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Variação orçamentária e dinâmica econômica sugerem PIB superior a R$ 10 bilhões em 2026

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A análise da variação orçamentária e da dinâmica da economia de Tangará da Serra nos últimos 15 anos aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) do município deverá superar a marca de R$ 10 bilhões em 2026.

Esta projeção, elaborada pelo Enfoque Business, tem como base os dados históricos do PIB aferidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os valores da Lei Orçamentária Anual (LOA) do município, abrangendo o período de 2010 até a LOA projetada para 2026 (Projeto de Lei 319/2025).

O cruzamento dos dados históricos (PIB e Orçamento Municipal) desde 2010 revela uma correlação estreita: a variação média anual de ambos os indicadores é de, aproximadamente, 13%. Essa semelhança de proporções é o fundamento da projeção, correlacionando o crescimento orçamentário ao crescimento do PIB até a última medição oficial do IBGE, em 2021. (Ver Tabela 1 em anexo, que representa a correlação entre as variáveis).

Últimos Dados Oficiais e Exceção de 2021

O IBGE adiou a divulgação dos dados de PIB de 2022 e 2023 devido à implantação de uma nova série metodológica nas Contas Nacionais. O último dado oficial disponível é de 2021, quando o PIB de Tangará da Serra atingiu R$ 5,585 bilhões, superando a barreira dos R$ 5 bilhões. Neste mesmo ano, a LOA indicava uma receita de R$ 378 milhões.

É importante notar uma exceção em 2021: a receita municipal caiu 7% (reflexo da pandemia de 2020). No entanto, o PIB registrou um impulso robusto de 36,95% em relação ao ano anterior. Esse crescimento atípico foi parcialmente impulsionado por grandes aportes financeiros via financiamentos destinados a obras estruturais, como a adução de água do rio Sepotuba e a construção de rede coletora de esgoto. (Ver Gráfico 01 em anexo, ilustrando o impacto e Gráfico 02, variação comparativa PIB/Orçamento).

Gráfico 01

Gráfico 02

Base da Projeção

Dessa forma, como não há dados oficiais do IBGE após 2021, o Enfoque Business utilizou a média de crescimento orçamentário (13%) como base para projetar o PIB de 2022 a 2026. A semelhança nas linhas de tendência entre o orçamento e o PIB, evidenciada nas tabelas e gráficos, valida a metodologia para estimar que o PIB de Tangará da Serra superará R$ 10 bilhões em 2026.

Tupinambá: “O aumento do PIB eleva a arrecadação de impostos, o que se reflete no orçamento público”.

Para o economista e professor universitário Silvio Tupinambá, há relação direta entre o crescimento do Produto Interno Bruto e a evolução do orçamento municipal. Segundo ele, o aumento do PIB eleva a arrecadação de impostos, o que se reflete no orçamento público.
Esse movimento, porém, depende da implantação de novos empreendimentos capazes de gerar impacto microeconômico relevante.

Tupinambá cita como exemplos o Porto Seco de Tangará da Serra, a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres e os Terminais Intermodais Logísticos. Esses dois últimos, embora não estejam localizados no município, terão grandes reflexos na economia local considerando um contexto regional. “Empreendimentos dessa natureza tendem a estimular a oferta de energia — com novas plantas voltadas à instalação industrial — e impulsionar, por exemplo, o setor imobiliário, como loteamentos e edifícios verticais”, diz.

O economista ressalta que, para que esses projetos avancem, é necessário esforço conjunto da Prefeitura, do Governo do Estado e do setor empresarial. Sem essa articulação, afirma, o ritmo de expansão da atividade econômica tende a ser limitado.

Metodologia

A metodologia utilizada pelo Enfoque Business para projetar o Produto Interno Bruto (PIB) de Tangará da Serra entre 2022 e 2026 baseia-se em um método de projeção por extrapolação que utiliza a correlação histórica entre duas variáveis financeiras municipais: o PIB e o Orçamento Municipal (Receita Total da LOA).

Para chegar a uma definição da correlação e taxa de crescimento, o primeiro passo técnico foi estabelecer a relação entre as variáveis:

– Produto Interno Bruto (dados oficiais do IBGE, até 2021).

– Orçamento Municipal (Receita Total da LOA, dados da prefeitura).

