As contas da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet), referentes ao exercício financeiro de 2025, foram aprovadas por ampla maioria durante assembleia geral realizada na noite da última quinta-feira (28), no anfiteatro do Centro Cultural.
Referendada pelo Conselho Fiscal, a aprovação atesta a regularidade da gestão da atual diretoria, presidida por Valdeci Ferraz Aquino. A prestação de contas foi conduzida pelo diretor financeiro Reginaldo Beitun, com acompanhamento do Escritório Contábil União, responsável pela contabilidade da entidade.
A assembleia contou com a presença do prefeito Vander Masson, do secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Alceu Grapeggia, e do vereador Maurício Escobar, representando o Poder Legislativo.
Durante o encontro, o Executivo Municipal confirmou para o próximo dia 10 a assinatura da ordem de serviço para as obras de reforma e ampliação da Feira do Produtor do Centro.
“A licitação dessa obra foi um processo muito complexo em razão das características da nova estrutura que a Feira terá. Mas vencemos essa etapa e agora vamos iniciar os trabalhos para entregar a obra até o final do ano”, afirmou o secretário Alceu Grapeggia.
A reforma e ampliação da Feira do Produtor do Centro é resultado de uma articulação da atual diretoria da Asfet, com apoio da Prefeitura de Tangará da Serra e da deputada federal Coronel Fernanda.
O investimento será de R$ 1,9 milhão, sendo R$ 1 milhão oriundo de emenda parlamentar da deputada e R$ 900 mil de contrapartida do município. “Tangará da Serra merece uma nova configuração para a Feira do Produtor, com mais modernidade, conforto e qualidade para atender feirantes e consumidores”, destacou o prefeito Vander Masson.
O vereador Maurício Escobar, que também representou a deputada Coronel Fernanda no evento, ressaltou a importância do bom relacionamento do município com a bancada federal, que, segundo ele, sempre resulta em benefícios à municipalidade. “Esse entendimento sempre rende bons frutos. Esse recurso de emenda parlamentar foi o diferencial para a viabilização da reforma e modernização da Feira do Produtor”, considerou.
O presidente da Asfet, Valdeci Ferraz Aquino, por sua vez, ressaltou a importância da parceria para a concretização do projeto. “Nós, da Asfet, somos muito gratos à deputada pela emenda parlamentar e ao Executivo Municipal e à Câmara de Vereadores, que não mediram esforços para viabilizar essa obra. É uma conquista para o município, para a agricultura familiar, para os feirantes e para o público que nos prestigia aos domingos e quartas-feiras”, afirmou.
As obras contemplam a construção de uma nova estrutura administrativa sob o atual pavilhão, em área próxima à esquina das ruas Celso Rosa Lima (26) e Antônio José da Silva (07).
Feira do Produtor do Centro ampliará a capacidade de atendimento e se consolidará como um dos principais espaços do segmento na região Centro-Oeste.
O espaço contará com recepção, sala administrativa, sala de atendimento especializado, elevador, auditório e sala da diretoria. Também serão construídos novos banheiros feminino e masculino, ambos adaptados às normas de acessibilidade.
O projeto prevê ainda a modernização da rede elétrica, instalação de iluminação em LED e implantação de uma nova praça de alimentação no local atualmente ocupado pela área administrativa.
Em uma segunda etapa, serão realizados a padronização dos boxes e a substituição do piso existente.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.