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Samae atualiza plano de contingência diante de estiagem e limite na capacidade de tratamento

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Estratégia prevê medidas escalonadas – inclusive o rodizio – para preservar o abastecimento durante o período crítico e prioriza serviços essenciais em caso de agravamento

As chuvas estão voltando em todo o estado de Mato Grosso. Mas os efeitos da estiagem ainda desafiam um setor sensível do município: o abastecimento de água.

O momento é de atenção. O consumo de água aumentou e o município ainda trabalha para ampliar a capacidade de tratamento de água para abastecer a população de 116 mil habitantes e cerca de 40 mil economias de consumo.

A transição entre o período de estiagem e o início das chuvas converge justamente para um período de alta no consumo. Na semana que passou, as temperaturas chegaram próximas dos 40°C e muitos bairros enfrentaram momentos de desabastecimento, gerando justificado descontentamento. Afinal, o preço da água subiu 54% recentemente e o consumidor, que paga a conta, exige um abastecimento minimamente regular.

A situação do município envolve dois aspectos: um positivo e outro negativo. O aspecto positivo é que a água bruta para tratamento é mais que suficiente para enfrentar o período crítico. Já o aspecto negativo – este sim, determinante – é que a capacidade de tratamento da ETA Queima Pé está no limite da demanda atual. Ou seja, qualquer aumento no consumo – no caso, os picos de demanda – impacta diretamente na regularidade do abastecimento.

Reservação de água bruta corresponde a um fator positivo no sistema de abastecimento da cidade.

É nesse contexto que o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) atualizou, em setembro, o Plano de Contingência Operacional para Crise Hídrica, estabelecendo procedimentos que vão desde o monitoramento intensificado até a adoção de rodízio e restrições de consumo, caso os indicadores operacionais exijam.

O documento, assinado pela direção e gerências do Samae no último dia 03 (quinta-feira), considera que a continuidade do abastecimento pode ser afetada não somente pela estiagem, mas também por fatores como crescimento da demanda, perdas reais e aparentes, falhas eletromecânicas, interrupções de energia, problemas de qualidade da água e indisponibilidade de unidades do sistema.

A lógica adotada pelo plano é, portanto, mais ampla que simplesmente acompanhar o nível da Represa SITNA. O Samae passa a considerar conjuntamente a cota e o volume de água bruta, vazões de captação e tratamento, níveis dos reservatórios, pressão na rede, perdas, qualidade da água, energia e disponibilidade dos equipamentos.

Rodízio é uma das medidas previstas

O plano estabelece cinco níveis de contingência, classificados de 0 a 4, conforme a situação do sistema. No nível normal, a partir da cota de 364,5 metros na Represa SITNA, a orientação é de prevenção e monitoramento.

A partir do nível de atenção, entre 364,0 e 364,5 metros, o Samae prevê intensificação do acompanhamento do manancial, combate a vazamentos, controle de pressões, comunicação preventiva e avaliação diária da necessidade de avançar para um estágio mais crítico.

É no Nível 2 – Alerta/Contingência, correspondente à faixa entre 363,0 e 364,0 metros, que o plano prevê formalmente a preparação ou implantação de rodízio/setorização, de acordo com o estudo operacional e a disponibilidade de água armazenada nos reservatórios. Também podem ser adotadas medidas para reduzir pressões e restringir usos não essenciais.

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O documento, contudo, não estabelece neste momento um calendário com bairros, dias ou horários de interrupção. O que está definido é o mecanismo de acionamento: em caso de necessidade, o abastecimento poderá ser organizado por setores, considerando a capacidade de reservação e as condições operacionais do sistema.

No Nível 3, considerado de emergência, a medida ganha maior intensidade. O Samae prevê abastecimento intermitente/rodízio conforme o plano de setores e a capacidade de reservação, além da restrição de usos não essenciais e, se necessário, utilização de fontes alternativas e caminhões-pipa.

Serviços essenciais terão prioridade

Uma das principais preocupações estabelecidas no plano é preservar o atendimento aos serviços essenciais. Em um cenário de emergência, hospitais, unidades de saúde, escolas, serviços de segurança e outras estruturas essenciais deverão receber prioridade.

O documento também determina que qualquer redução de produção ou alteração do regime de abastecimento deve preservar a qualidade da água. A capacidade de tratamento não poderá ser ampliada além do que as unidades conseguem operar com segurança sanitária.

