TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Infraestrutura & Logística

Em CLPI, comunidade indígena aprova continuidade do licenciamento para pavimentação da MT-175

Publicado em

Lideranças Paresi manifestaram apoio à pavimentação, mas reivindicaram Estudo de Componente Indígena, medidas compensatórias e respeito aos protocolos próprios de consulta

A pavimentação de aproximadamente 36,36 quilômetros da MT-175, no trecho entre o entroncamento com a MT-358 e proximidades de Reserva do Cabaçal, recebeu concordância para o prosseguimento do processo de licenciamento ambiental durante Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) realizada na sexta-feira (11), na Aldeia Kotitiko, em Tangará da Serra. A reunião reuniu lideranças indígenas, representantes da comunidade, Prefeitura de Tangará da Serra, SINFRA, FUNAI e Associação Vale do Jauru.

A consulta teve como objetivo apresentar o empreendimento às comunidades indígenas, esclarecer dúvidas, registrar manifestações e levantar preocupações, reivindicações e propostas relacionadas aos possíveis impactos da obra. Conforme registrado na ata, a Prefeitura de Tangará da Serra doou à SINFRA o projeto executivo e os estudos ambientais da pavimentação.

Consulta Livre, Prévia e Informada foi realizada na sexta-feira (11), na Aldeia Kotitiko, em Tangará da Serra.

Durante a apresentação, representantes do município de Tangará da Serra detalharam o trecho previsto para a obra e as áreas de impacto em relação à Terra Indígena, incluindo os locais destinados à instalação do canteiro de obras e à exploração de jazidas.

A manifestação predominante entre as lideranças foi favorável à pavimentação. Os representantes indígenas, entretanto, ressaltaram que a concordância com o empreendimento não significa a dispensa das obrigações legais relacionadas aos impactos sobre as comunidades.

O cacique Pedro Kezoe, da Aldeia Arara Azul, defendeu que o raio de impacto do empreendimento seja considerado em 40 quilômetros e reivindicou a elaboração do Estudo de Componente Indígena (ECI) e do Plano Básico Ambiental Indígena (PBAI). Na mesma linha, outras lideranças destacaram que os efeitos de uma rodovia podem alcançar comunidades situadas mesmo a certa distância do traçado da estrada.

Representantes das aldeias Jatobá, Orekê, Canaã, Bacaval, Figueiras, Estivadinho e Kotitiko também manifestaram apoio à continuidade do empreendimento, mas cobraram o atendimento aos direitos indígenas, a participação das comunidades e a adoção de medidas compensatórias.

Comunidade indígena reforçou a uma distinção importante: a aprovação registrada na consulta é para o prosseguimento do licenciamento, e não uma autorização definitiva e irrestrita para a execução imediata da pavimentação.

O geólogo e analista ambiental Luciano Tiazokamae explicou que o empreendimento está submetido ao processo de licenciamento ambiental e que a Consulta Livre, Prévia e Informada integra o rito aplicável. Segundo ele, as medidas compensatórias deverão ser estabelecidas a partir dos estudos e instrumentos ambientais, especialmente o ECI e o PBAI.

Leia mais:  Aeroporto de Tangará avança em obras e pode se tornar hub regional, diz Pivetta

As lideranças também defenderam o respeito aos protocolos próprios de consulta existentes nas comunidades. Gilmar Koloizomae, da Terra Indígena Utiariti, afirmou que seu povo não é contrário ao progresso e apoia a pavimentação, mas ressaltou que todos os procedimentos devem observar os direitos indígenas. Edinaldo Zozoizokemae, da Aldeia Canaã, destacou que os impactos de uma rodovia podem ser sentidos além da área imediatamente atingida pela obra.

Compensações

Entre as reivindicações apresentadas durante a reunião está uma proposta das associações Waymare e Halitinã para a construção de dois barracões, um destinado a cada entidade, nas praças de cobrança. A proposta foi apresentada como possível medida compensatória e deverá ser formalizada em documento específico para posterior análise. A ata não registra aprovação definitiva da construção.

