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Momento Agrícola

Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

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O produtor rural brasileiro enfrenta um momento delicado e vivenciou uma semana de decisões difíceis. O custo do dinheiro, o endividamento e a demora na renegociação de dívidas limitam o acesso ao Plano Safra justamente no período em que é preciso financiar a implantação das lavouras. Ao mesmo tempo, o mercado da carne passa por uma mudança de configuração: União Europeia e China perdem espaço relativo, enquanto os Estados Unidos aparecem como novo destino estratégico.

Na avaliação do consultor, engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Arioli, em seu programa de rádio semanal “Momento Agrícola”, a dificuldade não está apenas no volume de recursos anunciado, mas na capacidade de o produtor acessar o crédito em tempo hábil. A burocracia, as exigências bancárias e o passivo acumulado reduzem a margem de manobra de quem precisa comprar insumos, reorganizar o fluxo de caixa e decidir quanto plantar.

A renegociação das dívidas é, hoje, um dos temas centrais do setor produtivo. Sem condições claras e operacionais para repactuar débitos, produtores permanecem com restrições que dificultam novos financiamentos. O risco é que a falta de capital provoque cortes na adubação, reduza investimentos em tecnologia e comprometa a produtividade da próxima safra. O calendário agrícola, porém, não acompanha a velocidade das negociações financeiras.

Na pecuária, a entrada dos Estados Unidos entre os mercados relevantes da carne brasileira amplia as alternativas comerciais. A diversificação pode reduzir a dependência de poucos compradores e abrir espaço para novas estratégias de exportação, mas também exige atenção a requisitos sanitários, qualidade, logística e regularidade de fornecimento. A mudança de destinos ocorre em um ambiente de disputa internacional e de consumidores mais exigentes.

Feijões e pulses

Lavoura com feijão-mungo verde em Tangará da Serra: Mais de 90% da produção é exportada.

No segundo bloco do Momento Agrícola deste sábado, Marcelo Luders, do IBRAFE, destaca as oportunidades de mercado para feijões e pulses — grupo que inclui leguminosas como lentilhas, grão-de-bico e ervilhas. Para aproveitar esse potencial, o setor precisa de informação confiável para orientar decisões de plantio, comercialização e investimento. A proposta de uma campanha para ampliar o consumo interno aparece como caminho para fortalecer a demanda e reduzir a exposição do produtor às oscilações externas.

Biodiesel estratégico

Na sequência, Jerônimo Gorgen, presidente da Aprobio, trata da qualidade do biodiesel e dos efeitos de uma eventual ampliação da mistura ao diesel. O aumento do uso pode criar mercado para matérias-primas agrícolas, contribuir para a redução de emissões e fortalecer a renda dos produtores. A expansão, entretanto, depende de qualidade constante, controle técnico e segurança para toda a cadeia de produção e distribuição.

Plantio de soja

No último bloco, o professor Rogério Coimbra, especialista em sementes da Universidade Federal de Mato Grosso, chama atenção para ações básicas que determinam o resultado do plantio de soja. A escolha de sementes adequadas, o planejamento da operação, a qualidade da implantação e o cuidado com as condições do solo são decisões que não podem ser tratadas como detalhes. A produtividade começa antes da semeadura e depende da execução correta de cada etapa.

Em conjunto, os quatro blocos mostram um setor pressionado no curto prazo, mas com oportunidades em novos mercados, na bioenergia, nas pulses e na eficiência do plantio. Para o produtor, a prioridade é proteger o caixa, buscar informação e concentrar recursos nas decisões capazes de preservar produtividade e renda.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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Momento Agrícola

Subsídio ao diesel, atraso do B-16 e desafios financeiros são os destaques da semana

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Programa de Ricardo Arioli também aborda mercado de farelo de soja, etanol na navegação, investimentos em armazenagem, cooperativismo e endividamento rural

O subsídio ao diesel, a demora na elevação da mistura de biodiesel e os desafios financeiros do setor produtivo estão entre os destaques da edição deste sábado (10) do Momento Agrícola, apresentado por Ricardo Arioli. O programa também aborda oportunidades para o etanol no transporte marítimo, investimentos em armazenagem e o papel do cooperativismo no desenvolvimento regional.

Veiculado pela Rede de Rádios do Agro e repercutido pelo Enfoque Business, o programa ouviu Frederico Azevedo, superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras em Mato Grosso (OCB-MT); Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea); e Nilson Leitão, consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Subsídio ao diesel e impasse do biodiesel

Arioli comentou a prorrogação, por mais 30 dias, do subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel, com término previsto para 26 de outubro, um dia após o segundo turno das eleições. Segundo ele, o benefício ameniza os custos do produtor durante o plantio da safra de verão, mas não elimina a diferença entre a paridade do diesel importado e os preços internos.

