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Economia & Mercado

Celebração e Crítica: Dia do Agricultor marca balanço de recordes e desafios na política setorial

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O agronegócio brasileiro vive uma semana de celebrações históricas e reflexões profundas sobre o futuro da produção nacional. No balanço do programa Momento Agrícola deste sábado, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, autor das reflexões e registros desta edição, utilizou a data do Dia do Agricultor — comemorado em 28 de julho em homenagem à criação do Ministério da Agricultura por Dom Pedro II em 1860 — para traçar um panorama da força da cadeia agropecuária. Em 2025, o setor foi responsável por 20% do PIB brasileiro, movimentando a marca de R$ 2,3 trilhões, consolidando-se como a espinha dorsal da economia nacional.

Entretanto, o clima de comemoração é acompanhado por críticas pontuais de Arioli à performance do atual Ministério da Agricultura e à política governamental voltada ao setor. Para o colunista, há um descompasso entre a pujança produtiva demonstrada pelos números e a articulação política necessária para sustentar o crescimento, especialmente em áreas sensíveis como o seguro rural, que segue sob pressão orçamentária e incertezas climáticas.

Comércio Exterior: Os Entraves da Carne Bovina na Ásia

O cenário internacional apresenta novos desafios logísticos e tributários para a proteína animal brasileira. Um dos pontos centrais da análise de Ricardo Arioli é a negociação com a Coreia do Sul, um processo que se arrasta desde 2008 sem uma conclusão definitiva. A abertura deste mercado é vista como estratégica para diversificar as exportações e reduzir a dependência de compradores tradicionais.

Paralelamente, a relação comercial com a China entra em uma fase de alerta máximo devido às quotas de exportação e à pesada taxação. O setor opera sob uma tarifa base de 12%, mas o excedente da quota anual dispara os custos tributários.Essa estrutura tributária impõe um teto prático à rentabilidade das exportações brasileiras, exigindo uma renegociação diplomática urgente para evitar a perda de competitividade frente a outros grandes produtores mundiais.

Jurídico e Ambiental: Condenação no CADE e Incêndios na Europa

No campo jurídico, a semana foi marcada pela recomendação de condenação da Bayer/Monsanto pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). A questão envolve supostas práticas anticoncorrenciais no mercado de sementes de soja, especificamente relacionadas à tecnologia Intacta. O parecer do CADE sinaliza um endurecimento na fiscalização sobre o licenciamento de biotecnologias, impactando diretamente o custo de produção e a escolha tecnológica do produtor.

No plano ambiental, as notícias que chegam do Hemisfério Norte são alarmantes. Os incêndios florestais na Europa atingiram níveis incontroláveis, destruindo vastas áreas produtivas e ecossistemas sensíveis. Para o setor agropecuário brasileiro, essas crises externas reforçam a necessidade de manter protocolos rigorosos de prevenção ao fogo e manejo sustentável, especialmente durante o período de seca que atinge as principais regiões produtoras do Brasil.

Entrevistas Técnicas: Piscicultura, Algodão e Endividamento

O segundo bloco do programa trouxe vozes de lideranças setoriais que detalharam os desafios específicos de cada cadeia:

  • Piscicultura e Tarifaços: Francisco Medeiros, da PeixeBR, discutiu o impacto dos aumentos tarifários sobre a produção de peixes de cultivo, alertando para o risco de perda de competitividade em um setor que vinha apresentando crescimento robusto.
  • Algodão e Tecnologia: Romão Viana, da Fundação MT, trouxe os destaques do Encontro Técnico do Algodão, focando em inovações para o manejo de pragas e produtividade em Mato Grosso.
  • Prorrogação de Dívidas: Antônio da Luz, economista-chefe da FARSUL, fez uma análise crítica da Medida Provisória de prorrogação de dívidas rurais. Segundo ele, a MP é “para poucos”, deixando de fora uma grande parcela de produtores que enfrentam dificuldades financeiras reais, mas não se enquadram nas exigências burocráticas impostas pelo governo.

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique abaixo:

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Momento Agrícola: Suspensão europeia põe carne brasileira e Mato Grosso sob pressão

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Veto europeu à carne brasileira está previsto para 3 de setembro. Oportunidade temporária nos Estados Unidos, suspeita tributária em azeites, milho sem reação no Brasil e liderança mundial do algodão nacional são os destaques do Momento Agrícola deste sábado.