Outras demandas também foram apresentadas. O cacique José Azomare, da Aldeia Kotitiko, citou a necessidade de reforço ou implantação de posto de saúde e adoção de medidas de segurança como possíveis ações compensatórias. Lideranças também defenderam que os benefícios e compensações alcancem as comunidades do entorno consideradas afetadas pelo empreendimento.

MT-175 é importante ligação entre o Chapadão do Rio Verde e Reserva do Cabaçal.

Durante as manifestações, surgiu ainda uma preocupação com a unidade do povo Paresi. Lideranças relataram que os debates envolvendo diferentes empreendimentos têm contribuído para divisões entre comunidades e autoridades. A defesa de decisões construídas conjuntamente e da participação efetiva das comunidades esteve presente em diferentes falas.

Leia mais:  Aeroporto de Tangará avança em obras e pode se tornar hub regional, diz Pivetta

Outro ponto levado à reunião foi a situação do ECI e do PBAI relacionados à pavimentação da MT-358. A questão foi cobrada pelas lideranças indígenas, que apontaram insegurança diante da não realização do estudo. Ao final, a Superintendente Ambiental da SINFRA, Bárbara Camacho Gonçalves, informou que levará ao órgão a necessidade de atendimento ao Termo de Referência da FUNAI relativo ao ECI/PBAI da MT-358 e a contratação de empresa especializada para cumprir as exigências.

Continuidade do processo

Como resultado formal da consulta, foi registrada a aprovação do empreendimento para o prosseguimento do processo de licenciamento ambiental da pavimentação da MT-175. A concordância inclui as atividades acessórias previstas, como a instalação e operação do canteiro de obras e a exploração de jazidas.

As conversações estabeleceram, porém, uma distinção importante: a aprovação registrada na consulta é para o prosseguimento do licenciamento, e não uma autorização definitiva e irrestrita para a execução imediata da pavimentação. O empreendimento permanece sujeito às etapas do processo ambiental, aos estudos, às licenças e às respectivas condicionantes.

Também ficou definido que as manifestações, reivindicações, recomendações, questionamentos e propostas de medidas compensatórias apresentadas durante a consulta serão incorporadas à documentação e encaminhadas ao órgão licenciador.

O prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson, reforçou a importância da parceria entre a Prefeitura e a comunidade indígena e defendeu a manutenção do diálogo. Segundo ele, é necessário considerar também os benefícios que a pavimentação poderá proporcionar às comunidades indígenas.

Ao final, o resultado registrado foi de concordância majoritária ou geral com a continuidade do empreendimento e do licenciamento, condicionada à observância dos direitos indígenas, à realização do ECI, à adoção das medidas previstas no PBAI, ao respeito aos protocolos próprios de consulta e à definição das medidas compensatórias.

Na reunião também ficou registrada a necessidade de considerar os impactos sobre todas as aldeias afetadas, mesmo aquelas localizadas a distância da rodovia, além de demandas relacionadas à saúde, segurança e infraestrutura.

Comentários Facebook
Advertisement

Infraestrutura & Logística

Aeroporto de Tangará avança em obras e pode se tornar hub regional, diz Pivetta

Published

on

Governador defende ampliação da conectividade aérea e aponta perspectiva de voos regionais; obras de readequação do terminal devem ser concluídas em novembro

O Aeroporto Regional Joaquim Aderaldo de Souza (SWTS), de Tangará da Serra, passa por obras de readequação estrutural que, segundo o governador Otaviano Pivetta, poderão preparar a unidade para assumir uma função de maior alcance na aviação regional.

Ao responder, em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (10,09), sobre o futuro do aeroporto, Pivetta defendeu a transformação da unidade em referência logística, com oferta de voos para outras cidades. “A tendência é este aeroporto do município se transformar num hub regional”, afirmou.