Essa é uma questão particularmente relevante para o cenário atual. Como já demonstrado pelo Especial – Segurança Hídrica, o município dispõe de água bruta armazenada, mas a capacidade de tratamento e a estrutura de distribuição precisam acompanhar uma demanda que cresce justamente nos períodos de calor intenso e estiagem.

O próprio plano reconhece que a simples existência de obras não significa que a capacidade adicional já esteja disponível. Novas estruturas somente passam a ser consideradas capacidade efetiva de contingência depois de concluídos testes, comissionamento, validações hidráulicas e operacionais, além das exigências de qualidade e licenciamento.

Obras devem ampliar margem de segurança

O plano relaciona uma série de obras consideradas estratégicas para aumentar a resiliência do sistema. Entre elas estão a nova captação de água bruta do Rio Sepotuba, ainda em fase de testes; o alteamento e reforço da segurança da barragem da Represa SITNA, já concluído; um novo filtro de 50 litros por segundo para a ETA existente; uma ETA modular metálica de 150 litros por segundo; uma nova adutora de água tratada e três reservatórios de 3 mil metros cúbicos cada.

Quando concluídos e integrados ao sistema, os três novos reservatórios representarão 9 milhões de litros adicionais de reservação. Segundo o Samae, o conjunto das obras deverá ampliar a capacidade de resposta aos picos de consumo, reduzir a vulnerabilidade do sistema e contribuir para diminuir a probabilidade e a duração de eventuais rodízios em períodos de escassez.

A captação do Rio Sepotuba (foto acima), por sua vez, aparece como uma alternativa estratégica para diversificar as fontes de água bruta e reduzir a dependência da SITNA. Mas o próprio plano estabelece que ela só poderá ser considerada efetivamente como recurso de contingência após a conclusão dos testes e a comprovação das condições hidráulicas, eletromecânicas e de qualidade da água, além do atendimento às exigências legais.

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Estiagem é classificada como risco de prioridade muito alta

Na matriz de riscos elaborada pelo Samae, a estiagem prolongada aparece com impacto alto e prioridade muito alta. A estratégia prevista envolve monitoramento, reservação, diversificação dos mananciais e redução de perdas. Em caso de agravamento, estão previstas restrição do consumo, utilização de fontes alternativas e rodízio.

A baixa reservação também é classificada como risco de prioridade muito alta, com resposta baseada na redução da demanda e adoção de rodízio ou setorização, além da priorização das áreas críticas.

Por isso, o plano não condiciona necessariamente a adoção de medidas de contingência apenas à queda acentuada da Represa SITNA. O nível de resposta pode ser elevado mesmo com a cota do manancial dentro da faixa considerada normal se outro evento comprometer significativamente a produção ou a distribuição de água.

Comunicação deverá acompanhar eventual mudança no abastecimento

Outro ponto de interesse direto da população é a comunicação. O plano determina que, em situações de contingência, as informações sejam centralizadas, objetivas, transparentes e baseadas em dados confirmados pela equipe técnica.

A população deverá ser informada, sempre que possível, sobre a situação do sistema, áreas afetadas, medidas adotadas, previsão de normalização e orientações para uso racional da água. Entre os canais previstos estão o site institucional, redes sociais oficiais, rádio local, carros de som e outros meios institucionais.

O plano também prevê que ocorrências classificadas a partir do Nível 2 gerem relatório detalhado, incluindo as áreas afetadas, volumes produzidos e distribuídos, medidas adotadas, tempo de recuperação e avaliação da eficácia das ações.

Objetivo é atravessar período crítico sem comprometer a segurança do sistema

A atualização do plano ocorre, portanto, em um momento particularmente sensível para o abastecimento de Tangará da Serra. O município entra na fase de transição climática ainda submetido aos efeitos de uma estiagem prolongada e de temperaturas elevadas, enquanto o sistema precisa administrar uma demanda que pode superar sua capacidade operacional nos horários de maior consumo.

O objetivo declarado pelo Samae é reduzir o risco de interrupção ou degradação do abastecimento, preservar os volumes disponíveis, priorizar serviços essenciais e manter o controle sanitário da água em qualquer cenário.

