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Economia & Mercado

Agro vive debate sobre a exportação de animais vivos e o fechamento da safra de milho

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A edição desta sexta-feira (07/08/2026) da coluna Circuito Rural, assinada pelo jornalista Olmir Cividini, coloca em pauta dois dos assuntos mais debatidos no agronegócio nacional: a polêmica em torno do projeto de lei que visa proibir a exportação de animais vivos e o encerramento da safra de milho, marcada por recordes de produtividade e desafios de mercado.

Polêmica: projeto de lei e a exportação de animais vivos

O principal destaque político da coluna é a análise do projeto de lei de autoria da deputada Gleisi Hoffmann (PT), que propõe a proibição da exportação de animais vivos para o abate. A parlamentar argumenta que a medida é necessária para garantir a proteção ao bem-estar animal durante as longas viagens e sustenta que a proibição incentivará o processamento da carne dentro do Brasil, favorecendo a indústria frigorífica nacional e seus segmentos correlatos através da geração de empregos e maior valor agregado às exportações.

No entanto, a proposta foi recebida com forte resistência pelo setor produtivo e por entidades representativas da pecuária. O principal argumento contrário aponta que o Brasil movimenta mais de 1 bilhão de dólares anualmente com esse segmento, atendendo principalmente a mercados específicos do Oriente Médio, onde exigências religiosas impõem que o abate ocorra no país de destino.

Em sua análise crítica, Olmir Cividini destaca que a proibição da exportação de animais vivos pode retirar um concorrente importante do mercado, resultando em concentração de poder nas mãos dos grandes frigoríficos, o que prejudicaria diretamente o pecuarista com a redução de preços pagos pela arroba.

Cividini enfatiza que mudanças estruturais dessa magnitude exigem embasamento técnico, amplo diálogo com o setor produtivo e avaliações rigorosas de impacto econômico, em vez de restrições que podem gerar um efeito reverso à economia nacional.

Safra de milho: recordes históricos e pressão nos preços

No campo produtivo, Cividini traz um panorama otimista sobre o encerramento da segunda safra de milho (“safrinha”), que consolida resultados históricos no país. Em Mato Grosso, a colheita atingiu patamares impressionantes, com uma produção estimada em 57,3 milhões de toneladas e uma produtividade média que saltou para 128,5 sacas por hectare.

No cenário nacional, o avanço da colheita da safrinha alcançou 69% da área total, projetando uma safra global que se aproxima de 143 milhões de toneladas.

Contudo, o jornalista aponta que a alta oferta gerou um descompasso temporário, pressionando os preços para baixo e desafiando a margem de lucro dos produtores, além de impor dificuldades logísticas para o escoamento do cereal. A expectativa para o segundo semestre reside na intensificação das exportações e na expansão do mercado interno de etanol de milho para reequilibrar as cotações.

Ouça a coluna Circuito Rural, na íntegra:

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Economia & Mercado

Momento Agrícola: Suspensão europeia põe carne brasileira e Mato Grosso sob pressão

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Veto europeu à carne brasileira está previsto para 3 de setembro. Oportunidade temporária nos Estados Unidos, suspeita tributária em azeites, milho sem reação no Brasil e liderança mundial do algodão nacional são os destaques do Momento Agrícola deste sábado.

Novos riscos comerciais e novas exigências regulatórias se apresentam para o agronegócio brasileiro neste final de agosto. Paralelamente, oportunidades pontuais surgem no mercado internacional. Na edição deste sábado (29.08) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra, destaca a possibilidade de a União Europeia suspender, a partir de 3 de setembro, as importações de produtos brasileiros de origem animal.

São barreiras comerciais relevantes e que causam apreensão em toda a cadeia da carne. A medida envolve principalmente carnes bovina e de frango, além do mel. Segundo informações repercutidas pelo programa, o impasse está relacionado às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos e à avaliação de que o Brasil ainda não fornece garantias e informações suficientes sobre seus controles.