Ao lado do prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson, o governador declarou que o Estado pretende atuar politicamente junto ao governo federal para ressaltar a importância econômica de Tangará da Serra e da região e ampliar a conectividade aérea. Pivetta disse acreditar que a cidade poderá ter voos regionais em breve, seguindo o exemplo de outras regiões de Mato Grosso.

Obras avançam no aeroporto

O Aeroporto Joaquim Aderaldo de Souza está passando por um conjunto de intervenções na infraestrutura. A pista, com 1.500 metros de extensão por 30 metros de largura, está sendo recapeada.

Também estão em execução obras na área de taxiway, no pátio de aeronaves, além de serviços de drenagem e sinalização.

Leia mais:  Aeroporto de Tangará avança em obras e pode se tornar hub regional, diz Pivetta

Segundo o engenheiro responsável pela execução, João Victor Carvalho, da Guaxe Construtora, a previsão é que os trabalhos sejam concluídos em novembro.

Recapeamento da pista está em fase final. Entrega do pacote de obras está prevista para novembro.

Os investimentos somam R$ 9,3 milhões, com recursos do Governo de Mato Grosso e contrapartida do município – que ampliou e regularizou a área da unidade aeroportuária.

Após a conclusão dessa etapa, o aeroporto deverá receber ainda obras de balizamento, previstas em outro contrato firmado pelo Governo do Estado.

Para Pivetta, o conjunto de intervenções deverá melhorar as condições de pouso e decolagem e preparar o aeroporto para receber aeronaves de maior porte utilizadas em operações regionais.

Aeroporto integra concessão de Brasília

Além das obras físicas, o futuro do aeroporto está relacionado ao novo modelo de concessão do Aeroporto Internacional de Brasília. As informações foram prestadas pelo prefeito Vander Masson, na mesma entrevista coletiva em que estava o governador.

“Tangará da Serra foi incluída, junto com outros nove aeroportos regionais, no processo de repactuação da concessão de Brasília, dentro do Programa AmpliAR”, disse o gestor municipal, acrescentando que o leilão está previsto para 17 de dezembro de 2026.

Governador Otaviano Pivetta vistoriou as obras, ao lado do prefeito Vander Masson e demais autoridades locais e estaduais.

O pacote inclui, além de Tangará, os aeroportos de Juína e Cáceres, em Mato Grosso; Alto Paraíso de Goiás, Barreiras, Bonito, Dourados, Ponta Grossa, Três Lagoas e São Miguel do Araguaia.

Leia mais:  Aeroporto de Tangará avança em obras e pode se tornar hub regional, diz Pivetta

A proposta prevê investimentos de aproximadamente R$ 857,8 milhões nos dez aeroportos regionais, destinados à expansão, manutenção e operação das unidades. O valor ainda poderá ser ajustado após uma etapa de diagnóstico inicial, que deverá avaliar as condições físicas e fundiárias de cada aeroporto.

No Aeroporto de Brasília, a previsão é de investimentos de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, incluindo a construção de um novo terminal internacional.

Hub depende de infraestrutura e operação

A transformação do aeroporto de Tangará da Serra em um hub regional, portanto, envolve duas frentes distintas: a conclusão das obras de infraestrutura e a definição do modelo de operação que será adotado após a nova concessão.

A melhoria da pista, taxiway, pátio, drenagem, sinalização e, posteriormente, do balizamento amplia a capacidade física da unidade. A efetiva oferta de voos, por outro lado, dependerá da operação aeroportuária e da existência de demanda comercial que sustente novas rotas.

A perspectiva apresentada pelo governador coloca o aeroporto como uma das estruturas que poderão ampliar a integração de Tangará da Serra com outras regiões, especialmente em uma área de forte atividade econômica e circulação de empresas, produtores, investidores e prestadores de serviços.

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana