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PROCON de Tangará notifica posto por alta nos preços; majorações vêm das distribuidoras

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A escalada de tensões no Oriente Médio, com envolvimento dos Estados Unidos e do Irã, elevou os preços dos combustíveis em Mato Grosso em março de 2026. Em Cuiabá, o diesel S10 superou R$ 7,00, enquanto no interior há registros próximos de R$ 8,00, sob influência da alta do petróleo no mercado internacional.

Nesse cenário, em meio a questionamentos sobre a fiscalização de preços no município, o PROCON de Tangará da Serra emitiu a Notificação nº 15/2026 contra um posto localizado na avenida Ismael José do Nascimento. O estabelecimento deverá apresentar justificativas e documentação fiscal dos reajustes recentes.

Prazo e apuração

O prazo estipulado é de três dias úteis, contados do recebimento do documento (foto abaixo), assinado em 16 de março, com vencimento nesta quinta-feira (19). O órgão requisita notas fiscais de compra e dados de venda ao consumidor de gasolina, etanol, diesel S10 e S500, além do Livro de Movimentação de Combustíveis (LMC).

A apuração busca verificar se houve repasse proporcional ao aumento de custos ou prática de elevação sem justa causa.

Repasse e mercado

A direção do posto afirma que os reajustes refletem os preços das distribuidoras. “Se a distribuidora aumenta, é necessário repassar para repor o estoque e manter o abastecimento”, informou à reportagem.

Segundo o estabelecimento, o diesel nas distribuidoras varia entre R$ 7,10 e R$ 8,00 por litro. A fonte atribui a pressão ao avanço do barril tipo ‘Brent crude oil’, que teria superado US$ 100 após alta recente.

Em Tangará da Serra, o diesel comum é comercializado em torno de R$ 7,59 e o S10 a R$ 7,69. A gasolina gira em torno de R$ 6,64. Em Cuiabá, o diesel subiu mais de R$ 1,00 no período recente, enquanto a gasolina é vendida a R$ 6,60/litro.

Com a diferença de preços, o etanol, vendido na faixa de R$ 4,59, ganha competitividade, favorecido também pela produção regional.

Matéria relacionada:

Tensão global pode levar ao 4º Choque do Petróleo; PROCON segue contexto nacional

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Aripuanã vê duas obras milionárias travadas por decisões da Justiça e do Tribunal de Contas

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Usina solar de R$ 30 milhões tem pagamentos suspensos pelo Tribunal de Contas, enquanto licitação da nova Prefeitura é barrada pela Justiça; investimentos somam mais de R$ 40 milhões e pressionam município de 26 mil habitantes

Dois grandes investimentos da gestão da prefeita Seluir Peixer Reghin (União) estão sob intervenção dos órgãos de controle e ampliam a preocupação com a questão da regularidade e, também, quanto aos impactos financeiros para Aripuanã. Enquanto o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) suspendeu os pagamentos restantes da usina solar de aproximadamente R$ 30 milhões, a Justiça determinou a paralisação da licitação para a construção da nova sede da Prefeitura por indícios de irregularidades no edital.

Juntas, as duas obras ultrapassam R$ 40 milhões em investimentos previstos — valor expressivo para um município de pouco mais de 26 mil habitantes e orçamento anual de cerca de R$ 250 milhões. Apenas a usina fotovoltaica representa cerca de 12% de toda a receita orçamentária do município.

No caso da usina solar, o TCE concedeu medida cautelar suspendendo o pagamento dos cerca de R$ 2,32 milhões ainda pendentes do contrato, diante de indícios de sobrepreço e outras possíveis irregularidades. Segundo a decisão, aproximadamente R$ 27,67 milhões já foram desembolsados à empresa contratada, enquanto a Corte instaurou Tomada de Contas para apurar eventual dano ao erário.

Prefeita Seluit Peixer Reghin: Obras milionárias de sua gestão são alvos de embargo por supostas irregularidades.

A situação financeira preocupa porque, apesar do elevado investimento, a usina ainda não entrou em operação. Desde dezembro de 2025, a Prefeitura já paga os juros do financiamento contratado para executar a obra e, agora, começam a vencer também as parcelas do empréstimo, embora o empreendimento ainda não produza energia para abastecer os prédios públicos.

Outro obstáculo é a inexistência do parecer de acesso da Energisa, documento indispensável para autorizar a conexão da usina ao sistema elétrico. Sem essa autorização, a energia gerada não pode ser injetada na rede, impedindo a compensação dos créditos e adiando a economia prometida.

Na prática, o município corre o risco de enfrentar uma dupla despesa: continuar pagando integralmente as contas de energia elétrica das repartições públicas e, simultaneamente, arcar com as prestações do financiamento de uma usina que não está funcionando.

A decisão do TCE é cautelar e não representa julgamento definitivo. Os responsáveis ainda poderão apresentar defesa durante a instrução do processo.

Nova Prefeitura

Paralelamente, a Justiça de Mato Grosso suspendeu a Concorrência Pública nº 10/2026, destinada à construção da nova sede da Prefeitura de Aripuanã. (Veja no arquivo com decisão judicial: Aripuanã, mandado com prdido de liminar – nova prefeitura)

A decisão liminar do juiz substituto Yago da Silva Sebastião atendeu mandado de segurança apresentado por uma das empresas participantes do certame, que apontou possíveis ilegalidades na condução da licitação.

Segundo a decisão, houve alteração substancial do edital na véspera da abertura das propostas. O documento originalmente previa julgamento pelo critério de técnica e preço, mas, um dia antes da sessão pública, a Administração Municipal informou que o critério correto seria o de menor preço global, classificando a mudança como mero erro material.

Para o magistrado, entretanto, o próprio edital continha toda a estrutura necessária para avaliação técnica, o que afasta a tese de simples equívoco formal. A decisão também destaca divergências em documentos internos da própria Prefeitura sobre o critério de julgamento, situação que pode comprometer a igualdade entre os concorrentes.

Com base na Lei Federal nº 14.133/2021, a Justiça entendeu que mudanças capazes de influenciar a formulação das propostas exigem republicação do edital e reabertura dos prazos legais.

A liminar determinou a suspensão imediata da licitação, proibiu adjudicação, homologação, assinatura de contrato ou emissão de ordem de serviço e concedeu ao município a possibilidade de corrigir integralmente o edital, republicá-lo e reabrir os prazos antes de retomar o certame.

As duas decisões, embora cautelares e ainda sujeitas ao julgamento de mérito, colocam sob questionamento dois dos maiores projetos da atual administração municipal e evidenciam o elevado impacto que investimentos dessa magnitude podem produzir nas finanças de um município de pequeno porte. A situação ganha maior relevância no caso da usina solar, cujo custo equivale, sozinho, a aproximadamente 12% de todo o orçamento anual de Aripuanã.

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