As convenções partidárias realizadas nos últimos dias não apenas definiram as candidaturas para as eleições de outubro, como também evidenciaram divergências entre importantes lideranças do campo da centro-direita em Mato Grosso. As articulações que consolidaram as chapas majoritárias deixaram antigos aliados em posições distintas e revelaram disputas por espaço político dentro do bloco governista.
Um dos principais movimentos ocorreu no União Brasil. O senador Jayme Campos acabou derrotado nas articulações internas que definiram o apoio da legenda à candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Com isso, ficaram consolidados os nomes do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) para a vice-governadoria e do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) para uma das vagas ao Senado, enquanto a segunda candidatura ao Senado ficou com a senadora Margareth Buzetti (PP).

Jayme Campos: Preterido no grupo governista, senador apoiará Fagundes e Janaína.
A decisão marcou um revés para Jayme Campos, uma das mais tradicionais lideranças políticas de Mato Grosso. Aos 74 anos, o senador acumula passagens pelos extintos PFL e Democratas — partidos que deram origem ao DEM, posteriormente incorporado ao União Brasil — além dos cargos de prefeito de Várzea Grande, governador do Estado e senador da República.
Após ficar fora da composição majoritária, Jayme anunciou apoio à candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado e à deputada estadual Janaina Riva (MDB) para o Senado, movimento que evidenciou o distanciamento em relação ao grupo político liderado por Mauro Mendes.
Outra frente de tensão envolve o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (Podemos). O partido participou das negociações com o grupo de Pivetta e também manteve conversas com o PL, mas permaneceu sem definição ao término da convenção realizada na terça-feira.

Max Russi: “Sou líder do processo, mas não dono da decisão”.
Inicialmente, o Podemos chegou a discutir a possibilidade de lançar candidatura própria ao Governo do Estado. No entanto, a legenda optou por manter abertas as negociações antes de definir eventual aliança.
Ao final da convenção, Russi afirmou que a decisão será construída coletivamente e que o partido pretende concluir as articulações dentro do prazo legal para registro das atas. “Sou líder do processo, mas não dono da decisão”, declarou o parlamentar.
Segundo ele, o partido avalia diferentes cenários, buscando uma composição que preserve sua representatividade política.
Nos bastidores, o União Brasil e o Republicanos ainda admitem a participação do Podemos na coligação, embora os espaços disponíveis tenham se reduzido após a definição das chapas majoritárias. Uma das alternativas discutidas é a indicação de um nome para a suplência de Mauro Mendes ao Senado, além da possibilidade de participação na estrutura administrativa em caso de vitória de Pivetta.
Paralelamente, Max Russi mantém diálogo com Wellington Fagundes, o que mantém aberta a possibilidade de composição com a chapa liderada pelo Partido Liberal.
Independentemente da decisão final, o Podemos tornou-se uma das peças centrais das articulações desta reta final das convenções. Caso não alcance entendimento com nenhum dos dois blocos, a legenda poderá seguir sem alinhamento na disputa majoritária, concentrando esforços na eleição proporcional. O partido homologou 34 candidaturas para 2026, sendo 25 para a Assembleia Legislativa e nove para a Câmara dos Deputados.
Definições das chapas
Pelo grupo governista, Otaviano Pivetta (Republicanos) disputará a reeleição tendo Fábio Garcia (União Brasil) como candidato a vice-governador. A chapa ao Senado será formada por Mauro Mendes (União Brasil) e Margareth Buzetti (PP).
No campo oposicionista de centro-direita, Wellington Fagundes (PL) terá Marcelo Malouf (Novo) como candidato a vice-governador. Para o Senado, a coligação reunirá José Medeiros (PL) e Janaina Riva (MDB).
MDB oficializa apoio
Também nesta terça-feira, o MDB homologou, em convenção realizada na Musiva, em Cuiabá, a candidatura de Janaina Riva ao Senado e oficializou apoio à candidatura de Wellington Fagundes ao Governo do Estado. O evento contou com a presença de Jayme Campos, que reafirmou apoio tanto à parlamentar quanto ao candidato do PL.
Nas chapas proporcionais, o MDB confirmou nomes como Eduardo Botelho, Jéssica Riva, Léo Bortolin, Dr. João e Thiago Silva para a disputa por vagas na Assembleia Legislativa.