– Período histórico: A análise abrange o período de 2010 a 2021.

– Cálculo da taxa média de crescimento histórico ($\bar{g}$): O estudo calculou a taxa de crescimento médio anual de ambas as variáveis ao longo do período histórico. Ao calcular a média geométrica ou a média simples dessas taxas para o período 2010–2021, o estudo identificou que a taxa média anual de crescimento é de, aproximadamente, 13% para ambas as variáveis.

– Princípio da Correlação: O princípio fundamental da projeção é que a correlação histórica de 13% se manterá no futuro próximo.

Metodologia de Projeção (Extrapolação)

Como o PIB oficial do IBGE só está disponível até 2021, o Orçamento Municipal (LOA) é usado como variável proxy (variável substituta) para projetar o crescimento do PIB. O cálculo da projeção utiliza o último PIB oficial conhecido (2021) e aplica a taxa de crescimento (13%) de forma composta para os anos subsequentes.

Portanto, O resultado final é uma projeção de que o PIB de 2026 será de, aproximadamente, R$ 10,28 bilhões, confirmando a estimativa de que o valor superará a casa dos R$ 10 bilhões.

Fatores de risco e limitações

Embora a correlação histórica seja forte, essa metodologia possui limitações inerentes a qualquer projeção de extrapolação, a saber:

– Risco Metodológico do IBGE: A mudança na série metodológica do IBGE pode resultar em um ajuste retroativo dos dados históricos, alterando a taxa $\bar{g}$ e, consequentemente, a projeção.

– Fatores Exógenos (Não Lineares): A projeção assume um crescimento linear e constante de 13%. Eventos não previstos (crises econômicas, grandes investimentos públicos/privados, desastres naturais) podem causar desvios significativos no crescimento real (o que se notou na exceção de 2021, onde grandes financiamentos causaram um salto de 36,95% no PIB).

– Pressuposto da Variável Proxy: A premissa de que o crescimento do Orçamento continuará a espelhar o crescimento do PIB é a base da projeção. Se a natureza da receita municipal mudar drasticamente, a correlação pode se romper.

Importante: Essa técnica é amplamente utilizada em análises macroeconômicas quando os dados oficiais (IBGE) estão atrasados, fornecendo uma estimativa fundamentada baseada na inércia e no histórico de crescimento da economia local.

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Monitoramento aponta qualidade “ótima ou boa” da água no sistema de abastecimento

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Estudo apresentado em reunião ordinária ao CBH Sepotuba mostra sistema funcional, mas identifica pressões ambientais e sanitárias que exigem monitoramento contínuo e proteção do manancial

A água dos reservatórios utilizados no sistema de abastecimento público de Tangará da Serra apresenta, de forma geral, qualidade classificada como ótima ou boa. É o que aponta o monitoramento em alta frequência realizado pelo professor Ibraim Fantin da Cruz, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O estudo – intitulado “Monitoramento em Alta Frequência da Qualidade da Água e dos Sedimentos no Reservatório de Abastecimento Público de Tangará da Serra – Resultados Parciais e Avaliação dos Principais Riscos”- foi apresentado na última sexta-feira (04.09), durante reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sepotuba (CBH Sepotuba).

Estudo foi conduzido pelo professor Ibraim Fantin da Cruz, da UFMT.

Os trabalhos acompanham o sistema desde novembro de 2024, com previsão de monitoramento até dezembro de 2026. A pesquisa utiliza campanhas realizadas a cada 21 dias e busca identificar alterações que poderiam não ser captadas pelo modelo convencional de amostragem pontual.

A necessidade desse acompanhamento está relacionada à própria dinâmica do manancial. A qualidade da água pode apresentar elevada variabilidade temporal, principalmente após chuvas, quando ocorre o escoamento superficial e podem chegar aos cursos d’água cargas episódicas de poluentes. Amostras coletadas isoladamente podem não registrar esses eventos de curta duração ou contaminantes presentes em concentrações muito baixas. O monitoramento também permite acompanhar o transporte e a possível acumulação de contaminantes nos sedimentos.

A qualidade da água pode apresentar elevada variabilidade temporal, principalmente após chuvas.

