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Opinião

O Brasil em Crise: Desafios econômicos e políticos que afetam o país

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A economia brasileira está atravessando um momento delicado. No cenário interno, o fechamento de empresas se tornou uma realidade alarmante, com exemplos marcantes, como a recente falência de uma fábrica de pet food em Minas Gerais, que resultou na demissão de mais de 1.000 pessoas em um único dia. O que era uma promessa de geração de empregos e desenvolvimento local agora se transforma em um retrato da fragilidade de um setor que não consegue se sustentar frente a uma conjuntura econômica incerta.

Além disso, a pesada carga tributária tem sido um fardo insuportável para muitos empresários. O caso de um pequeno comerciante, dono de um minimercado, ilustra bem essa realidade. Em julho deste ano, ele foi surpreendido com a cobrança de R$ 11 mil em impostos, um valor que equivale a uma parcela significativa de seu faturamento mensal. Essa pressão tributária não só sufoca o setor privado, mas também desincentiva novos empreendimentos, dificultando a geração de empregos e o crescimento econômico.

O quadro é ainda mais agravado pelas medidas externas. O tarifaço imposto por Donald Trump tem gerado um impacto profundo nas exportações brasileiras, criando uma atmosfera de incerteza entre os importadores, que, por sua vez, estão suspendendo contratos em um movimento de cautela. A guerra comercial entre as potências tem revelado a vulnerabilidade do Brasil, que, sem uma política externa bem estruturada, se vê sem uma estratégia sólida para contornar as sanções e minimizar os danos à sua economia.

Além das dificuldades externas, o Brasil enfrenta uma crise interna, com a escassez de mão de obra qualificada sendo um dos principais gargalos. As empresas que sobreviveram à crise econômica não conseguem encontrar profissionais capacitados para ocupar as vagas, o que compromete ainda mais o processo de recuperação econômica. A reforma trabalhista, que tinha a promessa de flexibilizar e melhorar o mercado de trabalho, esbarra na realidade de um país que ainda carece de uma educação de qualidade e de políticas públicas eficientes que integrem os jovens ao mercado de trabalho.

Por outro lado, a crise política interna não ajuda. O Brasil continua vivendo um cenário de polarização que só agrava a instabilidade, impedindo que soluções eficazes sejam debatidas e colocadas em prática. A falta de diálogo entre as diferentes forças políticas tem paralisado o Congresso e afetado negativamente a confiança dos investidores.

Para completar esse quadro, a insegurança jurídica tem sido um dos principais fatores de desconfiança para investidores que consideram o Brasil como destino de seus recursos. As recentes decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal (STF) têm intensificado esse ambiente de incerteza, com julgados que não permitem sequer a possibilidade de recursos ou revisões. Essa cultura de decisões rápidas e unilaterais, sem a devida possibilidade de contestação, contribui para um cenário de desconfiança, que desestimula a entrada de capital e a realização de investimentos no país.

A política externa do governo brasileiro tem sido marcada por descoordenação e incoerência. O governo tem demonstrado uma capacidade limitada de lidar com as questões internacionais, o que tem deixado o país em uma posição fragilizada diante de seus parceiros comerciais. O Brasil, que um dia foi visto como um gigante emergente, agora se vê refém de um cenário político-econômico caótico, sem uma liderança que consiga reverter esse processo.

A gestão pública brasileira está longe de ser eficiente. A crise política interna, a incerteza externa, a insegurança jurídica e a incapacidade de gerir adequadamente a economia fazem com que o Brasil viva, hoje, um dos momentos mais desafiadores de sua história recente. É urgente que o país repense suas estratégias de gestão, tanto no aspecto político quanto econômico, para que possa, ao menos, minimizar os danos dessa conjuntura tão desfavorável.

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Opinião

Distrito do Sucuri: princesinha de Cuiabá

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Por: KAENE ALMEIDA

O Distrito do Sucuri é mais do que um simples pedaço do mapa de Cuiabá. É um lugar onde a história, a cultura e a natureza se entrelaçam, formando a verdadeira essência da identidade cuiabana. Em seus caminhos e memórias repousam as antigas olarias que, tijolo por tijolo, ajudaram a construir as casas que abrigam gerações.

Meu avô foi oleiro e, por isso, conheço de perto o valor dessa arte que molda não apenas o barro, mas também a alma do nosso povo.

