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Valter Locatelli curte aposentadoria e agradece trajetória bem-sucedida na advocacia

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Após 46 anos de atuação na advocacia criminal, o advogado Valter Caetano Locatelli inicia uma nova fase, agora longe dos tribunais. A despedida ocorreu recentemente, durante sua última atuação em plenário, na defesa de um acusado de homicídio que acabou absolvido por legítima defesa.

Os jurados acolheram a tese sustentada por Locatelli, que também argumentou a ocorrência de excesso exculpante por inexigibilidade de conduta diversa.

Valter Locatelli: “Encerrei minha carreira como iniciei, com vitória”.

“Encerrei minha carreira como iniciei, com vitória”, afirmou o jurista, ao destacar a gratidão por todos que fizeram parte de sua caminhada de quase meio século. “Quero agradecer a toda a advocacia, à OAB, cuja 10ª Subseção ajudei a fundar em Tangará da Serra. Sou grato ao Judiciário e ao Ministério Público, que sempre atuaram com dignidade e competência nos júris em que participei”, declarou.

Ele também destacou o relacionamento institucional com os órgãos de segurança pública. “Sempre mantive uma relação respeitosa com as polícias Civil, Militar e Penal, com a perícia técnica e com o Corpo de Bombeiros, instituições com as quais tive contato frequente ao longo da carreira”.

Locatelli ainda reconheceu a contribuição de sua equipe de trabalho, da imprensa e da comunidade tangaraense. “Minha gratidão é tão grande que não é possível enumerar todos. Essa comunidade faz parte da minha trajetória e da minha vida, como homem e como advogado”.

Por fim, fez um agradecimento especial à família, às filhas, netas e genros. “Tiveram paciência e compreensão nos momentos em que estive ausente por exigência da profissão”.

A partir de agora, pretende dedicar mais tempo à família, alternando períodos em Tangará da Serra, na residência de praia, em Santa Catarina, e em visitas ao Rio Grande do Sul, onde mantém vínculos familiares.

Trajetória

Natural de Passo Fundo, Valter Caetano Locatelli nasceu na década de 1960, em uma família numerosa. Trabalhou como engraxate na infância e chegou a ingressar no seminário. Formou-se em Técnico em Contabilidade antes de optar pelo Direito, inspirado por um filme sobre o Tribunal do Júri. Graduou-se em Direito em 1979, iniciando a carreira no Rio Grande do Sul. Em 1986, fixou residência em Tangará da Serra, onde mantém escritório até hoje. Ao longo da carreira, participou de mais de 600 júris, atuando em diversas comarcas de Mato Grosso e em outros estados.

Locatelli defende que a advocacia criminal exige coragem e compromisso com os direitos constitucionais do réu, independentemente de culpa. Em suas manifestações, recorre a ensinamentos de Ruy Barbosa para reforçar o papel essencial da defesa na Justiça. Sustenta que o advogado deve permanecer ao lado do cliente até o fim do processo. Ao encerrar a carreira, afirmou que leva consigo as experiências vividas, destacando que sua maior realização seria atuar até o último momento no Tribunal do Júri.

(Assessoria Especial)

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Ícone da advocacia criminal de Mato Grosso, Valter Locatelli despede-se do Tribunal do Júri

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Com mais de 600 júris e 46 anos de advocacia, ele encerra carreira no próximo dia 12, em júri na Comarca de Tangará da Serra

Uma paixão de quase meio século faz qualquer ser humano sentir o peso da despedida. Roberto Carlos canta que as paixões são impossíveis de esquecer. “Das lembranças que eu trago na vida, você é a saudade que eu gosto de ter”.

Talvez essa estrofe transite pela mente do advogado criminalista Valter Caetano Locatelli, que fará no próximo dia 12 de março (quinta-feira) sua última atuação no Tribunal do Júri, encerrando uma trajetória de 46 anos na advocacia, 40 deles exercidos em Tangará da Serra.

O júri, que acontece a partir das 08h30 na Comarca local, simboliza o encerramento de um ciclo profissional iniciado no Rio Grande do Sul e consolidado em Tangará da Serra, onde construiu a maior parte de sua história na advocacia criminal, demarcando uma das trajetórias mais conhecidas da área em Mato Grosso.

Neste último desafio, atuará como advogado de defesa em um caso de homicídio ocorrido no início dos anos 2000. Como em todos os processos dessa natureza, caberá ao criminalista sustentar que a defesa não existe para proteger o crime, mas para assegurar o cumprimento da Justiça.

Trajetória

Valter Caetano Locatelli é natural de Passo Fundo. Nasceu na década de 1960, em uma família de 13 filhos, de “seo” Orestes e dona Verônica. Trabalhou como engraxate na infância e ingressou no seminário com a intenção de se tornar padre. Posteriormente, cursou Técnico em Contabilidade e atuou na área por alguns anos.

A decisão pelo Direito surgiu após assistir a um filme cuja cena central retratava um embate entre advogado e promotor no Tribunal do Júri. Matriculou-se na Faculdade de Direito de Cruz Alta e colou grau em 1979, iniciando a carreira em Seberi, no Rio Grande do Sul.

Em maio de 1985, visitou Tangará da Serra a convite de um amigo. Em janeiro de 1986, estabeleceu-se definitivamente na cidade, onde mantém, desde então, escritório na Avenida Brasil, nº 144.

Ao longo da carreira, participou de mais de 600 júris, atuando na maioria das comarcas de Mato Grosso e em outros sete estados brasileiros. A presença constante no plenário tornou-se marca de sua atuação profissional.

Reflexões

Valter Locatelli: 46 anos de advocacia, sendo 40 exercidos em Tangará da Serra.

Nas petições e manifestações, Locatelli costuma registrar reflexões sobre o papel do advogado criminal. Entre as expressões recorrentes está a afirmação de que “a advocacia criminal não é profissão para covardes” e de que o defensor atua como porta-voz dos direitos constitucionais de quem ocupa o banco dos réus, culpado ou não.

Também recorre a ensinamentos de Ruy Barbosa, citando a defesa como função essencial à Justiça e à sociedade. Sustenta que o advogado deve permanecer ao lado do réu até o último momento processual.

Sobre o encerramento da carreira, resume: “Hoje morre meu lado jurídico, mas levarei esses momentos para sempre guardados dentro do meu coração. Minha maior glória seria morrer no Tribunal do Júri”.

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