Foi concluído o processo licitatório para as obras de reforma e modernização da Feira do Produtor do Centro, em Tangará da Serra. O resultado foi homologado nesta terça-feira (26), tendo a empresa Tangará Construtora como vencedora do certame.
A partir de agora, o município dará sequência aos trâmites administrativos até a assinatura da ordem de serviço pelo Executivo Municipal, prevista para ocorrer até o dia 10 de junho. Na sequência, será formalizado o contrato com a empresa responsável pela execução da obra.
Segundo o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Alceu Luiz Grapeggia, algumas adequações técnicas no projeto precisaram ser realizadas durante o processo licitatório. “Tivemos algumas dificuldades técnicas em razão de alguns detalhes no projeto, mas isso foi superado e agora podemos iniciar esta obra tão esperada em Tangará da Serra”, afirmou.
O edital de licitação foi publicado no último dia 18, na modalidade técnica e preço. O anúncio ocorreu durante reunião realizada no próprio espaço da feira, no dia 16 de maio, com a participação de representantes do Executivo Municipal e da diretoria da Associação dos Feirantes (ASFET).
Participaram do encontro o prefeito Vander Masson, o secretário Alceu Grapeggia, o presidente da ASFET, Valdeci Ferraz Aquino, o diretor financeiro da entidade, Reginaldo Beitum, o vereador Maurício Escobar e a deputada federal Coronel Fernanda, autora da emenda parlamentar destinada ao custeio da obra.
As obras representarão investimento de R$ 1,9 milhão, sendo R$ 1 milhão provenientes de emenda parlamentar da deputada federal e R$ 900 mil de contrapartida do município. Após a emissão da ordem de serviço, o prazo estimado para conclusão dos trabalhos é de seis meses, com previsão de término em dezembro.
Etapas da obra
As obras de reforma e modernização da Feira do Produtor do Centro serão executadas em duas etapas. A primeira contempla a construção de uma nova estrutura administrativa sob o atual pavilhão, em área próxima à esquina das ruas Celso Rosa Lima (26) e Antônio José da Silva (07).
Feira do Produtor do Centro ampliará a capacidade de atendimento e se consolidará como um dos principais espaços do segmento na região Centro-Oeste.
O espaço contará com recepção, sala administrativa, sala de atendimento especial, elevador, auditório e sala da diretoria. Também serão construídos novos banheiros feminino e masculino, ambos adaptados com dispositivos de acessibilidade.
O projeto prevê ainda a modernização da rede elétrica, instalação de iluminação em LED e implantação de uma nova praça de alimentação no local atualmente ocupado pela ala administrativa. Na segunda etapa, serão realizados a padronização dos boxes e a substituição do piso atual.
Também celebrando a conclusão do processo licitatório, o vice-prefeito Eduardo Sanches enalteceu o significado da Feira para Tangará da Serra. “A Feira do Produtor faz parte da nossa identidade e, com a modernização, vamos seguir como referência”, disse, destacando que o espaço terá sua capacidade de atendimento ampliada. “Vamos consolidar a posição da Feira do Centro como um dos principais espaços deste segmento no Centro-Oeste”, finalizou.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.