Funcionários do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) protocolaram, nesta semana, uma denúncia na Polícia Federal (PF), na Controladoria-Geral da União (CGU) e no Ministério Público Federal (MPF) apontando supostos desvios de dinheiro público, formação de quadrilha, irregularidades administrativas e possível manipulação das eleições internas da autarquia. Entre os citados no documento estão, inclusive, integrantes do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
A representação pede a abertura de investigação para apurar a conduta de membros da atual gestão do Coren-MT. Entre os nomes mencionados estão a presidente, secretário, conselheiros, procuradores, fiscais de contratos, servidores da área de tecnologia da informação e o chefe de comunicação do Cofen.
Entre as supostas irregularidades apontadas está a locação do imóvel onde atualmente funciona a sede do Coren-MT, no bairro Jardim Cuiabá, em Cuiabá. Segundo os denunciantes, o contrato foi firmado sem licitação, em menos de 90 dias após a posse da atual gestão, e com valor significativamente superior ao pago pela antiga sede.
A denúncia também questiona o fato de o Coren-MT possuir um imóvel próprio, localizado no bairro Goiabeiras, que estaria desocupado. Mesmo assim, a autarquia teria firmado contrato de locação do novo prédio já prevendo a compra do imóvel por R$ 6,6 milhões. Caso a aquisição não seja concretizada, o conselho poderá ter que pagar uma multa correspondente a 10% do valor do negócio, o equivalente a R$ 660 mil, conforme previsão contratual.
O documento encaminhado aos órgãos de controle também aponta supostos indícios de manipulação das eleições do Coren-MT realizadas em 2023. Segundo a denúncia, profissionais inscritos relataram dificuldades para exercer o direito ao voto, afirmando que tiveram o acesso ao sistema bloqueado ou não conseguiram concluir a votação eletrônica. Os servidores pedem que os órgãos federais apurem se houve interferência no processo eleitoral e eventual responsabilização dos envolvidos.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.