A caipirinha, uma simples receita obtida a partir da junção da cachaça, limão, açúcar e gelo, é o drink que mais reflete a nossa brasilidade.
É conhecida e consumida nacional e internacionalmente, se tornou um dos componentes mais famosos da culinária brasileira, sendo a receita nacional mais popular no mundo todo e frequentemente considerada a melhor bebida do país e um dos melhores coquetéis/drinks do mundo, segundo o site especializado TasteAtlas (2024).
Foi o primeiro drinque brasileiro reconhecido pelo IBA-Associação Internacional de Bartenders e devido à sua importância e popularidade, a caipirinha foi declarada Patrimônio Cultural Brasileiro em 2003 e a sua receita é regida pelo Decreto Federal nº 6.871, de 2009: “Caipirinha é a bebida típica Brasileira, elaborada com cachaça, limão e açúcar, com graduação alcoólica de 15% a 36% em volume, a 20ºc, podendo ter apenas adição de água para padronização”.

Nelson Alves, historiador e entusiasta da Cachaça, servidor público em Nova Olímpia, onde possui uma pequena coleção de cachaça, com diversos rótulos de Mato Grosso e do Brasil, destaca que os historiadores divergem sobre a origem da Caipirinha.
O IBRAC (Instituto Brasileiro da Cachaça), tem como versão que a História da Caipirinha começa no ano de 1918, no interior do Estado de São Paulo. A composição da caipirinha se baseia em uma receita bem sucedida feita com limão, alho e mel. Um remédio caseiro da época que era então, indicada para pacientes que contraíram a gripe Espanhola (1918 – 1919). Entretanto, em um certo momento, alguém tomou a decisão de tirar o alho e o mel, e logo depois acrescentaram algumas colheres de sacarose para adoçar a bebida. Logo depois acrescentou-se o gelo, com o objetivo de tornar a bebida mais refrescante e afastar o calor.
Ainda, segundo o IBRAC, a difusão da caipirinha para o resto do Brasil teria ocorrido através da Semana de Nova Arte de 1922, em São Paulo. A bebida teria ganho grande fama entre os artistas do evento como sinal de patriotismo e amor pelo Brasil. Além disso os artistas a teriam introduzido em seus Estados de origem após o evento.
Por mais que a primeira versão seja comprovada pela Ibrac, já foi encontrado na cidade de Paraty (RJ) o registro mais antigo de uma receita de caipirinha, também utilizada como remédio, datado de 1853. Este registro procede o pedido do engenheiro civil João Pinto Gomes Lamego para um remédio que visava combater uma epidemia de cólera que acontecia na região: “…por isso, tenho provido que a necessidade obrigou a dar essa ração de aguardente temperada com água, açúcar e limão, a fim de proibir que bebessem água simples.” (Registro de Ofícios da Câmara Municipal, pag. 139, 1856).
Esta versão, mais tarde, em 2014, foi reconhecida inclusive pela Câmara Municipal de Paraty como a prova de que a bebida é originária da região e foi realizado um Projeto de Lei para reconhecer a bebida como um Patrimônio Cultural da cidade de Paraty.
Por sua vez, Luís da Câmara Cascudo (1898 – 1986), um dos mais importantes historiadores brasileiros, conta que a origem se deu no século XIX. Segundo ele, a Caipirinha teve sua criação pelas mãos dos então, latifundiários do território de Piracicaba, no estado de São Paulo. Além disso, a Caipirinha foi considerada uma bebida local e desta forma servida em festas e eventos da alta sociedade.
Conforme Câmara Cascudo, a caipirinha surgiu, para ser um substituto local de boa qualidade para o whisky e o vinho importados. Sendo assim, serviam a bebida constantemente em festas de agricultores da classe alta, vendas de gado e eventos da classe alta. Desde então, no início do século XX, nos anos 30, já era viável encontrá-la em outros Estados. Especialmente no Rio de Janeiro bem como em Minas Gerais. E logo depois se disseminou pelo país. Sendo dessa forma hoje considerada uma bebida típica do Brasil e a mais servida em bares, restaurantes e eventos.

Tem-se também, uma outra versão, citada em um artigo do jornal Gazeta do Povo do Paraná. Segundo o Jornal Gazeta do Povo, a Caipirinha teria surgido a muito mais tempo, afirmando que marinheiros que passavam pelo Estado do Rio de Janeiro, teriam então acrescentavam limão às doses de cachaça que bebiam para evitar o escorbuto.
E se não bastasse, há uma versão da origem da bebida, afirma que o nome “caipirinha” é uma homenagem à pintora Tarsila do Amaral, nascida no centro de São Paulo. Segundo esta versão, a pintora serviu a bebida às pessoas que frequentavam sua casa em Paris antes da Semana da Nova Arte de 1922. Esta versão também afirma que a bebida recebeu o nome de “caipirinha” em homenagem à pintora, que nasceu no centro de São Paulo.
Por final, temos a versão humorística de Jô Soares no livro “O Xangô de Baker Street”, em que a bebida seria inventada pelo detetive Sherlock Holmes e Watson que vêm ao Brasil para investigar o sumiço do valioso violino Stradivarius – um presente do imperador D. Pedro II à baronesa Maria Luíza. Na versão fictícia de Jô, andando pelas ruas do país, quente e úmido, Sherlock sente-se mal e vai até uma espécie de boteco para pedir uma bebida que o ajudasse a recuperar-se da hipoglicemia. A cachaça, então, é oferecida a ele como um ‘bom remédio matutino’. Porém, Watson sente o aroma e o julga muito forte. Ele sugere, então, adicionar um pouco de suco de laranja ou limão, que ajudam no combate do escorbuto. Depois, sugere colocar um pouco de gelo e açúcar para aliviar a sensação de calor do álcool. Ele coloca tudo em um copo, amassa os limões, agita rapidamente e experimenta. Os funcionários do estabelecimento observam estarrecidos, sem entender o que os homens estavam preparando. E um deles pergunta qual foi o caipira que criou aquela bebida e o segundo responde ‘o caipirinha’, se referindo a Watson, mais baixo do que Sherlock. O elemento cômico está na adição de gelo à Caipirinha, uma vez que não existiam congeladores na época.
Para Nelson Alves, não importa qual a origem seja verdadeira. O importante é que a Caipirinha é um Drink que tem a Cara do Brasileiro, estampa nos copos e taças as cores verde amarela da nossa bandeira e tem seu principal ingrediente a Cachaça, um tesouro nacional.
RECEITA DA CAIPIRINHA
Independente da origem correta, o que importa é que a versão que consumimos hoje é deliciosa e fica melhor ainda quando é servida no copo de vidro certo para você aproveitar o máximo sabor.
Veja abaixo a receita e aproveite esse drink 100% brasileiro e maravilhoso.
INGREDIENTES
1 parte de Cachaça
2 partes de açúcar
1 limão para cada parte de Cachaça
Gelo a gosto
MODO DE PREPARO
Corte os limões em 8 partes e junte com o açúcar.
Amasse bem até que o açúcar esteja diluído e, após isso, despeje a cachaça e mexa bem.
Complete com os cubos de gelo e está pronta!