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ESPECIAL: SEGURANÇA HÍDRICA

Município busca reestruturação para corrigir deficiências que comprometem o abastecimento

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A modernização do abastecimento de Tangará da Serra ocorre de forma progressiva e alcança todas as etapas do sistema. Segundo o Samae, a falta de investimentos programáticos ao longo dos anos acumulou necessidades que agora precisam ser enfrentadas de maneira simultânea, dentro dos prazos e procedimentos próprios da administração pública.

Nos últimos cinco anos, a autarquia vem ampliando a produção, o transporte e o armazenamento de água tratada, buscando reduzir a dependência de uma única estrutura e aumentar a segurança operacional do município.

Modelo de ETA modular (foto ilustrativa)

Além da nova captação no rio Sepotuba e do alteamento da represa Sitna, estão em execução a nova ETA metálica, com acréscimo previsto de aproximadamente 150 litros por segundo (mais 50 litros/segundo com a recuperação de um filtro já existente no complexo), e uma nova adutora de água tratada, que deverá ampliar a capacidade de transporte da água produzida até os reservatórios e a rede de distribuição. A ampliação da ETA já ultrapassou 40% de execução, enquanto a adutora supera 80%.

Também está previsto para setembro o início da construção de três novos reservatórios de 3 mil metros cúbicos cada, acrescentando 9 milhões de litros à atual capacidade de reservação do sistema.

Calor evidencia limite atual

A necessidade de ampliar a capacidade de tratamento não é apenas uma projeção para os próximos anos. Ela já se manifesta em períodos de temperaturas elevadas, quando o consumo aumenta e o sistema atual chega ao limite de sua capacidade.

Nos últimos dias, moradores de bairros como os residenciais Barcelona e Valência relataram falta de água. Nesses casos, segundo o contexto apresentado pelo Samae, a capacidade de tratamento não foi suficiente para acompanhar a demanda, deixando moradores sem abastecimento.

Capacidade de tratamento de água é insuficiente para os dias de alto consumo, resultando em desabastecimento em vários bairros.

O episódio evidencia uma das limitações que a reestruturação pretende enfrentar. Com uma estrutura de tratamento mais robusta, o sistema deverá ter maior margem operacional justamente nos períodos em que o consumo aumenta de forma acentuada — situação que tende a pressionar ainda mais o abastecimento em uma cidade que continua crescendo.

A ampliação, portanto, tem uma dupla função: corrigir uma limitação que já produz efeitos em momentos críticos e, ao mesmo tempo, criar capacidade para atender à demanda futura.

O conjunto de obras mostra que ampliar a segurança hídrica não significa apenas produzir mais água. É necessário garantir capacidade em toda a cadeia:

CAPTAÇÃO → TRATAMENTO → ADUÇÃO → RESERVAÇÃO → DISTRIBUIÇÃO

Com a conclusão dos projetos, a expectativa é de que Tangará da Serra disponha de maior capacidade de resposta nos períodos de estiagem e de elevado consumo, reduzindo a possibilidade de que o aumento da demanda leve novamente o sistema ao seu limite.

É essa margem de segurança que hoje falta em momentos de maior pressão sobre o abastecimento e que se torna cada vez mais necessária diante do crescimento urbano do município.

Veja matérias relacionadas da série ESPECIAL – SEGURANÇA HÍDRICA:

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Tangará da Serra amplia capacidade de abastecimento para sustentar crescimento

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ESPECIAL: SEGURANÇA HÍDRICA

Sistema Sepotuba será novo dispositivo de segurança hídrica de Tangará da Serra

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A série “Especial – Segurança Hídrica” mostrou os investimentos para ampliar a capacidade de tratamento e reservação, além dos desafios para reduzir as perdas na distribuição de água em Tangará da Serra. Agora, o foco está no Sistema Sepotuba, nova fonte de captação ainda em fase final de implantação e que, após concluída, deverá diversificar o abastecimento e criar uma margem maior de segurança para a cidade que continua crescendo.

Com capacidade de captação de 450 litros por segundo e investimento estimado em R$ 40 milhões, sistema entra na fase final de implantação e deverá ampliar a segurança do abastecimento

Segurança hídrica é um tema cada vez mais sensível no Brasil e no mundo. Para uma cidade como Tangará da Serra, que vivenciou crises de abastecimento em um passado recente, garantir a regularidade do fornecimento deixou de ser apenas uma questão operacional. Tornou-se uma prioridade.

É nesse contexto que uma das obras mais esperadas do sistema poderá chegar à fase de operação ainda neste ano ou numa segunda hipótese, no primeiro trimestre de 2027: o Sistema Sepotuba, estrutura destinada à captação e adução de água bruta do rio Sepotuba.

Com capacidade para captar 450 litros por segundo, o novo sistema acrescentará uma alternativa de fornecimento ao abastecimento municipal. Em uma situação extrema que comprometa temporariamente a disponibilidade dos mananciais atualmente utilizados, o Sepotuba poderá funcionar como um importante dispositivo de segurança.

Uma obra de aproximadamente R$ 40 milhões

O Sistema Sepotuba recebeu investimentos estimados em R$ 40 milhões desde o início de sua implantação, em meados de 2018. A obra está com aproximadamente 95% de conclusão.

Entre as etapas finais está a implantação da subestação de energia no local da captação. O sistema de alimentação elétrica pela Energisa também está em fase final de liberação.