Enquanto as obras estruturantes avançam e novas fontes e estruturas de tratamento e reservação são incorporadas ao sistema, o plano de contingência funciona como uma espécie de linha de defesa operacional para atravessar os períodos de maior pressão sobre o abastecimento.

A perspectiva do próprio Samae é que a segurança hídrica do município resulte justamente da combinação entre água disponível no manancial, capacidade de tratamento, reservação, adução, redução de perdas e eficiência operacional.

(*) Veja no arquivo abaixo a íntegra do PCO:

Plano de Contigência Operacional_2º Semestre 2026

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Feira do Produtor do Centro: onde Tangará da Serra se encontra aos domingos

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Entre tomates, pamonhas, pastéis, conversas e reencontros, a Feira do Centro é mais do que um lugar de compras: é um retrato vivo da cidade

Domingo tem cheiro de café passado na hora, de caldo de cana, de pastel frito e de terra trazida da roça junto com a mandioca, a couve, a alface e o rabanete.

Em Tangará da Serra, domingo também tem cheiro de Feira. E quem quiser entender um pouco da alma desta cidade talvez devesse acordar cedo neste domingo (6) e dar uma volta pela Feira do Produtor do Centro. Não para fazer compras apenas. Para ver Tangará.

A Feira começa a ganhar movimento quando boa parte da cidade ainda dorme. Às cinco da manhã, os feirantes já estão por lá. Naquele vai-e-vem, chegam com hortaliças recém-colhidas. Outros trazem frutas, queijos, doces, embutidos, ovos, carnes, peixes, flores, temperos, compotas e uma infinidade de produtos que fazem da agricultura familiar uma espécie de supermercado sob um grande pavilhão — só que muito mais humano.

Feira abre neste domingo a partir das 05h00 da manhã.

Nesta época do ano, o tomate aparece bonito e com preço melhor. Há abobrinha, couve, alface, rabanete, mandioca, couve-flor e aquelas pimentas vistosas que parecem ter sido escolhidas uma a uma pela natureza para enfeitar a banca.

Tem abacaxi, melancia, mamão, laranja e limão.

Tem queijo colonial, leite natural, doces, banha de porco, frango caipira e semi-caipira, ovos e carnes para o churrasco do domingão. Tem peixe grande e pequeno, de rio ou de tanque. Tem flores e folhagens, roupas e artigos importados. Tem praticamente de tudo.

Só não se vende alegria e bom-humor. Esses são de graça.

A cidade cabe na Feira

A Feira do Produtor do Centro é realizada às quartas-feiras e aos domingos. Mas é no domingo que ela se transforma em uma espécie de grande praça pública de Tangará da Serra.

Feira do Centro aguarda bom público neste domingo.

Segundo a Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (ASFET), a estimativa é de que seis mil pessoas ou mais passem pelo local em um domingo.

Se o número impressiona, mais interessante ainda é observar quem são essas pessoas.

Famílias inteiras ocupam a praça de alimentação. Amigos se reencontram. Gente que não se vê durante a semana encontra-se diante de um pastel, de uma pamonha ou de um cafezinho. O cidadão que saiu da balada ainda de madrugada passa por ali antes de ir para casa. O trabalhador que levantou cedo chega para comprar os produtos da semana. A família chega com as crianças. E todos circulam pelo mesmo espaço.

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Na Feira, as diferenças sociais parecem perder importância por algumas horas.

Não existe o “doutor” de um lado e o trabalhador do outro. Não existe o empresário, o servidor público, o produtor rural, o comerciante, o aposentado ou o estudante.

Existe, tão somente, o tangaraense.

Ou, melhor dizendo, existe o cidadão que faz parte da vida de Tangará da Serra.

É ali, entre uma banca de hortaliças e uma mesa da praça de alimentação, que a cidade conversa consigo mesma.

Discute-se política. Comenta-se futebol. Fala-se de negócios.

Conta-se uma novidade. Pergunta-se pela saúde de alguém.

E, quando ninguém sabe exatamente como a história começou, ela já está circulando pela Feira. É a velha e eficiente “rádio-peão”.

Aliás, talvez nenhuma tecnologia tenha conseguido superar a velocidade de uma boa conversa de feira.

Pamonha, pastel e conversa fiada

A gastronomia também ajuda a explicar esse fenômeno.