Outro questionamento foi a demora na adoção do B16. A mistura obrigatória permanece em 15%, embora a elevação para 16% estivesse prevista desde março. Lideranças do setor defendem avanço até o B17, medida que reduziria a dependência de diesel importado e ampliaria o processamento nacional de soja.

Segundo os cálculos apresentados por Arioli, a adoção do B17 exigiria cerca de 1,4 bilhão de litros adicionais de biodiesel por ano e o esmagamento de mais 4,6 milhões de toneladas de soja. O Brasil, avaliou, dispõe de matéria-prima, capacidade industrial e mercado para absorver o aumento.

Brasil se aproxima da Argentina no farelo de soja

A expansão do biodiesel também influencia a disputa pelo mercado internacional de farelo de soja. A Argentina continua na liderança das exportações, mas a diferença em relação ao Brasil teria recuado de 86% em 2021 para 8% em 2026.

O Brasil consome internamente cerca de 21,4 milhões de toneladas de farelo, destinadas principalmente à produção de carnes, ovos e leite, enquanto a Argentina utiliza aproximadamente 2 milhões de toneladas. O aumento do processamento de soja para biocombustíveis tende a ampliar a oferta brasileira de óleo e farelo. O B18, previsto para 2028 pela Lei do Combustível do Futuro, poderá reduzir ainda mais a distância entre os países.

Etanol pode avançar na navegação

O transporte marítimo surge como novo mercado potencial para o etanol. Empresas como Vale e Maersk já testam o biocombustível em embarcações para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Arioli estimou que uma participação de 10% do etanol no combustível utilizado pela navegação mundial poderia gerar demanda de aproximadamente 30 bilhões de litros. A concretização desse mercado, porém, dependerá de investimentos em produção, logística e infraestrutura portuária.

Sukup avalia instalação em Mato Grosso

A norte-americana Sukup, fabricante de equipamentos para secagem, armazenagem e movimentação de grãos, avalia instalar uma indústria em Lucas do Rio Verde. Os valores do investimento e eventuais incentivos públicos ainda não foram divulgados.

Mato Grosso possui capacidade estática de armazenagem estimada em 64,2 milhões de toneladas, pouco mais da metade de sua produção de grãos. O déficit evidencia espaço para novos investimentos no segmento.

Cooperativismo movimenta a economia regional

Na entrevista, Frederico Azevedo apresentou dados de estudo contratado pela OCB-MT que apontam redução média de 10% no número de inscritos no Cadastro Único e queda próxima de 40% nos repasses do Bolsa Família em municípios com maior presença de cooperativas.

Segundo Azevedo, o cooperativismo gera efeitos econômicos e sociais em áreas como agropecuária, crédito, saúde e transporte. No campo, favorece ganhos de escala na compra de insumos, comercialização, armazenagem e industrialização. Cooperativas mato-grossenses teriam reduzido em cerca de 18% o custo médio de produção dos associados, enquanto a movimentação do setor no Estado avançou de aproximadamente R$ 47 bilhões para R$ 56 bilhões.

Ele também defendeu a diversificação para a industrialização de grãos, o biodiesel, o etanol e a biomassa, além da profissionalização da gestão e do planejamento financeiro para ampliar o acesso ao crédito privado.

Plantio avança, mas endividamento preocupa

Cleiton Gauer avaliou que o plantio da soja começou de forma irregular e mais lenta em Mato Grosso, mas ganhou ritmo com a regularização das chuvas. A manutenção do calendário é importante para preservar a janela de plantio do milho e do algodão de segunda safra.

A expectativa inicial de produtividade é de 62 sacas por hectare, abaixo das 65 a 66 sacas registradas em anos recentes. A distribuição das chuvas entre outubro e dezembro será decisiva para o resultado.

Segundo os dados apresentados pelo superintendente do Imea, a inadimplência rural atingiu 5,85% do crédito total no Estado. Considerando também contratos renegociados e prorrogados, o comprometimento chega a 21% do crédito, equivalente a cerca de R$ 22,5 bilhões.

Gauer alertou que a pressão financeira pode reduzir o uso de tecnologia e comprometer a continuidade das propriedades. Por isso, recomendou atenção à comercialização e ao fluxo de caixa.

Congresso terá desafios para o agro

Encerrando a edição, Nilson Leitão analisou a formação do próximo Congresso e o fortalecimento da bancada ligada à FPA. Entre as prioridades para 2027, citou segurança jurídica nas questões indígenas e fundiárias, regularização de áreas, políticas para a Amazônia Legal e uma agenda ambiental permanente.

Leitão também defendeu mudanças no seguro rural, no crédito agrícola e no tratamento do endividamento dos produtores. Para ele, o Plano Safra deveria adotar planejamento de dois ou três anos, em vez de depender exclusivamente de ciclos anuais, ampliando a previsibilidade para o financiamento e a gestão das propriedades.

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