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ESPECIAL: SEGURANÇA HÍDRICA

Tangará da Serra amplia capacidade de abastecimento para sustentar crescimento

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Investimentos em captação, tratamento, reservação e distribuição buscam eliminar gargalos históricos e preparar o município para a expansão urbana, imobiliária e empresarial

Tangará da Serra vive um momento de expansão urbana e econômica que coloca a infraestrutura entre os principais fatores para sustentar o desenvolvimento do município. Novos empreendimentos imobiliários, abertura de áreas destinadas à instalação de empresas e a própria expansão da cidade aumentam a necessidade de serviços públicos capazes de acompanhar esse movimento. Entre eles, um dos mais estratégicos é o saneamento básico, a começar pelo abastecimento de água.

É nesse contexto que o município vem promovendo uma série de investimentos para ampliar e modernizar o sistema de abastecimento. As medidas executadas e em andamento pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) buscam atender às necessidades atuais e, principalmente, criar condições para que Tangará da Serra possa crescer com maior segurança hídrica.

A estratégia envolve a recuperação da estrutura existente, ampliação da capacidade de tratamento, novos reservatórios, modernização de equipamentos, preservação dos mananciais e, principalmente, a entrada em operação do Sistema Sepotuba, que acrescentará uma nova fonte de captação ao abastecimento municipal.

O objetivo é reduzir a vulnerabilidade do sistema diante de períodos de maior demanda e preparar o município para um cenário de crescimento populacional e econômico.

Desafios que ainda persistem

Apesar dos avanços, situações pontuais ainda mostram a dimensão do desafio. No distrito de São Jorge, por exemplo, o abastecimento é afetado pela estiagem e pela baixa vazão dos poços perfurados pelo Samae. Dos sete poços já perfurados, apenas um apresentou condições de atendimento, ainda com vazão insuficiente para a demanda local.

Segundo o Samae, já há estudos para instalar uma unidade de tratamento e distribuição com capacidade de 15 litros por segundo, a partir de água captada de poço artesiano. Enquanto a solução é preparada, o abastecimento é complementado emergencialmente por caminhões-pipa. Uma alternativa em avaliação envolve parceria com uma propriedade rural que dispõe de reservatório de água, mas a implantação exigiria investimentos e prazo maior.

Um desafio histórico

“Era um desafio que o município tinha: tornar o abastecimento de água regular, livre de crises hídricas, autossuficiente, com qualidade na água e suportando crescimentos de demanda”, relata Marcos Scolari, diretor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae).

Segundo ele, a transformação do sistema exige não apenas obras físicas, mas também recuperação da capacidade financeira necessária para manter investimentos permanentes em saneamento.

Marcos Scolari: Ampliar a capacidade de reservação de água bruta foi a primeira medida.

Uma das medidas adotadas nesse processo foi a atualização da tarifa de água, que permanecia defasada havia vários anos. Em 2025, as tarifas de água e esgoto tiveram reajuste de 54,5%, autorizado pela Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Estado de Mato Grosso (ARIS-MT), por meio da Resolução nº 044. A medida provocou embates políticos na Câmara Municipal e questionamentos jurídicos relacionados à aplicação do reajuste nas contas dos consumidores.

O Samae sustentou a necessidade de recomposição tarifária com base na sustentabilidade financeira da autarquia, nos custos operacionais e nas exigências relacionadas ao contrato de Parceria Público-Privada (PPP). A justificativa é que uma estrutura de saneamento exige recursos permanentes para operação, manutenção, modernização e ampliação dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Nesse contexto, a atualização da tarifa foi tratada pelo Samae como uma medida necessária para recuperar sua capacidade de investimento, justamente em um período de ampliação da infraestrutura.

“Não se trata de encarecer a água, mas sim de situar a água no seu verdadeiro valor. Tratar e distribuir água tem custo alto e demanda investimentos, planejamento e serviços técnicos especializados”, afirma Scolari.

O diretor destaca que o município não pode abrir mão de uma tarifa capaz de garantir sustentabilidade financeira ao sistema.

“Precisamos ter condições para suportar uma estrutura que atende 114,6 mil pessoas, sendo 90% desta população consumindo água na zona urbana 24 horas por dia”, complementa, citando a última estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A recuperação da capacidade de investimento é, portanto, parte da estratégia. O desafio não está somente em obter mais água, mas em manter uma estrutura permanente de captação, tratamento, reservação, bombeamento e distribuição capaz de acompanhar o crescimento da cidade.

Orçamento do Samae

Para dimensionar esse esforço, o orçamento original do Samae para 2026 é de R$ 117,7 milhões. Desse total, R$ 44,2 milhões estão destinados à área de “Saneamento Básico Urbano” e R$ 52,8 milhões a ações de “Preservação e Conservação Ambiental”.

A preservação ambiental é parte da própria segurança hídrica. A disponibilidade de água para tratamento depende da conservação dos mananciais e das áreas de recarga que alimentam o sistema.

