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Inadimplência recorde e novos marcos regulatórios: o balanço do agronegócio em agosto

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O agronegócio brasileiro atravessa um momento de intensas transformações e desafios estruturais neste início de agosto. Conforme destaca o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, autor das reflexões e registros do programa Momento Agrícola deste sábado, o setor produtivo enfrenta uma tempestade perfeita caracterizada pela inadimplência recorde, margens estreitas e um cenário macroeconômico de incertezas. Arioli ressalta que o crescimento vertiginoso dos índices de atrasos nos pagamentos, que saltaram mais de nove vezes no intervalo de apenas três safras, é o reflexo direto de custos de produção elevados e uma política de juros que ainda sufoca o reinvestimento no campo.

A crise de liquidez, desencadeada por safras frustradas em regiões estratégicas e pela queda nos preços das principais commodities, é agravada por uma taxa Selic que, apesar do recente corte, permanece em patamares considerados proibitivos para a sustentabilidade financeira do produtor. Nesse contexto, a sanção de novas legislações e as movimentações do Banco Central tornam-se o centro das atenções para quem planeja o próximo ciclo produtivo.

A sanção da lei 15.485 e o novo controle dos fretes

Um dos marcos regulatórios mais importantes da semana foi a sanção da Lei nº 15.485/2026, que estabelece o controle rigoroso e o uso do piso mínimo de fretes fixado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A nova legislação, originada da MP 1.343/2026, visa dar maior previsibilidade e segurança jurídica aos caminhoneiros e transportadoras, proibindo a prática de valores inferiores à tabela oficial e prevendo multas severas para o descumprimento.

Leia mais:  Agro vive debate sobre a exportação de animais vivos e o fechamento da safra de milho

Para o agronegócio, que depende fortemente da logística rodoviária para o escoamento da produção, a medida traz um misto de proteção ao elo transportador e preocupação com o aumento dos custos logísticos. A lei garante reajustes automáticos sempre que o preço do óleo diesel oscilar, o que exige do produtor rural uma gestão ainda mais fina dos custos de comercialização.

Economia sob pressão: selic a 14% e dívida pública em alta

No cenário macroeconômico, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, reduzindo a Selic para 14% ao ano. Entretanto, a medida foi recebida com desconfiança pelo setor produtivo. Em suas reflexões, Ricardo Arioli aponta que a redução é insuficiente para alterar o panorama de endividamento e estimular a economia real, mantendo o Brasil com um dos maiores juros reais do mundo.

Outro dado que acende o alerta é a dívida bruta do país, que atingiu a marca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse nível de endividamento público limita o espaço para políticas de incentivo e subsídios ao crédito rural, pressionando o governo a manter juros elevados para controlar a inflação, criando um ciclo vicioso que atinge diretamente o caixa das propriedades rurais.

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Indicadores Econômicos – Agosto 2026:

Entrevistas técnicas: jardinagem, sementes e gestão de pessoas

O segundo bloco do Momento Agrícola trouxe discussões técnicas essenciais para a profissionalização do setor:

  • Jardinagem e paisagismo: Milton Braida detalhou os preparativos para o Encontro Nacional de Jardinagem (ENJAR), destacando como o setor tem se integrado à arquitetura urbana e ao bem-estar no campo.
  • Tecnologia em sementes: Fernando Henning, da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), trouxe as novidades do Congresso Brasileiro de Sementes, focando na qualidade fisiológica e nos avanços genéticos que garantem o vigor das lavouras.
  • Gestão de pessoas: Guto Zanata, da SerHumano Profissional, abordou a importância da liderança e da retenção de talentos no agro. Em um momento de crise financeira, a gestão eficiente do capital humano torna-se um diferencial competitivo para reduzir desperdícios e aumentar a produtividade.

Leia mais: Celebração e Crítica: Dia do Agricultor marca balanço de recordes e desafios na política setorial

Para ouvir as reflexões completas de Ricardo Arioli no programa Momento Agrícola deste sábado, 08 de agosto, acesse o link abaixo:

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Economia & Mercado

Agro vive debate sobre a exportação de animais vivos e o fechamento da safra de milho

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A edição desta sexta-feira (07/08/2026) da coluna Circuito Rural, assinada pelo jornalista Olmir Cividini, coloca em pauta dois dos assuntos mais debatidos no agronegócio nacional: a polêmica em torno do projeto de lei que visa proibir a exportação de animais vivos e o encerramento da safra de milho, marcada por recordes de produtividade e desafios de mercado.

Polêmica: projeto de lei e a exportação de animais vivos

O principal destaque político da coluna é a análise do projeto de lei de autoria da deputada Gleisi Hoffmann (PT), que propõe a proibição da exportação de animais vivos para o abate. A parlamentar argumenta que a medida é necessária para garantir a proteção ao bem-estar animal durante as longas viagens e sustenta que a proibição incentivará o processamento da carne dentro do Brasil, favorecendo a indústria frigorífica nacional e seus segmentos correlatos através da geração de empregos e maior valor agregado às exportações.

No entanto, a proposta foi recebida com forte resistência pelo setor produtivo e por entidades representativas da pecuária. O principal argumento contrário aponta que o Brasil movimenta mais de 1 bilhão de dólares anualmente com esse segmento, atendendo principalmente a mercados específicos do Oriente Médio, onde exigências religiosas impõem que o abate ocorra no país de destino.

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Em sua análise crítica, Olmir Cividini destaca que a proibição da exportação de animais vivos pode retirar um concorrente importante do mercado, resultando em concentração de poder nas mãos dos grandes frigoríficos, o que prejudicaria diretamente o pecuarista com a redução de preços pagos pela arroba.

Cividini enfatiza que mudanças estruturais dessa magnitude exigem embasamento técnico, amplo diálogo com o setor produtivo e avaliações rigorosas de impacto econômico, em vez de restrições que podem gerar um efeito reverso à economia nacional.

Safra de milho: recordes históricos e pressão nos preços

No campo produtivo, Cividini traz um panorama otimista sobre o encerramento da segunda safra de milho (“safrinha”), que consolida resultados históricos no país. Em Mato Grosso, a colheita atingiu patamares impressionantes, com uma produção estimada em 57,3 milhões de toneladas e uma produtividade média que saltou para 128,5 sacas por hectare.

No cenário nacional, o avanço da colheita da safrinha alcançou 69% da área total, projetando uma safra global que se aproxima de 143 milhões de toneladas.

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Contudo, o jornalista aponta que a alta oferta gerou um descompasso temporário, pressionando os preços para baixo e desafiando a margem de lucro dos produtores, além de impor dificuldades logísticas para o escoamento do cereal. A expectativa para o segundo semestre reside na intensificação das exportações e na expansão do mercado interno de etanol de milho para reequilibrar as cotações.

Ouça a coluna Circuito Rural, na íntegra:

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