades no edital.

Juntas, as duas obras ultrapassam R$ 40 milhões em investimentos previstos — valor expressivo para um município de pouco mais de 26 mil habitantes e orçamento anual de cerca de R$ 250 milhões. Apenas a usina fotovoltaica representa cerca de 12% de toda a receita orçamentária do município.

No caso da usina solar, o TCE concedeu medida cautelar suspendendo o pagamento dos cerca de R$ 2,32 milhões ainda pendentes do contrato, diante de indícios de sobrepreço e outras possíveis irregularidades. Segundo a decisão, aproximadamente R$ 27,67 milhões já foram desembolsados à empresa contratada, enquanto a Corte instaurou Tomada de Contas para apurar eventual dano ao erário.

Prefeita Seluit Peixer Reghin: Obras milionárias de sua gestão são alvos de embargo por supostas irregularidades.

A situação financeira preocupa porque, apesar do elevado investimento, a usina ainda não entrou em operação. Desde dezembro de 2025, a Prefeitura já paga os juros do financiamento contratado para executar a obra e, agora, começam a vencer também as parcelas do empréstimo, embora o empreendimento ainda não produza energia para abastecer os prédios públicos.

Outro obstáculo é a inexistência do parecer de acesso da Energisa, documento indispensável para autorizar a conexão da usina ao sistema elétrico. Sem essa autorização, a energia gerada não pode ser injetada na rede, impedindo a compensação dos créditos e adiando a economia prometida.

Na prática, o município corre o risco de enfrentar uma dupla despesa: continuar pagando integralmente as contas de energia elétrica das repartições públicas e, simultaneamente, arcar com as prestações do financiamento de uma usina que não está funcionando.

A decisão do TCE é cautelar e não representa julgamento definitivo. Os responsáveis ainda poderão apresentar defesa durante a instrução do processo.

Nova Prefeitura

Paralelamente, a Justiça de Mato Grosso suspendeu a Concorrência Pública nº 10/2026, destinada à construção da nova sede da Prefeitura de Aripuanã. (Veja no arquivo com decisão judicial: Aripuanã, mandado com prdido de liminar – nova prefeitura)

A decisão liminar do juiz substituto Yago da Silva Sebastião atendeu mandado de segurança apresentado por uma das empresas participantes do certame, que apontou possíveis ilegalidades na condução da licitação.

Segundo a decisão, houve alteração substancial do edital na véspera da abertura das propostas. O documento originalmente previa julgamento pelo critério de técnica e preço, mas, um dia antes da sessão pública, a Administração Municipal informou que o critério correto seria o de menor preço global, classificando a mudança como mero erro material.

Para o magistrado, entretanto, o próprio edital continha toda a estrutura necessária para avaliação técnica, o que afasta a tese de simples equívoco formal. A decisão também destaca divergências em documentos internos da própria Prefeitura sobre o critério de julgamento, situação que pode comprometer a igualdade entre os concorrentes.

Com base na Lei Federal nº 14.133/2021, a Justiça entendeu que mudanças capazes de influenciar a formulação das propostas exigem republicação do edital e reabertura dos prazos legais.

A liminar determinou a suspensão imediata da licitação, proibiu adjudicação, homologação, assinatura de contrato ou emissão de ordem de serviço e concedeu ao município a possibilidade de corrigir integralmente o edital, republicá-lo e reabrir os prazos antes de retomar o certame.

As duas decisões, embora cautelares e ainda sujeitas ao julgamento de mérito, colocam sob questionamento dois dos maiores projetos da atual administração municipal e evidenciam o elevado impacto que investimentos dessa magnitude podem produzir nas finanças de um município de pequeno porte. A situação ganha maior relevância no caso da usina solar, cujo custo equivale, sozinho, a aproximadamente 12% de todo o orçamento anual de Aripuanã.

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