Concluída essa etapa, o empreendimento deverá entrar em período de testes antes do início efetivo da operação. A expectativa é de que essa fase ocorra ainda neste ano.

450 litros por segundo

A capacidade de captação do novo sistema será de 450 litros por segundo. Para isso, foram instaladas três bombas de 750 kVA: uma destinada à operação e duas mantidas como reserva.

A configuração oferece redundância operacional. Duas bombas poderão permanecer disponíveis para substituição da unidade em funcionamento em situações de manutenção ou eventual falha.

Esse é um princípio importante da segurança hídrica: não basta possuir capacidade instalada; é preciso ter alternativas capazes de manter o sistema funcionando diante de eventuais falhas.

Uma segunda alternativa de abastecimento

O principal significado do Sepotuba está na diversificação das fontes.

Atualmente, o sistema municipal tem como principal estrutura a ETA Queima-Pé, abastecida pelo rio Queima-Pé e pelos córregos Figueira e Uberabinha, além do reforço proporcionado pela rede de poços artesianos.

Prefeito Vander Masson: Segurança hídrica faz parte do conjunto de medidas visando o Marco Legal do Saneamento Básico.

A entrada do Sepotuba acrescentará uma nova fonte de captação ao sistema. Isso reduz a vulnerabilidade diante de situações em que a disponibilidade dos mananciais atualmente utilizados seja afetada por condições climáticas extremas ou outros eventos que reduzam temporariamente a oferta de água.

Não significa substituir automaticamente a estrutura existente, mas criar uma alternativa complementar para situações de maior pressão sobre o abastecimento.

O prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson, mostra otimismo e se diz convicto da proximidade da entrada em operação do novo sistema. “Num próximo momento, a gente vai contar a história da questão do Sepotuba, e vamos mostrar a água chegando, lá na frente, na represa Sitna, onde já temos um ramal receptor”, prevê, acrescentando que a segurança hídrica integra o conjunto de medidas visando o Marco Legal do Saneamento Básico no município.

Local onde a água do Sepotuba chegará, na represa Sitna, para tratamento na ETA Queima Pé: “Novo patamar de segurança no abastecimento”, segundo o diretor do Samae, Marcos Scolari.

A experiência das crises

A preocupação não é meramente teórica. Tangará da Serra já enfrentou períodos críticos de abastecimento, nos quais a redução da disponibilidade de água obrigou o município a adotar medidas emergenciais para manter o fornecimento à população.

Quando a água deixa de chegar regularmente às residências, o problema ultrapassa o saneamento. Afeta escolas, unidades de saúde, comércio, empresas, construção civil e a rotina da população.

Para uma cidade em expansão, os efeitos podem ser ainda mais amplos. Segurança hídrica passa, portanto, a ser uma condição para a continuidade do desenvolvimento.

Sepotuba e o crescimento da cidade

A entrada em operação do novo sistema ocorrerá justamente quando Tangará da Serra vive uma etapa de ampliação de sua infraestrutura urbana, criando condições para receber novos empreendimentos imobiliários e empresariais.

“Novos bairros significam novas ligações. Novos empreendimentos significam novos consumidores. Novas empresas podem representar demandas adicionais, dependendo da atividade econômica”, observa o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Silvio José Sommavilla.

Segundo ele, a infraestrutura hídrica precisa crescer antes ou, no mínimo, acompanhar o ritmo da expansão urbana.

Nesse contexto, o Sepotuba integra uma estratégia que vai além da obra de captação: oferecer capacidade adicional justamente quando o município amplia sua demanda por infraestrutura.

Não é apenas uma obra de captação

O Sistema Sepotuba precisa ser compreendido dentro de uma estratégia mais ampla.

A segurança hídrica não será resultado de uma única obra. Dependerá da combinação entre preservação dos mananciais, capacidade de captação, tratamento, reservação, distribuição eficiente e redução das perdas.

Nesse conjunto, o Sepotuba cumpre uma função específica: ampliar e diversificar a capacidade de obtenção de água bruta.

A ETA Queima-Pé está sendo ampliada para aumentar a capacidade de tratamento. Os novos reservatórios elevarão a capacidade de armazenamento de água tratada. E a futura setorização da rede deverá enfrentar o problema das perdas.

São estruturas diferentes, mas complementares.

“Quando estiver em operação, o Sistema Sepotuba colocará Tangará da Serra em um novo patamar de segurança no abastecimento”, afirma o diretor do Samae, Marcos Scolari.

A cidade passará a contar com uma estrutura adicional de captação, capaz de captar até 450 litros por segundo e equipada com redundância operacional.

O resultado mais importante, entretanto, não será percebido apenas pelo volume de água captado, mas pela margem de segurança que o sistema passará a ter.

Para uma cidade que pretende continuar crescendo, essa margem é estratégica. Ela reduz o risco de que um evento extremo transforme o abastecimento em obstáculo ao desenvolvimento e cria melhores condições para que a expansão urbana, imobiliária e empresarial ocorra sobre uma infraestrutura capaz de acompanhá-la.

O Sepotuba, nesse sentido, não é apenas uma obra de saneamento. É uma das estruturas que deverão sustentar o próximo ciclo de crescimento de Tangará da Serra.

 

(*) Veja as outras matérias da série ESPECIAL – SEGURANÇA HÍDRICA:

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