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Agronegócio & Produção

Rumo vende em Santos para investir no MT. Derrubada de vetos e reflexões entre os destaques

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Na edição deste sábado (01.06) do Momento Agrícola há vários destaques relacionados ao Agro, em especial sobre uma questão de logística de suma importância para Mato Grosso, e a derrubada de vetos da presidência da República pelo Congresso Nacional em temas cruciais para o setor agropecuário.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro – entre elas a Enfoque Rádio Web – e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

De Santos para Mato Grosso

Entre as notícias do Agro da semana que passou, um dos destaques é a venda da participação da Rumo Logística no terminal 39 do Porto de Santos. O T-39 (foto do topo), que tinha participação de 50% da Rumo, é utilizado principalmente para exportação de farelo de soja e está, agora, sob controle de um consórcio formado pela Bunge e Zen-Noh Grain Corporation.

Rumo fortalece seu balanço para financiar a construção do terminal de granéis sólidos em Lucas do Rio Verde.

O valor da participação da Rumo no terminal é de R$ 600 milhões, correspondendo a um valor patrimonial de aproximadamente R$ 550 milhões. A venda do ativo em Santos faz parte de uma estratégia de reciclagem de capital da Rumo para fortalecer seu caixa e financiar a construção de seu novo terminal de granéis sólidos de R$ 2,5 bilhões para assegurar capacidade portuária ao projeto ferroviário Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso.

Derrubada de vetos

Ainda no primeiro bloco, Ricardo Arioli comenta sobre a derrubada de vetos presidenciais pelo Congresso relacionados ao setor agropecuário. Um dos pontos tem a ver com a regularização fundiária na Amazônia, onde a derrubada do veto permite a atualização de laudos da terra mostrando as condições atuais da propriedade. “A regularização fundiária da Amazônia é importante para acabar de uma vez por todas com o desmatamento ilegal que acontece por lá, já que ninguém sabe quem é o verdadeiro proprietário das terras”, observa o autor do Momento Agrícola.

Outros destaques do primeiro bloco do programa são o aumento das exportações, o mercado do boi gordo, a Petrobras e os nitrogenados, e o baixo consumo de mel no Brasil.

Nos blocos seguintes, os destaques ficam por conta das “restrições europeias que incomodam”, reflexões sobre o papel das abelhas, que são fundamentais para polinizar alguns cultivos, garantindo a produção, e ainda podem ajudar outras culturas, como a soja, que já abre a flor fecundada.

Cigarrinha ataca com força na Argentina e causa quebra na safra de milho.

Ricardo Arioli comenta, ainda, mais algumas notícias relacionadas ao Agro pelo mundo afora, como a praga cigarrinha, que causou sérios prejuízos na Argentina, e a seca no México que afeta o milho.

Por fim, Arioli comenta sobre o desejo dos consumidores europeus por um alimento produzido de forma mais sustentável, mas ainda não entendem que terão de pagar essa conta.

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique no podcast abaixo ou acesse a Enfoque Rádio Web, na parte superior da página deste site. O programa vai ao ar aos sábados, a partir das 07h00, com reprise aos domingos, no mesmo horário.

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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