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Momento Agrícola

Por segurança alimentar, China quer reduzir dependência da importação de alimentos

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O Momento Agrícola deste sábado traz uma análise profunda sobre as relações comerciais entre Brasil e China, com um alerta do consultor Ricardo Arioli sobre a estratégia chinesa de reduzir importações de alimentos. A edição também percorre as feiras de sementes em Mato Grosso, a presença chinesa no Pará e traz entrevistas exclusivas sobre a valorização da carne mato-grossense e a crise de rentabilidade na suinocultura.

Produzido e apresentado pelo engenheiro agrônomo e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra, o programa é referência para o setor e repercutido pelo portal Enfoque Business, unindo informação técnica e reflexões estratégicas sobre o agronegócio.

O alerta chinês

A China, principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro, está em plena execução de um plano estruturado para diminuir sua dependência de importações de alimentos. Como parte do seu 15º Plano Quinquenal (2026-2030), o país asiático prioriza a segurança alimentar nacional, investindo em tecnologia e produtividade interna para reduzir a necessidade de compras externas de commodities como soja e milho.

Demanda chinesa por milho é impulsionada, principalmente, pela expansão de sua indústria de ração animal e, em menor escala, pelo processamento industrial.

Ricardo Arioli destaca que, enquanto a China se movimenta com clareza estratégica, o Brasil carece de um plano correspondente. “A China trabalha para diminuir suas importações de alimentos. Será possível? Enquanto isso, não temos um Plano no Brasil para dependermos menos da China”, provoca o consultor. A reflexão aponta para a necessidade urgente de diversificação de mercados e de uma política de Estado que proteja o produtor brasileiro de eventuais retrações na demanda chinesa.

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Movimentações no Campo

O programa também destaca a intensa agenda de eventos no Mato Grosso, com foco na Feira de Sementes, que reforça o estado como polo de inovação genética. Paralelamente, Arioli comenta a crescente presença de investidores chineses no Pará, sinalizando que a estratégia de Pequim também passa pelo controle de infraestrutura e produção em solo brasileiro.

Entrevistas

O Momento Agrícola deste sábado apresenta três blocos de entrevistas essenciais para entender o mercado atual.

No primeiro bloco, Caio Penido, presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC), detalha as ações de promoção da carne de Mato Grosso. O foco está na sustentabilidade e na certificação, buscando agregar valor ao produto em mercados exigentes que priorizam a baixa emissão de carbono e o monitoramento socioambiental.

Na sequência, o tema é a crise na suinocultura. Frederico Tannure Filho, presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), revela um cenário paradoxal: apesar dos recordes de exportação da carne suína brasileira, o produtor enfrenta prejuízos severos. A combinação de custos de produção elevados — impulsionados pelo preço do milho e farelo de soja — e preços pagos ao produtor que não cobrem as despesas operacionais coloca a atividade em um momento de extrema fragilidade.

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Por fim, o programa traz reflexões sobre o impacto da tecnologia e os desafios logísticos que continuam a testar a resiliência do produtor mato-grossense.

Clique abaixo e ouça na íntegra o Momento Agrícola deste sábado.

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Momento Agrícola

Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

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O produtor rural brasileiro enfrenta um momento delicado e vivenciou uma semana de decisões difíceis. O custo do dinheiro, o endividamento e a demora na renegociação de dívidas limitam o acesso ao Plano Safra justamente no período em que é preciso financiar a implantação das lavouras. Ao mesmo tempo, o mercado da carne passa por uma mudança de configuração: União Europeia e China perdem espaço relativo, enquanto os Estados Unidos aparecem como novo destino estratégico.

Na avaliação do consultor, engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Arioli, em seu programa de rádio semanal “Momento Agrícola”, a dificuldade não está apenas no volume de recursos anunciado, mas na capacidade de o produtor acessar o crédito em tempo hábil. A burocracia, as exigências bancárias e o passivo acumulado reduzem a margem de manobra de quem precisa comprar insumos, reorganizar o fluxo de caixa e decidir quanto plantar.

A renegociação das dívidas é, hoje, um dos temas centrais do setor produtivo. Sem condições claras e operacionais para repactuar débitos, produtores permanecem com restrições que dificultam novos financiamentos. O risco é que a falta de capital provoque cortes na adubação, reduza investimentos em tecnologia e comprometa a produtividade da próxima safra. O calendário agrícola, porém, não acompanha a velocidade das negociações financeiras.

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Na pecuária, a entrada dos Estados Unidos entre os mercados relevantes da carne brasileira amplia as alternativas comerciais. A diversificação pode reduzir a dependência de poucos compradores e abrir espaço para novas estratégias de exportação, mas também exige atenção a requisitos sanitários, qualidade, logística e regularidade de fornecimento. A mudança de destinos ocorre em um ambiente de disputa internacional e de consumidores mais exigentes.

Feijões e pulses

Lavoura com feijão-mungo verde em Tangará da Serra: Mais de 90% da produção é exportada.

No segundo bloco do Momento Agrícola deste sábado, Marcelo Luders, do IBRAFE, destaca as oportunidades de mercado para feijões e pulses — grupo que inclui leguminosas como lentilhas, grão-de-bico e ervilhas. Para aproveitar esse potencial, o setor precisa de informação confiável para orientar decisões de plantio, comercialização e investimento. A proposta de uma campanha para ampliar o consumo interno aparece como caminho para fortalecer a demanda e reduzir a exposição do produtor às oscilações externas.

Biodiesel estratégico

Na sequência, Jerônimo Gorgen, presidente da Aprobio, trata da qualidade do biodiesel e dos efeitos de uma eventual ampliação da mistura ao diesel. O aumento do uso pode criar mercado para matérias-primas agrícolas, contribuir para a redução de emissões e fortalecer a renda dos produtores. A expansão, entretanto, depende de qualidade constante, controle técnico e segurança para toda a cadeia de produção e distribuição.

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Plantio de soja

No último bloco, o professor Rogério Coimbra, especialista em sementes da Universidade Federal de Mato Grosso, chama atenção para ações básicas que determinam o resultado do plantio de soja. A escolha de sementes adequadas, o planejamento da operação, a qualidade da implantação e o cuidado com as condições do solo são decisões que não podem ser tratadas como detalhes. A produtividade começa antes da semeadura e depende da execução correta de cada etapa.

Em conjunto, os quatro blocos mostram um setor pressionado no curto prazo, mas com oportunidades em novos mercados, na bioenergia, nas pulses e na eficiência do plantio. Para o produtor, a prioridade é proteger o caixa, buscar informação e concentrar recursos nas decisões capazes de preservar produtividade e renda.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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