Máquinas trabalham na ETA Queima Pé: Ampliação da capacidade de tratamento compreende a segunda etapa.

Um exemplo é a recuperação da principal nascente do rio Queima-Pé, um dos mananciais que fornecem água bruta para o abastecimento de Tangará da Serra. O local vem apresentando resultados positivos após um projeto de revitalização iniciado em 2021.

A recuperação envolveu contenção de águas pluviais, instalação de dispositivos de recarga do lençol freático, recuperação da vegetação ciliar e monitoramento da vazão e da qualidade da água. O resultado reforça a importância da preservação dos mananciais e mostra que segurança hídrica depende da combinação entre recuperação ambiental, novas fontes de captação e ampliação da infraestrutura.

Água como infraestrutura para o desenvolvimento

A ampliação do abastecimento ganha importância diante da transformação pela qual Tangará da Serra passa. A expansão do mercado imobiliário e a abertura de novas áreas para empreendimentos empresariais ampliam a demanda por infraestrutura urbana.

Uma cidade pode disponibilizar terrenos para empresas, abrir novas áreas de expansão urbana e ampliar sua infraestrutura viária. Entretanto, esses investimentos precisam estar acompanhados de serviços básicos capazes de atender a população e as atividades econômicas incorporadas ao território.

Nesse cenário, a disponibilidade de água deixa de ser apenas uma questão relacionada ao atendimento da população atual e passa a representar também uma condição para novos investimentos.

Vander Masson: “Se um município quer crescer, ele precisa dar condições para quem está disposto a investir”.

“Se um município quer crescer, ele precisa dar condições para quem está disposto a investir. Sem isso, o município fica estagnado, sem perspectiva de crescimento, e não podemos esquecer que Tangará da Serra é um município que polariza toda uma região e que, por isso, tem condições de expandir sua economia. Esta é uma responsabilidade que uma gestão deve assumir”, observa o prefeito Vander Masson.

Para o setor imobiliário, maior capacidade de abastecimento significa condições para atender novos bairros e empreendimentos. Para a atividade empresarial, representa maior previsibilidade para investimentos que dependem de disponibilidade regular de água. Para o município, significa reduzir o risco de que o abastecimento se transforme em um gargalo para a expansão urbana e econômica.

A água, assim, passa a integrar a própria estratégia de desenvolvimento municipal.

 

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ESPECIAL: SEGURANÇA HÍDRICA

Sistema Sepotuba será novo dispositivo de segurança hídrica de Tangará da Serra

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A série “Especial – Segurança Hídrica” mostrou os investimentos para ampliar a capacidade de tratamento e reservação, além dos desafios para reduzir as perdas na distribuição de água em Tangará da Serra. Agora, o foco está no Sistema Sepotuba, nova fonte de captação ainda em fase final de implantação e que, após concluída, deverá diversificar o abastecimento e criar uma margem maior de segurança para a cidade que continua crescendo.

Com capacidade de captação de 450 litros por segundo e investimento estimado em R$ 40 milhões, sistema entra na fase final de implantação e deverá ampliar a segurança do abastecimento

Segurança hídrica é um tema cada vez mais sensível no Brasil e no mundo. Para uma cidade como Tangará da Serra, que vivenciou crises de abastecimento em um passado recente, garantir a regularidade do fornecimento deixou de ser apenas uma questão operacional. Tornou-se uma prioridade.

É nesse contexto que uma das obras mais esperadas do sistema poderá chegar à fase de operação ainda neste ano ou numa segunda hipótese, no primeiro trimestre de 2027: o Sistema Sepotuba, estrutura destinada à captação e adução de água bruta do rio Sepotuba.

Com capacidade para captar 450 litros por segundo, o novo sistema acrescentará uma alternativa de fornecimento ao abastecimento municipal. Em uma situação extrema que comprometa temporariamente a disponibilidade dos mananciais atualmente utilizados, o Sepotuba poderá funcionar como um importante dispositivo de segurança.

Uma obra de aproximadamente R$ 40 milhões

O Sistema Sepotuba recebeu investimentos estimados em R$ 40 milhões desde o início de sua implantação, em meados de 2018. A obra está com aproximadamente 95% de conclusão.

Entre as etapas finais está a implantação da subestação de energia no local da captação. O sistema de alimentação elétrica pela Energisa também está em fase final de liberação.

Concluída essa etapa, o empreendimento deverá entrar em período de testes antes do início efetivo da operação. A expectativa é de que essa fase ocorra ainda neste ano.

450 litros por segundo

A capacidade de captação do novo sistema será de 450 litros por segundo. Para isso, foram instaladas três bombas de 750 kVA: uma destinada à operação e duas mantidas como reserva.

A configuração oferece redundância operacional. Duas bombas poderão permanecer disponíveis para substituição da unidade em funcionamento em situações de manutenção ou eventual falha.

Esse é um princípio importante da segurança hídrica: não basta possuir capacidade instalada; é preciso ter alternativas capazes de manter o sistema funcionando diante de eventuais falhas.

