Está se confirmando o que o Enfoque Business já havia antecipado em outubro e na primeira quinzena desse mês de janeiro. As chuvas concentradas se já se configuram em perdas na safra de soja em Mato Grosso. As chuvas provocam atrasos na colheita e prejudicam o escoamento por estradas não pavimentadas. Além disso, a estrutura de armazenagem insuficiente agrava a situação no estado que mais produz a oleaginosas.
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Os fatores relacionados à chuva e à logística levaram a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso – Aprosoja-MT – a questionar, em nota divulgada ontem (terça, 21), as previsões de safra recorde de soja para o estado na temporada 2024/25 anunciadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo a entidade, as chuvas intensas têm causado atrasos significativos na colheita, perdas de qualidade nos grãos e dificuldades logísticas que comprometem o desempenho da safra.
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A Conab projeta uma produção recorde de 46,16 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso, enquanto o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), em estimativa divulgada em dezembro, apontou para 44,04 milhões de toneladas. Porém, segundo a Aprosoja-MT, apenas 1,41% da área plantada foi colhida até o momento, uma redução de 11,41% em relação a igual período da safra anterior.
Cenário alarmante

Imagens de soja de lavouras da região do Parecis: Grãos avariados e perdas confirmadas.
O diretor-administrativo da Aprosoja-MT, Diego Bertuol, relatou, em nota, que o excesso de chuvas tem impossibilitado a colheita em diversas regiões. “O cenário é alarmante. Temos mais de 400 milímetros acumulados nos últimos 15 dias, impossibilitando as colheitas dos grãos prontos e também daqueles que já foram dessecados. Temos talhões com mais de 15 dias de dessecados, chegando a 20% de grãos avariados, outros com mais de 30% de umidade indo para o armazém, o que gera desconto de mais de 50% da carga”, disse.
No leste do estado, após um período prolongado de chuvas, os produtores conseguiram retomar a colheita em algumas áreas. No entanto, segundo a entidade, a qualidade da soja colhida foi severamente afetada, com índices elevados de grãos avariados, em média entre 20% e 25%.
De acordo com a Aprosoja-MT, o atraso na colheita também está comprometendo o plantio do milho segunda safra. “Com um intervalo reduzido para o cultivo, os produtores enfrentam o risco de plantar fora da janela ideal, aumentando a vulnerabilidade às condições climáticas adversas. Como já adquiriram sementes, fertilizantes e outros insumos, muitos não têm alternativa senão seguir com o plantio, mesmo em condições desfavoráveis”, diz a nota da entidade.
Além das perdas de qualidade, a Aprosoja-MT destacou problemas logísticos e estruturais. Segundo o vice-presidente da entidade, Luiz Pedro Bier, estradas não pavimentadas utilizadas para o escoamento de grãos estão em condições críticas devido às chuvas.
A capacidade insuficiente de armazenagem agrava a situação, com formação de filas em armazéns e rejeição de cargas com alto teor de umidade.
A Aprosoja-MT alertou ainda para o prolongamento do ciclo da soja devido à alta nebulosidade.
“O ciclo da soja, que chegaria com 110 ou 115 dias pronto para colher, está passando de 125 dias, além do aparecimento de algumas pragas. Isso acarreta uma grande perda da produção. Essa narrativa de safra recorde não se enquadra para esse momento em Mato Grosso”, disse Diego Bertuol.
(Redação EB, com informações de Canal Rural)