Novos riscos comerciais e novas exigências regulatórias se apresentam para o agronegócio brasileiro neste final de agosto. Paralelamente, oportunidades pontuais surgem no mercado internacional. Na edição deste sábado (29.08) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra, destaca a possibilidade de a União Europeia suspender, a partir de 3 de setembro, as importações de produtos brasileiros de origem animal.

São barreiras comerciais relevantes e que causam apreensão em toda a cadeia da carne. A medida envolve principalmente carnes bovina e de frango, além do mel. Segundo informações repercutidas pelo programa, o impasse está relacionado às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos e à avaliação de que o Brasil ainda não fornece garantias e informações suficientes sobre seus controles.

Conforme reportado pelo Canal Rural na semana que passou, a questão não envolve uma acusação de má qualidade da carne brasileira, mas divergências sobre protocolos, rastreabilidade e comprovação sanitária.

Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

A Europa não é o principal destino da carne brasileira em volume, mas compra cortes de maior valor agregado, daí a importância daquele mercado. Uma suspensão prolongada poderia reduzir a concorrência por determinados cortes, pressionar margens de frigoríficos e pecuaristas e exigir a busca de mercados alternativos. O setor estima que a adaptação às novas regras possa levar cerca de dois anos. O governo brasileiro pretende negociar e, se necessário, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mato Grosso já sente

O risco é relevante para Mato Grosso, que é líder nacional nas exportações de carne bovina. Para se ter uma ideia, o estado enviou 978,4 mil toneladas da proteína para 92 países em 2025. Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

Se confirmada, a suspensão não significará a paralisação das vendas, mas mudança de destinos e influência nos preços e no planejamento dos embarques. Parte da produção teria de ser redirecionada, aumentando a importância de mercados alternativos e da comprovação do histórico sanitário dos animais.

Há, porém, outro movimento no mercado internacional, este na direção oposta. Os Estados Unidos podem abrir uma janela favorável com o anúncio do governo de Donald Trump da ampliação temporária, em 300 mil toneladas, da cota de aparas de carne bovina magra importadas sem tarifa. O objetivo dos americanos é conter a alta dos preços ao consumidor. Para a Abiec, a medida pode representar oportunidade para o Brasil, embora o país dispute o espaço com outros fornecedores e o benefício dependa de habilitação, logística, competitividade e duração da medida.

Azeite europeu no radar fiscal

Também no Momento Agrícola deste sábado, Ricardo Arioli destacou uma denúncia do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) à Receita Federal para investigar possível fraude tributária envolvendo azeites europeus vendidos no Brasil como extravirgens.

A suspeita surgiu após o Ministério da Agricultura analisar amostras de marcas conhecidas, identificando características compatíveis com azeite virgem, e não com a categoria declarada no rótulo.

A diferença também tem impacto tributário. Segundo o Ibraoliva, o extravirgem importado da Europa tem alíquota zero, enquanto o azeite virgem está sujeito a imposto de 9%. A entidade pede investigação sobre eventual classificação irregular e recolhimento menor de tributos. As empresas citadas afirmam manter controles de qualidade e algumas atribuem possíveis não conformidades a lotes específicos.

Milho sem reflexo automático

No conteúdo do programa há, também, uma análise dobre a redução das perspectivas de produção de milho nos Estados Unidos e na União Europeia. Apesar de uma menor oferta internacional normalmente favorecer as cotações externas, o movimento ainda não se refletiu nos preços brasileiros.

No mercado interno, fatores como a disponibilidade doméstica, a segunda safra, os estoques, a logística e o ritmo das exportações continuam tendo maior peso na formação das cotações. O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontou redução na previsão de estoques finais americanos e revisão para baixo do milho europeu.

Entre os destaques positivos, o algodão brasileiro mantém posição de liderança mundial nas exportações. Segundo dados da Abrapa, o país encerrou o ano comercial 2025/26 com cerca de 3,3 milhões de toneladas exportadas, receita de US$ 5,3 bilhões e crescimento de 19% sobre o período anterior. Volume, qualidade, certificação e rastreabilidade têm ampliado a confiança de compradores internacionais.

No segundo bloco, o programa repercute outras notícias da semana e aborda temas ligados à gestão do produtor, como mercado de carbono, em entrevista com o doutor Ludovino Lopes, e seguro rural e renegociação de dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Entrevistas

O Momento Agrícola traz, ainda, entrevistas com temas relevantes no ambiente no agronegócio:

  • O Mercado de Carbono vem aí, com Dr. Ludovino Lopes;
  • O Seguro e a Renegociação de Dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Ouça o programa, na íntegra:

 

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