Uma segunda alternativa de abastecimento

O principal significado do Sepotuba está na diversificação das fontes.

Atualmente, o sistema municipal tem como principal estrutura a ETA Queima-Pé, abastecida pelo rio Queima-Pé e pelos córregos Figueira e Uberabinha, além do reforço proporcionado pela rede de poços artesianos.

Prefeito Vander Masson: Segurança hídrica faz parte do conjunto de medidas visando o Marco Legal do Saneamento Básico.

A entrada do Sepotuba acrescentará uma nova fonte de captação ao sistema. Isso reduz a vulnerabilidade diante de situações em que a disponibilidade dos mananciais atualmente utilizados seja afetada por condições climáticas extremas ou outros eventos que reduzam temporariamente a oferta de água.

Não significa substituir automaticamente a estrutura existente, mas criar uma alternativa complementar para situações de maior pressão sobre o abastecimento.

O prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson, mostra otimismo e se diz convicto da proximidade da entrada em operação do novo sistema. “Num próximo momento, a gente vai contar a história da questão do Sepotuba, e vamos mostrar a água chegando, lá na frente, na represa Sitna, onde já temos um ramal receptor”, prevê, acrescentando que a segurança hídrica integra o conjunto de medidas visando o Marco Legal do Saneamento Básico no município.

Local onde a água do Sepotuba chegará, na represa Sitna, para tratamento na ETA Queima Pé: “Novo patamar de segurança no abastecimento”, segundo o diretor do Samae, Marcos Scolari.

A experiência das crises

A preocupação não é meramente teórica. Tangará da Serra já enfrentou períodos críticos de abastecimento, nos quais a redução da disponibilidade de água obrigou o município a adotar medidas emergenciais para manter o fornecimento à população.

Quando a água deixa de chegar regularmente às residências, o problema ultrapassa o saneamento. Afeta escolas, unidades de saúde, comércio, empresas, construção civil e a rotina da população.

Para uma cidade em expansão, os efeitos podem ser ainda mais amplos. Segurança hídrica passa, portanto, a ser uma condição para a continuidade do desenvolvimento.

Sepotuba e o crescimento da cidade

A entrada em operação do novo sistema ocorrerá justamente quando Tangará da Serra vive uma etapa de ampliação de sua infraestrutura urbana, criando condições para receber novos empreendimentos imobiliários e empresariais.

“Novos bairros significam novas ligações. Novos empreendimentos significam novos consumidores. Novas empresas podem representar demandas adicionais, dependendo da atividade econômica”, observa o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Silvio José Sommavilla.

Segundo ele, a infraestrutura hídrica precisa crescer antes ou, no mínimo, acompanhar o ritmo da expansão urbana.

Nesse contexto, o Sepotuba integra uma estratégia que vai além da obra de captação: oferecer capacidade adicional justamente quando o município amplia sua demanda por infraestrutura.

Não é apenas uma obra de captação

O Sistema Sepotuba precisa ser compreendido dentro de uma estratégia mais ampla.

A segurança hídrica não será resultado de uma única obra. Dependerá da combinação entre preservação dos mananciais, capacidade de captação, tratamento, reservação, distribuição eficiente e redução das perdas.

Nesse conjunto, o Sepotuba cumpre uma função específica: ampliar e diversificar a capacidade de obtenção de água bruta.

A ETA Queima-Pé está sendo ampliada para aumentar a capacidade de tratamento. Os novos reservatórios elevarão a capacidade de armazenamento de água tratada. E a futura setorização da rede deverá enfrentar o problema das perdas.

São estruturas diferentes, mas complementares.

“Quando estiver em operação, o Sistema Sepotuba colocará Tangará da Serra em um novo patamar de segurança no abastecimento”, afirma o diretor do Samae, Marcos Scolari.

A cidade passará a contar com uma estrutura adicional de captação, capaz de captar até 450 litros por segundo e equipada com redundância operacional.

O resultado mais importante, entretanto, não será percebido apenas pelo volume de água captado, mas pela margem de segurança que o sistema passará a ter.

Para uma cidade que pretende continuar crescendo, essa margem é estratégica. Ela reduz o risco de que um evento extremo transforme o abastecimento em obstáculo ao desenvolvimento e cria melhores condições para que a expansão urbana, imobiliária e empresarial ocorra sobre uma infraestrutura capaz de acompanhá-la.

O Sepotuba, nesse sentido, não é apenas uma obra de saneamento. É uma das estruturas que deverão sustentar o próximo ciclo de crescimento de Tangará da Serra.

 

(*) Veja as outras matérias da série ESPECIAL – SEGURANÇA HÍDRICA:

Tangará da Serra amplia capacidade de abastecimento para sustentar crescimento

ETA Queima Pé será ampliada e capacidade de tratamento crescerá quase 70%

Município busca reestruturação para corrigir deficiências que comprometem o abastecimento

Em busca da solução: O maior problema não está na captação, mas na distribuição

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