As olarias do Sucuri eram o coração pulsante da construção local. Com mãos habilidosas e dedicação incansável, os oleiros fabricavam tijolos que sustentaram não apenas paredes, mas sonhos, histórias e tradições. Esses tijolos carregam, em suas texturas, a memória da nossa cidade, a conexão com a terra e o trabalho digno dos nossos antepassados. Preservar essa herança é essencial para que as futuras gerações compreendam suas raízes e sintam orgulho de quem são.

Ao lado desse legado, corre majestoso o rio Cuiabá, que há séculos abraça o distrito com suas águas generosas. O rio não é apenas um recurso natural, é um símbolo vivo de vida, fertilidade e continuidade. Suas margens foram palco de encontros, festas e celebrações que atravessam o tempo, mantendo viva a relação entre o homem e a natureza. É impossível pensar no Sucuri sem sentir o pulsar desse rio que o envolve.

E foi justamente às margens do rio Cuiabá que também se construiu um dos maiores símbolos de fartura e sobrevivência do povo do Sucuri. Dali vinham as piquiras, pequenos peixes que, nas mãos sábias da comunidade, eram muito mais do que alimento. Elas eram fritas e transformadas em gordura, um verdadeiro tesouro da época.

Essa gordura se tornava moeda de troca. Em tempos em que não havia transporte, quando ônibus não existiam e carros eram raridade, o povo caminhava longas distâncias, muitas vezes a pé, levando consigo aquilo que produziam com esforço e sabedoria. Seguiam rumo à baixada, aos distritos da Guia, de Baús e às redondezas, onde trocavam esse alimento por outros mantimentos.

Era um tempo de resistência, de coletividade e de inteligência popular, em que a escassez era enfrentada com criatividade e a sobrevivência nascia da união entre os povos. Esse sistema de trocas não era apenas uma necessidade: era um elo entre comunidades, um movimento que fortalecia laços e mantinha viva a dignidade de quem vivia da própria terra e do próprio rio.

O Distrito do Sucuri possuía dois principais meios de renda:

  • A pesca, favorecida pelo rio Cuiabá, que banha a região;
  • A olaria, atividade que também se destacava como importante fonte econômica local.

O distrito era conhecido por suas festas e pela fartura à mesa, características marcantes de uma comunidade acolhedora e generosa. As festas de santo sempre tiveram papel central, perpetuando-se na história e mantendo viva a tradição cultural do povo.

Falando em celebrações, as festas tradicionais de junho, dedicadas a São João Batista e Nossa Senhora de Aparecida, são momentos de fé, união e pertencimento. Mais do que eventos, essas celebrações são manifestações vivas da cultura, onde se preservam as crenças, os sabores e as cores da nossa terra. Entre danças, comidas típicas e rezas, o espírito do Sucuri se revela em sua forma mais pura e inspiradora.

Nos últimos cinco anos, o Distrito do Sucuri ganhou um novo motivo de orgulho: o restaurante Maria Izabel. Com sua proposta de valorizar a culinária regional, o Maria Izabel não apenas serve pratos, ele resgata memórias, exalta tradições e fortalece a identidade cuiabana. O reconhecimento nacional, com o peixe premiado pela Abrasel, comprova a riqueza e o talento da gastronomia local. O restaurante se torna, assim, um elo entre o passado e o presente, uma ponte viva entre tradição e contemporaneidade.

No entanto, diante de tantas transformações, o Sucuri enfrenta um desafio importante: a crescente instalação de condomínios que, muitas vezes, surgem desconectados da história e da essência do lugar. Não é raro que novos moradores desconheçam o significado das ruas, das casas e até do próprio nome do distrito. Essa desconexão pode enfraquecer aquilo que torna o Sucuri único. Por isso, torna-se fundamental valorizar, preservar e transmitir nossa cultura, nossas histórias e nosso modo de viver.

O Distrito do Sucuri é uma joia que merece ser cuidada com amor, consciência e respeito. Ele nos ensina que a verdadeira riqueza está nas nossas raízes: no trabalho dos oleiros, na força do rio, nas festas que celebram nossa fé e nas mesas fartas que traduzem nossa identidade.

Que possamos seguir construindo, tijolo por tijolo, uma comunidade que honra o seu passado enquanto caminha com dignidade rumo ao futuro.

(*) Kaene Almeida é cuiabana, gastróloga, nascida e criada no berço cultural da gastronomia cuiabana.

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