Tem pamonha. Tem tapioca. Tem pastel. Tem bolinho de carne. Tem esfirra. Tem risole de carne e queijo. Tem enroladinho de salsicha. Tem café. Tem caldo de cana. Tem suco de laranja.

E tem aquela decisão difícil diante da barraca: “Vou só tomar um café.”

Minutos depois, aparece o pastel. Depois, a pamonha. E talvez mais um caldo de cana.

Porque (com licença) domingo é domingo!

A praça de alimentação é quase um laboratório de convivência social. Gente que chegou apenas para comprar tomate acaba ficando para conversar. Quem veio tomar café encontra um amigo. Quem encontrou um amigo encontra outro.

E a Feira vai ficando cheia.

Para quem vem de fora, a cena costuma causar surpresa. Quem visita a Feira pela primeira vez talvez imaginasse que encontraria apenas um mercado popular. Não encontrou! Encontrou um dos lugares onde Tangará da Serra mais se reconhece.

A Feira muda, mas não perde sua essência

E enquanto a cidade compra, conversa, come e circula, a própria Feira está mudando.

O espaço passa por uma obra de reforma e modernização. A nova sede administrativa já avançou para uma etapa bastante visível: a laje foi concretada, inclusive com a solução de isolamento térmico e acústico, e agora a estrutura se prepara para receber o segundo pavimento.

A obra faz parte de um projeto de modernização do espaço, que prevê uma nova estrutura administrativa, recepção, salas, auditório, elevador, sanitários acessíveis, modernização da rede elétrica, iluminação em LED e uma nova praça de alimentação. A primeira etapa tem investimento de R$ 1,9 milhão.

“É uma transformação necessária”, observa o presidente da Asfet, Valdeci Ferraz Aquino.

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Mas há algo que nenhuma reforma deveria mudar: a essência da Feira.

Porque pode mudar o prédio. Pode mudar o piso. Podem mudar os boxes.

Pode ganhar uma nova administração, uma nova rede elétrica, uma nova praça de alimentação e uma estrutura mais moderna.

Mas o que faz a Feira ser a Feira não está no concreto. Está nas pessoas. Está no produtor que chega cedo. Na dona da banca que conhece pelo nome o cliente antigo. No cheiro da pamonha. Na pimenta recém-colhida. No queijo colonial. No cafezinho servido quente.

Na família que chega cedo. No boêmio que ainda não foi dormir. Na conversa atravessada entre uma compra e outra. No amigo que aparece depois de meses sem ser visto. Na notícia que chega antes pela boca de alguém do que pelas redes sociais.

E, claro, naquela sensação de que, por algumas horas, todo mundo pertence ao mesmo lugar.

Um retrato de Tangará

Tangará da Serra cresceu. Tornou-se uma cidade grande do interior, polo regional, com novos bairros, novos empreendimentos, novos hábitos e uma economia cada vez mais diversificada.

Mas há coisas que o crescimento não deveria (e nem vai) levar embora.

A Feira é uma delas.

Porque ela mantém viva uma ligação que está na própria origem de Tangará: a relação entre cidade e campo, entre quem produz e quem consome, entre a agricultura familiar e a vida urbana.

É também um daqueles raros lugares em que a cidade consegue se olhar no espelho sem maquiagem.

Ali está o Tangará trabalhador. O Tangará empreendedor. O Tangará rural. O Tangará urbano. O Tangará que acorda cedo e o que vai dormir tarde.

Está o Tangará que fala de política com convicção, mesmo quando não entende muito do assunto. O Tangará que sabe de tudo um pouco. O Tangará que sempre conhece alguém que conhece alguém que sabe o que realmente aconteceu.

É o Tangará das histórias, dos encontros e dos sabores.

Por isso, a Feira do Produtor do Centro é muito mais do que um ponto de comercialização da agricultura familiar.

É um ponto de encontro. É um espaço de convivência.

É tradição. É memória. É presente.

E, de certa forma, é também uma fotografia em movimento da cidade.

Uma fotografia que começa a ser revelada ainda no escuro, quando os primeiros feirantes chegam. E que ganha todas as cores quando o sol aparece sobre Tangará da Serra.

Neste domingo, a Feira estará lá novamente.

E, sobretudo, estará lá aquilo que nenhum projeto de engenharia consegue colocar em uma planta baixa:

a cara de Tangará da Serra.

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