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Momento Agrícola

Entre recordes, risco de diesel e inovação, agro entra na safra sob pressão

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Produção de grãos e carnes avança, mas crédito, combustível e rentabilidade seguem no centro das preocupações, enquanto novas tecnologias buscam dar mais eficiência às decisões no campo.

A combinação de recordes produtivos com custos elevados e incerteza econômica marca a entrada do agronegócio brasileiro na nova safra. As informações foram apresentadas na edição deste sábado (19) do Momento Agrícola, de Ricardo Arioli, que também mostrou iniciativas de inovação e estratégias para elevar a produtividade sem perder rentabilidade.

No campo político-econômico, sete empresas que firmaram acordos de leniência na Operação Lava Jato renegociaram as indenizações devidas à União. A atualização dos valores deixou de seguir a Selic, de 13,75% ao ano, e passou a considerar o IPCA. A mudança reduziu as dívidas em cerca de R$ 1,2 bilhão, para aproximadamente R$ 6 bilhões, com prazos que chegam a 2048. A medida alivia o passivo das companhias, mas recoloca em debate a diferença entre preservar empresas e assegurar a efetiva reparação dos danos.

Couro

No setor de couros, a JBS uniu sua operação à do grupo Viva, em uma empresa na qual cada sócio terá 50%. A JBS-Viva nasce com 31 fábricas em seis países e se torna a maior processadora mundial do produto.

Commodities

No mercado de milho, a interrupção de embarques ucranianos e o calor extremo na Europa abriram espaço para a Argentina, que pode exportar 10 milhões de toneladas em agosto e setembro. A colheita argentina é estimada em quase 72 milhões de toneladas, 20% acima do recorde anterior.

A Conab elevou a projeção da safra brasileira de grãos para 361,7 milhões de toneladas, alta de 2,6%. O milho deve alcançar 144 milhões de toneladas e a soja, 180,4 milhões, concentrando quase 90% do total. O algodão também bate recorde, com 4,14 milhões de toneladas de pluma, apesar da menor área. Em sentido oposto, arroz e trigo recuam, o que pode aumentar a necessidade de importações.

Carnes

Na pecuária, a produção das carnes bovina, suína e de frango deve superar 34 milhões de toneladas, 2% acima de 2025. A oferta permite abastecer o mercado interno e manter as exportações, mas o excedente de carne suína já pressiona a rentabilidade dos produtores. O frango pode atingir recorde de 5,76 milhões de toneladas exportadas. Na bovinocultura, a retenção de fêmeas para recompor o rebanho aponta para uma redução do abate em 2027.

Alta do diesel

O alerta mais imediato é o risco de aperto no diesel durante o plantio. O Brasil importa cerca de 25% do combustível que consome, e a alta internacional, associada às tensões no estreito de Ormuz, ampliou a defasagem dos preços domésticos. As importações caíram 18% em agosto, e uma nova retração pode afetar transporte, máquinas e logística justamente na fase mais crítica da safra.

Disciplina fiscal em dúvida

A redução da Selic para 13,75% poderia aliviar o custo da dívida pública, mas o reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado no dia seguinte, reacendeu a discussão sobre disciplina fiscal. Para o setor produtivo, a questão central é se a queda dos juros será convertida em crédito mais acessível ou apenas compensará a expansão das despesas, mantendo a pressão sobre inflação, câmbio e financiamento rural.

Entrevistas

Na frente de inovação, Érika Segóvia explicou que a terceira edição do AgriHUB Conecta ouviu mais de 3 mil produtores, identificou dez desafios prioritários e selecionou mais de 14 empresas. Falta de mão de obra, custos operacionais, acesso ao crédito e exigências de qualidade estão entre os problemas mapeados. O diferencial foi acompanhar a adoção das soluções no campo e medir seus resultados, em vez de apenas apresentar startups.

Pedro Tomazelli apresentou a plataforma Sua Semente, que reúne informações públicas sobre cultivares de soja, permite filtrar materiais por região, tecnologia e ciclo e organiza cotações de fornecedores. A ferramenta pode reduzir o tempo de escolha, mas não substitui o agrônomo: a recomendação precisa ser conferida diante das características de cada talhão, incluindo solo, doenças e nematoides.