Conforme reportado pelo Canal Rural na semana que passou, a questão não envolve uma acusação de má qualidade da carne brasileira, mas divergências sobre protocolos, rastreabilidade e comprovação sanitária.

Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

A Europa não é o principal destino da carne brasileira em volume, mas compra cortes de maior valor agregado, daí a importância daquele mercado. Uma suspensão prolongada poderia reduzir a concorrência por determinados cortes, pressionar margens de frigoríficos e pecuaristas e exigir a busca de mercados alternativos. O setor estima que a adaptação às novas regras possa levar cerca de dois anos. O governo brasileiro pretende negociar e, se necessário, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mato Grosso já sente

O risco é relevante para Mato Grosso, que é líder nacional nas exportações de carne bovina. Para se ter uma ideia, o estado enviou 978,4 mil toneladas da proteína para 92 países em 2025. Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

Se confirmada, a suspensão não significará a paralisação das vendas, mas mudança de destinos e influência nos preços e no planejamento dos embarques. Parte da produção teria de ser redirecionada, aumentando a importância de mercados alternativos e da comprovação do histórico sanitário dos animais.

Há, porém, outro movimento no mercado internacional, este na direção oposta. Os Estados Unidos podem abrir uma janela favorável com o anúncio do governo de Donald Trump da ampliação temporária, em 300 mil toneladas, da cota de aparas de carne bovina magra importadas sem tarifa. O objetivo dos americanos é conter a alta dos preços ao consumidor. Para a Abiec, a medida pode representar oportunidade para o Brasil, embora o país dispute o espaço com outros fornecedores e o benefício dependa de habilitação, logística, competitividade e duração da medida.

Azeite europeu no radar fiscal

Também no Momento Agrícola deste sábado, Ricardo Arioli destacou uma denúncia do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) à Receita Federal para investigar possível fraude tributária envolvendo azeites europeus vendidos no Brasil como extravirgens.

A suspeita surgiu após o Ministério da Agricultura analisar amostras de marcas conhecidas, identificando características compatíveis com azeite virgem, e não com a categoria declarada no rótulo.

A diferença também tem impacto tributário. Segundo o Ibraoliva, o extravirgem importado da Europa tem alíquota zero, enquanto o azeite virgem está sujeito a imposto de 9%. A entidade pede investigação sobre eventual classificação irregular e recolhimento menor de tributos. As empresas citadas afirmam manter controles de qualidade e algumas atribuem possíveis não conformidades a lotes específicos.

Milho sem reflexo automático

No conteúdo do programa há, também, uma análise dobre a redução das perspectivas de produção de milho nos Estados Unidos e na União Europeia. Apesar de uma menor oferta internacional normalmente favorecer as cotações externas, o movimento ainda não se refletiu nos preços brasileiros.

No mercado interno, fatores como a disponibilidade doméstica, a segunda safra, os estoques, a logística e o ritmo das exportações continuam tendo maior peso na formação das cotações. O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontou redução na previsão de estoques finais americanos e revisão para baixo do milho europeu.

Entre os destaques positivos, o algodão brasileiro mantém posição de liderança mundial nas exportações. Segundo dados da Abrapa, o país encerrou o ano comercial 2025/26 com cerca de 3,3 milhões de toneladas exportadas, receita de US$ 5,3 bilhões e crescimento de 19% sobre o período anterior. Volume, qualidade, certificação e rastreabilidade têm ampliado a confiança de compradores internacionais.

No segundo bloco, o programa repercute outras notícias da semana e aborda temas ligados à gestão do produtor, como mercado de carbono, em entrevista com o doutor Ludovino Lopes, e seguro rural e renegociação de dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Entrevistas

O Momento Agrícola traz, ainda, entrevistas com temas relevantes no ambiente no agronegócio:

  • O Mercado de Carbono vem aí, com Dr. Ludovino Lopes;
  • O Seguro e a Renegociação de Dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Ouça o programa, na íntegra:

 

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