As convenções partidárias realizadas nas últimas semanas consolidaram o cenário político de Mato Grosso para as eleições de outubro e evidenciaram um quadro marcado pela reorganização das principais forças estaduais. A definição das candidaturas confirmou a fragmentação do campo da direita (refletindo o cenário nacional), o reposicionamento dos partidos de centro e centro-esquerda e a entrada de novas legendas na disputa, desenhando um ambiente eleitoral mais competitivo do que o observado em pleitos anteriores.
Direita chega dividida ao pleito
O principal movimento ocorreu no campo da direita. O Partido Liberal (PL), principal legenda do segmento no atual cenário nacional, confirmou ainda em julho o senador Wellington Fagundes como candidato ao Governo de Mato Grosso e o deputado federal José Medeiros para a disputa ao Senado. Na esfera nacional, a sigla acompanhará a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

Pivetta deverá ser confirmado como candidato ao governo nesta terça, em convenção do Republicanos.

Fagundes é o nome do PL para a disputa pelo Paiaguás.
No outro bloco, União Brasil e Republicanos caminharam para a formação de uma aliança em torno da candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta. A definição ganhou força após a convenção do União Brasil, que rejeitou, por 30 votos a 19, a candidatura própria do senador Jayme Campos ao Governo do Estado. O resultado expôs divergências internas na legenda e levou Jayme a criticar a condução da convenção, chegando a admitir a possibilidade de reavaliar sua permanência no partido.
A convenção do Republicanos, marcada para esta terça-feira (4), deverá formalizar a candidatura de Pivetta e consolidar a composição do grupo governista, encerrando o ciclo de definições das principais forças de centro-direita no Estado.
Centro e esquerda apostam em alianças
As convenções também confirmaram uma estratégia distinta entre os partidos de centro e centro-esquerda. O PSD assumiu protagonismo ao lançar a médica Natasha Slhessarenko ao Governo do Estado, tendo como candidato a vice-governador Diogo Botelho (PDT).

Natasha Slhessarenko foi confirmada pelo PSD como candidata ao Governo do Estado.
A composição reuniu PSD, Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), PSB, PDT, PSOL e Rede Sustentabilidade, formando uma ampla aliança para enfrentar os dois principais blocos da direita. O senador Carlos Fávaro (PSD) tentará a reeleição ao Senado, enquanto o ex-governador Pedro Taques (PSB) tenta retornar ao cenário político estadual disputando a segunda vaga da Câmara Alta.
Nesse contexto, chamou atenção a decisão do Partido dos Trabalhadores de não apresentar candidatura própria ao Governo de Mato Grosso. A legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por priorizar a composição da aliança liderada pelo PSD, movimento interpretado como reflexo das dificuldades históricas da sigla em disputar o Executivo estadual e da busca por ampliar sua participação por meio de uma frente partidária.
A aliança também apresenta uma característica singular no plano nacional. Embora reúna partidos que apoiam o governo Lula, o PSD mantém seu projeto presidencial em torno do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, evidenciando a coexistência de diferentes estratégias nacionais dentro da mesma composição estadual.
Novos partidos buscam espaço
Outro destaque do processo eleitoral é a estreia do partido Missão em Mato Grosso. A legenda homologou Rafaell Milas de Oliveira como candidato ao Governo do Estado, lançou chapa para deputado federal e decidiu disputar a eleição sem coligações.

Missão homologou Rafaell Milas de Oliveira como candidato ao Governo.
Mesmo ainda com estrutura reduzida, o partido procura utilizar sua primeira participação no Estado para ampliar visibilidade política, fortalecer sua organização regional, buscar algum espaço nas eleições proporcionais e construir espaço para futuras disputas eleitorais. A sigla integra o projeto nacional liderado por Renan Santos e aposta na eleição de 2026 como etapa de consolidação de sua presença no cenário mato-grossense.
Com as convenções praticamente encerradas, Mato Grosso chega ao início da campanha com três movimentos políticos bem definidos: a direita dividida entre dois projetos competitivos; uma ampla coalizão de centro e centro-esquerda buscando ampliar protagonismo por meio de alianças; e novas legendas tentando ocupar espaço em um ambiente eleitoral cada vez mais fragmentado.
A partir da oficialização das candidaturas, a tendência é que o debate político passe gradualmente das articulações partidárias para a apresentação de propostas e para a disputa pelo eleitorado nas diferentes regiões do Estado.