Na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte, a abertura nacional do plantio de soja marcou os 15 anos do projeto Soja Brasil e a parceria entre Canal Rural e CESB. Nery Ribas destacou que os dados do Desafio Nacional de Máxima Produtividade serão disseminados para orientar o produtor. O campeão da última edição colheu 156 sacas por hectare, mas a mensagem mais importante é econômica: produtividade só faz sentido quando vem acompanhada de margem.

A propriedade dos Pozzobon exemplifica essa lógica ao integrar etanol de milho, pecuária, biometano, compostagem e uso dos resíduos como fertilizantes. A agricultura circular, a agregação de valor e a inovação deixam de ser conceitos acessórios e passam a funcionar como instrumentos de proteção diante de mercados voláteis, crédito caro e eventuais perdas de demanda externa.

Ouça na íntegra:

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Momento Agrícola

Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

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O produtor rural brasileiro enfrenta um momento delicado e vivenciou uma semana de decisões difíceis. O custo do dinheiro, o endividamento e a demora na renegociação de dívidas limitam o acesso ao Plano Safra justamente no período em que é preciso financiar a implantação das lavouras. Ao mesmo tempo, o mercado da carne passa por uma mudança de configuração: União Europeia e China perdem espaço relativo, enquanto os Estados Unidos aparecem como novo destino estratégico.

Na avaliação do consultor, engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Arioli, em seu programa de rádio semanal “Momento Agrícola”, a dificuldade não está apenas no volume de recursos anunciado, mas na capacidade de o produtor acessar o crédito em tempo hábil. A burocracia, as exigências bancárias e o passivo acumulado reduzem a margem de manobra de quem precisa comprar insumos, reorganizar o fluxo de caixa e decidir quanto plantar.

A renegociação das dívidas é, hoje, um dos temas centrais do setor produtivo. Sem condições claras e operacionais para repactuar débitos, produtores permanecem com restrições que dificultam novos financiamentos. O risco é que a falta de capital provoque cortes na adubação, reduza investimentos em tecnologia e comprometa a produtividade da próxima safra. O calendário agrícola, porém, não acompanha a velocidade das negociações financeiras.

Na pecuária, a entrada dos Estados Unidos entre os mercados relevantes da carne brasileira amplia as alternativas comerciais. A diversificação pode reduzir a dependência de poucos compradores e abrir espaço para novas estratégias de exportação, mas também exige atenção a requisitos sanitários, qualidade, logística e regularidade de fornecimento. A mudança de destinos ocorre em um ambiente de disputa internacional e de consumidores mais exigentes.

Feijões e pulses

Lavoura com feijão-mungo verde em Tangará da Serra: Mais de 90% da produção é exportada.

No segundo bloco do Momento Agrícola deste sábado, Marcelo Luders, do IBRAFE, destaca as oportunidades de mercado para feijões e pulses — grupo que inclui leguminosas como lentilhas, grão-de-bico e ervilhas. Para aproveitar esse potencial, o setor precisa de informação confiável para orientar decisões de plantio, comercialização e investimento. A proposta de uma campanha para ampliar o consumo interno aparece como caminho para fortalecer a demanda e reduzir a exposição do produtor às oscilações externas.

Biodiesel estratégico

Na sequência, Jerônimo Gorgen, presidente da Aprobio, trata da qualidade do biodiesel e dos efeitos de uma eventual ampliação da mistura ao diesel. O aumento do uso pode criar mercado para matérias-primas agrícolas, contribuir para a redução de emissões e fortalecer a renda dos produtores. A expansão, entretanto, depende de qualidade constante, controle técnico e segurança para toda a cadeia de produção e distribuição.

Plantio de soja

No último bloco, o professor Rogério Coimbra, especialista em sementes da Universidade Federal de Mato Grosso, chama atenção para ações básicas que determinam o resultado do plantio de soja. A escolha de sementes adequadas, o planejamento da operação, a qualidade da implantação e o cuidado com as condições do solo são decisões que não podem ser tratadas como detalhes. A produtividade começa antes da semeadura e depende da execução correta de cada etapa.

Em conjunto, os quatro blocos mostram um setor pressionado no curto prazo, mas com oportunidades em novos mercados, na bioenergia, nas pulses e na eficiência do plantio. Para o produtor, a prioridade é proteger o caixa, buscar informação e concentrar recursos nas decisões capazes de preservar produtividade e renda.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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