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Agronegócio & Produção

Biológicos: Sustentabilidade, controle de doenças e pragas, resistência e nutrição

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Os produtos biológicos já tem o reconhecimento da classe produtora e seu uso tem apresentado grande crescimento no Brasil. São muitas as vantagens para a agricultura, como a proteção das lavouras, melhoria da qualidade do solo e redução do impacto ambiental.

Durante o Dia de Campo realizado na Fazenda Matão, no último sábado (25), o engenheiro agrônomo Charles Bonazza, gerente comercial da Bio Cerrado Solutions, confirmou a meta de consolidar os bioinsumos como referência na produção. “Nosso objetivo é estabelecer um critério o mais sustentável possível, sempre alinhando produtos biológicos para controle de doenças e pragas, e indutores de resistência aliados à nutrição”, afirmou.

Charles Bonazza: Com biológicos, sustentabilidade no controle de doenças e pragas, e indutores de resistência aliados à nutrição.

Charles observa que o manejo da lavoura com biológicos faz com que a planta tenha uma imunidade maior, criando uma autodefesa contra pragas e doenças, consistindo num modelo mais regenerativo e representando ganhos para o produtor. “A ideia é trazer para o produtor um conceito onde ele consiga ter uma visão de médio e longo prazo para reduzir a carga de químicos na planta e no solo e, consequentemente, ter em sua lavoura um benefício maior ao longo do tempo, mais sustentável e com produtividades maiores, sem agredir o meio ambiente. Essa é a ideia maior da Bio Cerrado”, disse.

Produtividade

A redução de custos e ganhos na produtividade é a pauta principal do uso de produtos biológicos. A Bio Cerrado pretende confirmar essa pauta na área cultivada com soja na Fazenda Matão, que está próxima da colheita.

Trabalhos da Bio Cerrado na Fazenda Matão visam combinar redução de custos com aumento de produtividade.

“Temos isso como base nos nossos protocolos aqui mesmo, dentro da Fazenda Matão, onde temos estabelecido um manejo em que os resultados são melhores ou iguais ao padrão químico, mas com redução de custo. Ou seja, partimos de uma ideia onde você vai ter uma redução nos custos, mas apostamos também no incremento de produtividade. Isso é notório pelo visual de planta que a gente já tem, com resultados para divulgar já nos próximos 15 dias. A ideia, obviamente, é trazer lucro para o produtor”.

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Retorno

Muito embora ainda não se tenha um “ROI” (retorno sobre investimento) delineado, a expectativa com os resultados do uso dos biológicos é a melhor possível.

Charles Bonazza aposta em números que pontam para uma redução de 10% a 15% no custo dos insumos e um incremento de 10% a 15% na receita. “Ou seja, a gente tem uma proporção mais elástica em relação à utilização dos bioinsumos, mas trabalhamos no sentido de avançar mais na pesquisa, aliando mais produtos pensando no que podemos trazer de benefício maior, considerando o solo… aí a gente já começa a olhar diferente para esse talhão. A questão é: Teremos um resultado progressivo em três anos? É isso que veremos nos próximos ciclos, agora no milho, depois na safra de soja 2025-26”, esclareceu.

Procedimentos

A pesquisa é fundamental nesse momento em que a produção se depara com extremos climáticos e a agressividade de doenças e pragas. Nesse aspecto, o diretor técnico da Bio Cerrado, Carlos Alberto Pasquini, confirma que o produtor precisa valorizar as tecnologias disponíveis. “É preciso compreender que a pesquisa é fundamental e que é salutar prestar atenção na tecnologia, que é o resultado de todo esse trabalho”, observou, durante a palestra que concluiu o Dia de Campo do último sábado.

Pasquini, diretor da Bio Cerrado: “É preciso compreender que a pesquisa é fundamental e que é salutar prestar atenção na tecnologia”.

Charles Bonazza, por sua vez, destaca as inovações nos procedimentos e na própria pesquisa de campo. “Isso é no longo prazo também, no mesmo lugar fazendo análise de biota de solo, fazendo análise de planta e, agora, também, num conceito regional mais novo que é a análise de seiva”.

O gerente comercial da Bio Cerrado passa uma noção de como é feito esse trabalho. “Estabelecemos uma nutrição com base na seiva da planta naquele momento e, aí, trabalhamos na nutrição um dia ou dois dias depois, observando cálcio, potássio, nitrogênio… isso é uma pegada diferente, mais tecnológica”.

Expectativa

O uso dos biológicos tem crescido muito nos últimos anos, mas ainda há um caminho a ser percorrido para consolidar o uso dos biológicos na produção. “Percebemos que o produtor ainda espera algo que feche essa lacuna, que seria controle de doenças e pragas somente com bioinsumos. Hoje o bioinsumo é um aliado ao químico, mas entendemos ser um bom começo, nesse start, e temos observado uma crescente ao longo dos últimos cinco ou seis anos, com as empresas de bioinsumos e uma aceitação cada vez maior pelo produtor”, concluiu Charles Bonazza.

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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