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Entre o recorde no milho e o pioneirismo no etanol: os novos rumos do agro brasileiro

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O agronegócio brasileiro vive uma semana de contrastes e avanços tecnológicos que prometem redefinir o papel do país no mercado global. De um lado, a pujança produtiva de Mato Grosso sinaliza números históricos para o milho; de outro, o Porto de Santos serve de palco para um teste inédito que coloca o etanol brasileiro no centro da descarbonização do transporte marítimo mundial.

Conforme destaca o produtor rural, engenheiro agrônomo e consultor Ricardo Arioli, autor das reflexões e registros do programa Momento Agrícola deste sábado (18.07), o setor produtivo atravessa um período de superação técnica, mas ainda sob a sombra de desafios financeiros que persistem desde o ciclo anterior. Arioli ressalta que, embora os recordes devam ser celebrados, a gestão de custos e a busca por novos mercados para os biocombustíveis são as chaves para a sustentabilidade econômica do produtor.

Safra recorde de milho: superação no campo e alerta no bolso

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) atualizou suas projeções e o número é expressivo: Mato Grosso deve colher 57,06 milhões de toneladas de milho nesta safra. Se confirmado, o volume superará o recorde anterior de 55,5 milhões de toneladas, consolidando o estado como uma potência cerealista.

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Entretanto, o clima de comemoração é contido. O setor produtivo ainda lida com o “drama” iniciado no final de 2023, resultado de uma combinação perversa entre a queda nos preços das commodities e o alto custo dos insumos. O recorde de produção, portanto, não se traduz automaticamente em rentabilidade recorde, exigindo que o produtor mantenha o foco na eficiência operacional para atravessar o cenário de margens comprimidas.

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Etanol brasileiro ganha os mares em teste inédito mundial

A inovação desta semana veio do Porto de Santos. No último dia 14 de julho, o navio cargueiro CMA CGM Iron partiu rumo à China carregando não apenas contêineres, mas uma esperança para o setor sucroenergético: 500 toneladas (cerca de 635.000 litros) de etanol brasileiro sendo testados como biocombustível marítimo. Esta é a primeira embarcação transoceânica do mundo a testar essa matriz energética em escala real.

O navio, um gigante de 13 mil TEUs, possui motores tri-fuel certificados para operar com metanol, etanol e o bunker fóssil convencional. A operação abre uma avenida de oportunidades para o agronegócio nacional, transformando o etanol em uma solução global para a redução de emissões no transporte de longa distância.

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Aposta nos biocombustíveis: Etanol 32% e o futuro do biodiesel

Para Ricardo Arioli, o potencial de expansão é vasto. Ele destaca que a adoção do etanol 32% pode representar um reforço significativo tanto para o agro quanto para a economia brasileira como um todo. Enquanto o país começa a testar misturas maiores de biodiesel, o sucesso do teste marítimo com etanol pode acelerar a demanda externa pelo combustível renovável.

O momento sinaliza que o Brasil não quer ser apenas o “celeiro do mundo” em alimentos, mas também o principal fornecedor de soluções energéticas limpas, unindo a força do campo com a tecnologia de ponta para enfrentar os desafios ambientais do século XXI.

Para ouvir as reflexões completas de Ricardo Arioli no programa Momento Agrícola deste sábado, 18, clique abaixo:

 

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Acordo em Brasília: MP de renegociação de dívidas rurais traz alívio e desafios ao agro

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Após meses de negociações e impasses, o governo federal e o setor produtivo rural chegaram a um acordo que resultou na publicação da Medida Provisória (MP) 1376/26, na noite da última quarta-feira (15 de julho). A MP visa renegociar até R$ 100 bilhões em operações de crédito rural, oferecendo um fôlego financeiro a produtores afetados por eventos climáticos adversos e pela queda nos preços das commodities .

O jornalista Olmir Cividini, em sua coluna Circuito Rural, de Tangará da Serra, analisou a medida e destacou a expectativa do setor. Segundo Cividini, “a resposta neste momento parece ser de um otimismo contido. A avaliação predominante entre as lideranças do agro é de que a medida provisória representa, sim, um avanço importante, porém ainda existem questões fundamentais que precisam ser esclarecidas” .

Detalhes da Medida Provisória

A MP 1376/26 estabelece condições favoráveis para a renegociação, incluindo prazos estendidos e juros reduzidos. Os financiamentos poderão ser pagos em até 8 a 10 anos, com até 2 anos de carência. As taxas de juros anuais variam entre 5% e 12%, dependendo do perfil do produtor e da operação .

A medida abrange produtores com perdas comprovadas por eventos climáticos e aqueles que enfrentaram dificuldades econômicas, uma reivindicação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Para ter acesso aos benefícios, produtores rurais e cooperativas agropecuárias devem ter registrado, entre 2019 e 2025, perdas em duas ou mais safras que resultaram na redução de, no mínimo, 30% da renda bruta esperada .

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Um dos pontos cruciais da MP é a autorização para a União participar como cotista de um fundo garantidor para cobrir as operações, com a possibilidade de adesão de estados e municípios. A União poderá aportar até R$ 2 bilhões nesse fundo, que funcionará como um “colchão de segurança” para os bancos, facilitando a liberação de crédito com menos exigência de garantias reais .

Incertezas e Desafios da Regulamentação

Apesar do avanço, Olmir Cividini aponta para as incertezas que ainda pairam sobre a efetividade da MP. “A principal delas é saber exatamente quem terá direito ao benefício. A preocupação da FPA é que nenhum produtor que realmente precise fique de fora”, comenta o jornalista .

Cividini ressalta que a “base legal foi criada. Agora, a efetividade dependerá da regulamentação e da execução… o verdadeiro teste começa agora com a regulamentação, a atuação dos bancos e a capacidade de fazer o crédito chegar, de fato, aos que precisam” . Ele conclui que “a medida provisória abre uma porta importante para aliviar o endividamento de centenas de produtores. Mas uma porta aberta não garante, por si só, que todos consigam atravessá-la” .

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Abrangência e Penalidades

Além do crédito rural tradicional, a MP autoriza as instituições financeiras a renegociar as Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira que estejam em atraso, oferecendo prazo de reembolso de até oito anos. A inclusão das CPRs foi um ponto fundamental do acordo, já que grande parte das dívidas dos produtores está estruturada neste instrumento .

A MP também estabelece punições rigorosas para tentativas de fraude, com a perda imediata do benefício, obrigação de restituir os valores recebidos e impedimento de contratar crédito subvencionado por até cinco anos para quem usar informações ou documentos falsos .

O texto da MP já está em vigor, mas precisa ser aprovado por senadores e deputados em até 120 dias para ser definitivamente convertido em lei.

Ouça o Circuito Rural na íntegra:

 

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