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TJMT mantém licitação da PPP do saneamento e destaca urgência das metas de universalização

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O procedimento prevê uma concessão patrocinada com duração de 35 anos e valor estimado superior a R$ 1 bilhão.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou o pedido liminar do Ministério Público Estadual (MPE) para suspender o processo licitatório da Parceria Público-Privada (PPP) do saneamento básico e manejo de resíduos sólidos de Tangará da Serra. A decisão foi proferida pelo desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, da Segunda Câmara de Direito Público e Coletivo.

O principal fundamento destacado pelo magistrado foi o impacto que uma eventual paralisação da concessão poderia causar diante da proximidade das metas de universalização estabelecidas pelo novo marco legal do saneamento básico. Na avaliação do TJMT, a interrupção do certame poderia gerar consequências econômicas, administrativas e sociais relevantes, comprometendo o avanço de investimentos considerados estratégicos para o município.

O recurso analisado pela Corte é um Agravo de Instrumento apresentado pelo Ministério Público contra decisão da 4ª Vara Cível de Tangará da Serra, que já havia negado a suspensão da licitação. O procedimento prevê uma concessão patrocinada com duração de 35 anos e valor estimado superior a R$ 1 bilhão.

Na ação, o Ministério Público alegou supostas irregularidades técnicas e financeiras na estruturação da PPP. Entre os apontamentos estão a ausência de levantamento batimétrico atualizado da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Ararão, a falta de planilhas analíticas detalhadas dos custos da concessão e questionamentos sobre a participação da Cooperativa de Catadores de Tangará da Serra (Coopertan) no futuro sistema de resíduos sólidos.

Ao analisar o pedido, o desembargador entendeu que, embora os apontamentos apresentados pelo MPE mereçam apuração, não existem elementos suficientes, neste momento processual, para justificar a suspensão imediata da licitação.

O TJMT reconhece, porém, que questões levantadas pelo Ministério Público deverão continuar sendo analisadas no decorrer do processo.

Na decisão, o magistrado ressaltou que contratos de PPP possuem estrutura complexa, com compartilhamento de riscos, modelagem financeira de longo prazo e necessidade de segurança jurídica para garantir a atração de investidores privados. Por isso, segundo o relator, intervenções judiciais em processos dessa natureza exigem cautela e aprofundamento técnico.

O entendimento do TJMT ocorre em um contexto nacional de pressão pelo cumprimento das metas previstas no novo marco legal do saneamento, que estabelece prazos para ampliação do acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto, além da destinação adequada de resíduos sólidos.

Em Tangará da Serra, a concessão é vista como uma possibilidade concreta de enfrentamento de um dos principais gargalos estruturais do município. A entrada da iniciativa privada pode abrir caminho para captação de financiamentos de longo prazo e realização de investimentos robustos em infraestrutura, algo considerado difícil de ser suportado exclusivamente pelo poder público diante da dimensão dos recursos necessários.

A expectativa é de que o modelo possibilite ampliação da rede de esgotamento sanitário, modernização do sistema de resíduos sólidos e adequação ambiental dos serviços, setores que historicamente exigem elevados investimentos e planejamento contínuo.

Por outro lado, o avanço da concessão também amplia a responsabilidade dos órgãos de controle e fiscalização. Especialistas apontam que o sucesso de uma PPP depende diretamente da capacidade de gestão da empresa vencedora e da fiscalização rigorosa do cumprimento das metas contratuais, dos cronogramas de obras e dos padrões de qualidade dos serviços prestados à população.

Na própria decisão, o TJMT reconhece que questões levantadas pelo Ministério Público deverão continuar sendo analisadas no decorrer do processo. O Município de Tangará da Serra será intimado para apresentar contraminuta, e posteriormente o caso seguirá para manifestação da Procuradoria-Geral de Justiça antes do julgamento definitivo do recurso.

(Com informações de Diário da Serra)

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Saúde em emergência e falhas recorrentes em serviços levam gestão a anunciar medidas

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Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (16), o prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson (União), acompanhado de secretários municipais, prestou esclarecimentos sobre os problemas enfrentados pelo município nas áreas de saúde, coleta de lixo e infraestrutura urbana. (No topo, foto da coletiva)

O principal gargalo está na saúde pública, com aumento expressivo na demanda por atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em decorrência de um surto de Influenza “A” registrado no município.

Segundo Vander Masson (foto acima), a média diária varia entre 650 e 700 atendimentos de pacientes com sintomas gripais. A sobrecarga tem provocado demora nos atendimentos e impactado inclusive os estoques de medicamentos. Diante do cenário, o município decretou situação de emergência na saúde pública por 180 dias, autorizando medidas como contratação emergencial de profissionais, aquisição de insumos e locação de equipamentos e leitos na rede privada.

Surto de gripe gera entre 650 e 700 atendimentos diários na UPA de Tangará da Serra.

Entre as ações adotadas, está a ampliação do horário de atendimento até às 23h, de segunda a sexta-feira, no Posto Central, e até às 21h nas Unidades de Saúde da Família (USFs) dos bairros Cohab Tarumã e Jardim Presidente.

A implementação das medidas dependeu de autorização da Câmara Municipal para a contratação de médicos. Para isso, o Executivo encaminhou os projetos de lei nº 105 e 106, que tratam de contratações emergenciais e da abertura de crédito especial de R$ 2,45 milhões para custeio das ações. As propostas foram aprovadas em sessão extraordinária na última segunda-feira (13).

Também foi anunciada a ampliação dos leitos hospitalares contratados junto à rede privada, passando de 20 para 28 vagas disponíveis nos dois hospitais particulares do município.

Crise na coleta de lixo

As falhas recorrentes na coleta de lixo domiciliar têm gerado reclamações de moradores em diversos bairros. A empresa responsável pelo serviço enfrenta limitações técnicas, resultando em atrasos e acúmulo de resíduos em frente às residências, com potenciais riscos sanitários.

Empresa contratada tem cometido falhas na coleta de resíduos desde o início das suas operações no município.

De acordo com o prefeito, a empresa já foi notificada ao menos seis vezes e multada, com autos de infração que ultrapassam R$ 50 mil. Diante da situação, o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), responsável pelo contrato, instaurou procedimento administrativo que pode culminar na rescisão contratual.

Questionado sobre a capacidade técnica da empresa no processo licitatório, o diretor do Samae, Marcos Scolari (foto do topo), afirmou que todas as exigências legais foram cumpridas e que o certame priorizou o menor preço. No entanto, após o início das operações, a empresa apresentou falhas recorrentes. “Haverá medidas e, em breve, teremos a solução desses problemas”, declarou.

Problemas na infraestrutura

As dificuldades com empresas contratadas também se estendem às obras de infraestrutura urbana. No bairro Jardim Acapulco, intervenções que incluem a instalação de galerias de águas pluviais, rede de esgoto e pavimentação têm provocado transtornos aos moradores.

Moradores da Vila Goiás e Jardim Acapulco relatam transtornos com o atraso na reposição do asfalto.

Além de atrasos, a empresa responsável não realizou adequadamente a recomposição asfáltica após a instalação das redes. Diante da situação, o município suprimiu essa etapa do contrato e assumiu os serviços de forma emergencial.

As falhas já resultaram em notificações à empresa. Segundo o Executivo, os trabalhos seguem agora em ritmo de normalização, com previsão de conclusão durante o período de estiagem, quando as condições climáticas são mais favoráveis.

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