Ocorrências

Os resultados apresentados por Ibraim concluem que a qualidade da água não apresenta comprometimento generalizado, embora tenham sido identificadas ocorrências pontuais. Os córregos Queima Pé e o rio Ararão sofrem pressões da bacia hidrográfica, evidenciadas por indicadores microbiológicos, matéria orgânica e detecção de agrotóxicos. A recorrência de determinados produtos, especialmente o metolacloro, indica influência das atividades agrícolas.

Na água tratada, os resultados são predominantemente satisfatórios. O estudo registra, entretanto, ocorrências microbiológicas e concentrações de cloro residual livre próximas aos limites inferiores, situações que justificaram a comunicação ao SAMAE – Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto, autarquia responsável pela gestão do sistema de abastecimento, para avaliação de eventual ajuste operacional.

Entre os contaminantes emergentes identificados está a estrona, um composto associado ao grupo dos hormônios estrogênicos. A apresentação aponta que sua ocorrência pode estar relacionada ao acesso de animais, especialmente de criações pecuárias, ao manancial em trechos onde a Área de Preservação Permanente (APP) não apresenta proteção adequada. O estudo, contudo, trata essa relação como uma possibilidade associada às condições observadas, e não como uma comprovação de uma única fonte de contaminação.

Os chamados contaminantes emergentes são justamente um dos motivos pelos quais o monitoramento em alta frequência ganha importância. Eventos de chuva, escoamento superficial e outras alterações no ambiente podem produzir “pulsos” de contaminação que dificilmente seriam identificados por uma coleta isolada.

Trihalometanos

Outro ponto que merece esclarecimento é a presença de trihalometanos totais (TTHMs). A simples detecção dessas substâncias não significa que a água seja imprópria para consumo.

Os trihalometanos são subprodutos formados principalmente durante a desinfecção da água com cloro, a partir da reação do desinfetante com matéria orgânica presente na água. Por isso, sua presença pode ocorrer justamente em sistemas que utilizam cloração para garantir a segurança microbiológica. A Organização Mundial da Saúde inclui os trihalometanos entre os parâmetros que devem ser controlados na qualidade da água potável.

Há, de fato, preocupação sanitária relacionada à exposição prolongada a concentrações elevadas de determinados trihalometanos. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), por exemplo, estabelece limite regulatório para os trihalometanos totais e relaciona a exposição acima desse limite, no longo prazo, a possíveis efeitos sobre fígado, rins e sistema nervoso central, além de aumento do risco de câncer.

Pesquisa aponta que avaliação geral dos reservatórios é ótima ou boa.

Isso, porém, é diferente de afirmar que qualquer presença de trihalometanos representa risco à saúde. No caso apresentado ao CBH Sepotuba, a conclusão registrada é de que os trihalometanos existem, mas não representam problema nas condições observadas no monitoramento. Portanto, o dado deve ser interpretado dentro das concentrações encontradas e dos parâmetros de qualidade adotados no estudo, e não apenas pela presença ou ausência da substância.

Sistema funcional, mas sob pressão

A principal conclusão apresentada por Ibraim é que o sistema se mostra funcional, porém submetido a pressões ambientais e sanitárias que justificam a continuidade do monitoramento, a proteção do manancial e uma gestão preventiva baseada em riscos.

A pesquisa, portanto, não aponta para uma situação de comprometimento generalizado da água utilizada no abastecimento de Tangará da Serra. Ao contrário, a avaliação geral dos reservatórios é ótima ou boa. O alerta está na necessidade de identificar rapidamente alterações pontuais e suas possíveis origens, principalmente aquelas associadas às chuvas, às atividades agrícolas, à presença de animais e à proteção insuficiente de trechos da APP.

É justamente nesse ponto que o monitoramento em alta frequência assume importância estratégica: mais do que constatar a qualidade da água em determinado momento, ele permite acompanhar como essa qualidade se comporta ao longo do tempo, identificar eventos de alteração e fornecer informações para que o SAMAE possa adotar medidas preventivas e operacionais quando necessário.

A conclusão do estudo reforça, assim, uma premissa fundamental para a segurança hídrica de Tangará da Serra: a água apresenta boa qualidade, mas a proteção do manancial precisa acompanhar a expansão das pressões ambientais sobre a bacia.

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