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Momento Agrícola

Tarifaço em vigor, exportações de carnes, notícias comentadas e entrevistas são destaques

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Ricardo Arioli comenta algumas das principais notícias do agro na semana que passou.
Agora em vigore, o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos aos produtos importados do Brasil segue como o principal destaque em pauta.

Mas há temas mais positivos, como o destaque mundial do Brasil, como campeão dos biológicos, e a recuperação do mercado de frango também são destaques.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Tarifaço em vigor

Entrou em vigor o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, do presidente Donald Trump. Cerca de 700 produtos — como suco de laranja, óleos e derivados, aeronaves civis e componentes, além de celulose — estão isentos da tarifa adicional de 50%. Estima-se que aproximadamente 45% das exportações brasileiras para os EUA fiquem protegidas da sobretaxa, mantendo a tarifa anterior de cerca de 10%.

Leia mais:  Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

Por outro lado, commodities de grande relevância para a balança comercial brasileira, como carne bovina, etanol e açúcar, passam a sofrer a taxação integral de 50%, o que compromete a competitividade desses produtos no mercado norte-americano.

Carne bovina

As exportações brasileiras de carnes in natura e processadas registraram recorde em julho, atingindo 310 mil toneladas, um aumento de 15% em relação ao volume exportado em junho.

O México se destacou com crescimento expressivo nas importações: foram 16 mil toneladas de carne bovina brasileira adquiridas, contra apenas 2 mil toneladas em agosto do ano passado.

A China segue como principal destino da carne bovina do Brasil, com mais de 100 mil toneladas importadas — o que representa cerca de 58% de todo o volume exportado pelo país.
Outro mercado de interesse é o Japão, que prioriza cortes de maior valor agregado.

Outras

Além das notícias comentadas, o Momento Agrícola desta semana traz entrevistas sobre temas relevantes:

  • Os 50 anos da Embrapa Cerrados, com Dr. Sebastião Pedro Neto;
  • Os 15% de biodiesel no diesel, com Leonardo Zilio, da Ubrabio;
  • O mercado de fertilizantes em meio ao tarifaço, com Jeferson Souza, da Agrinvest.
Leia mais:  Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

Para ouvir o Momento Agrícola deste sábado na íntegra, clique no podcast abaixo.

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Momento Agrícola

Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

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O produtor rural brasileiro enfrenta um momento delicado e vivenciou uma semana de decisões difíceis. O custo do dinheiro, o endividamento e a demora na renegociação de dívidas limitam o acesso ao Plano Safra justamente no período em que é preciso financiar a implantação das lavouras. Ao mesmo tempo, o mercado da carne passa por uma mudança de configuração: União Europeia e China perdem espaço relativo, enquanto os Estados Unidos aparecem como novo destino estratégico.

Na avaliação do consultor, engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Arioli, em seu programa de rádio semanal “Momento Agrícola”, a dificuldade não está apenas no volume de recursos anunciado, mas na capacidade de o produtor acessar o crédito em tempo hábil. A burocracia, as exigências bancárias e o passivo acumulado reduzem a margem de manobra de quem precisa comprar insumos, reorganizar o fluxo de caixa e decidir quanto plantar.

A renegociação das dívidas é, hoje, um dos temas centrais do setor produtivo. Sem condições claras e operacionais para repactuar débitos, produtores permanecem com restrições que dificultam novos financiamentos. O risco é que a falta de capital provoque cortes na adubação, reduza investimentos em tecnologia e comprometa a produtividade da próxima safra. O calendário agrícola, porém, não acompanha a velocidade das negociações financeiras.

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Na pecuária, a entrada dos Estados Unidos entre os mercados relevantes da carne brasileira amplia as alternativas comerciais. A diversificação pode reduzir a dependência de poucos compradores e abrir espaço para novas estratégias de exportação, mas também exige atenção a requisitos sanitários, qualidade, logística e regularidade de fornecimento. A mudança de destinos ocorre em um ambiente de disputa internacional e de consumidores mais exigentes.

Feijões e pulses

Lavoura com feijão-mungo verde em Tangará da Serra: Mais de 90% da produção é exportada.

No segundo bloco do Momento Agrícola deste sábado, Marcelo Luders, do IBRAFE, destaca as oportunidades de mercado para feijões e pulses — grupo que inclui leguminosas como lentilhas, grão-de-bico e ervilhas. Para aproveitar esse potencial, o setor precisa de informação confiável para orientar decisões de plantio, comercialização e investimento. A proposta de uma campanha para ampliar o consumo interno aparece como caminho para fortalecer a demanda e reduzir a exposição do produtor às oscilações externas.

Biodiesel estratégico

Na sequência, Jerônimo Gorgen, presidente da Aprobio, trata da qualidade do biodiesel e dos efeitos de uma eventual ampliação da mistura ao diesel. O aumento do uso pode criar mercado para matérias-primas agrícolas, contribuir para a redução de emissões e fortalecer a renda dos produtores. A expansão, entretanto, depende de qualidade constante, controle técnico e segurança para toda a cadeia de produção e distribuição.

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Plantio de soja

No último bloco, o professor Rogério Coimbra, especialista em sementes da Universidade Federal de Mato Grosso, chama atenção para ações básicas que determinam o resultado do plantio de soja. A escolha de sementes adequadas, o planejamento da operação, a qualidade da implantação e o cuidado com as condições do solo são decisões que não podem ser tratadas como detalhes. A produtividade começa antes da semeadura e depende da execução correta de cada etapa.

Em conjunto, os quatro blocos mostram um setor pressionado no curto prazo, mas com oportunidades em novos mercados, na bioenergia, nas pulses e na eficiência do plantio. Para o produtor, a prioridade é proteger o caixa, buscar informação e concentrar recursos nas decisões capazes de preservar produtividade e renda.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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