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Momento Agrícola

Potências em diálogo, desmatamento zero, plano chinês e semente pirata são destaques

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O diálogo mantido pelos dois principais líderes mundiais, a polêmica em torno da prorrogação do desmatamento zero, o plano quinquenal de crescimento da China, as ameaças das sementes piratas e entrevistas são os principais destaques do Momento Agrícola deste sábado, 1º de novembro.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Encontro de gigantes

Durante encontro no último dia 30 (quinta-feira), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que teve uma reunião “incrível” com o presidente chinês, Xi Jinping. O líder norte-americano disse ter chegado a um acordo para reduzir as tarifas sobre a China, enquanto Pequim se comprometeu a retomar a compra de soja americana e manter o fluxo de exportações de terras raras. O tráfico de fentanil também deverá ser combatido.

Outro assunto abordado no programa é a prorrogação da Lei do Desmatamento Zero, que gerou repercussão negativa no meio produtivo. “O Brasil, que só emite 2,9% das emissões mundiais, não conseguirá salvar o mundo… e os Europeus só enxergam a metade vazia do nosso copo ambiental, uns 2% do total”, observa Ricardo Arioli.

Além de notícias comentadas, o Momento Agrícola traz, no segundo bloco, uma análise sobre o Plano Quinquenal de Crescimento até 2030 anunciado pela China. Neste bloco, Arioli analisa os impactos da política de segurança alimentar do gigante asiático sobre as exportações brasileiras.

Nos dois blocos seguintes, o Momento Agrícola traz entrevistas com os temas “Semente pirata ameaça o Agro”, com Enilson Nogueira, da Céleres, e “Como contratar máquinas agrícolas”, com André Dobashi, da CNA.

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique no podcast abaixo:

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Momento Agrícola

Subsídio ao diesel, atraso do B-16 e desafios financeiros são os destaques da semana

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Programa de Ricardo Arioli também aborda mercado de farelo de soja, etanol na navegação, investimentos em armazenagem, cooperativismo e endividamento rural

O subsídio ao diesel, a demora na elevação da mistura de biodiesel e os desafios financeiros do setor produtivo estão entre os destaques da edição deste sábado (10) do Momento Agrícola, apresentado por Ricardo Arioli. O programa também aborda oportunidades para o etanol no transporte marítimo, investimentos em armazenagem e o papel do cooperativismo no desenvolvimento regional.

Veiculado pela Rede de Rádios do Agro e repercutido pelo Enfoque Business, o programa ouviu Frederico Azevedo, superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras em Mato Grosso (OCB-MT); Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea); e Nilson Leitão, consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Subsídio ao diesel e impasse do biodiesel

Arioli comentou a prorrogação, por mais 30 dias, do subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel, com término previsto para 26 de outubro, um dia após o segundo turno das eleições. Segundo ele, o benefício ameniza os custos do produtor durante o plantio da safra de verão, mas não elimina a diferença entre a paridade do diesel importado e os preços internos.

Outro questionamento foi a demora na adoção do B16. A mistura obrigatória permanece em 15%, embora a elevação para 16% estivesse prevista desde março. Lideranças do setor defendem avanço até o B17, medida que reduziria a dependência de diesel importado e ampliaria o processamento nacional de soja.

Segundo os cálculos apresentados por Arioli, a adoção do B17 exigiria cerca de 1,4 bilhão de litros adicionais de biodiesel por ano e o esmagamento de mais 4,6 milhões de toneladas de soja. O Brasil, avaliou, dispõe de matéria-prima, capacidade industrial e mercado para absorver o aumento.

Brasil se aproxima da Argentina no farelo de soja

A expansão do biodiesel também influencia a disputa pelo mercado internacional de farelo de soja. A Argentina continua na liderança das exportações, mas a diferença em relação ao Brasil teria recuado de 86% em 2021 para 8% em 2026.

O Brasil consome internamente cerca de 21,4 milhões de toneladas de farelo, destinadas principalmente à produção de carnes, ovos e leite, enquanto a Argentina utiliza aproximadamente 2 milhões de toneladas. O aumento do processamento de soja para biocombustíveis tende a ampliar a oferta brasileira de óleo e farelo. O B18, previsto para 2028 pela Lei do Combustível do Futuro, poderá reduzir ainda mais a distância entre os países.

Etanol pode avançar na navegação

O transporte marítimo surge como novo mercado potencial para o etanol. Empresas como Vale e Maersk já testam o biocombustível em embarcações para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Arioli estimou que uma participação de 10% do etanol no combustível utilizado pela navegação mundial poderia gerar demanda de aproximadamente 30 bilhões de litros. A concretização desse mercado, porém, dependerá de investimentos em produção, logística e infraestrutura portuária.

Sukup avalia instalação em Mato Grosso

A norte-americana Sukup, fabricante de equipamentos para secagem, armazenagem e movimentação de grãos, avalia instalar uma indústria em Lucas do Rio Verde. Os valores do investimento e eventuais incentivos públicos ainda não foram divulgados.

Mato Grosso possui capacidade estática de armazenagem estimada em 64,2 milhões de toneladas, pouco mais da metade de sua produção de grãos. O déficit evidencia espaço para novos investimentos no segmento.

Cooperativismo movimenta a economia regional

Na entrevista, Frederico Azevedo apresentou dados de estudo contratado pela OCB-MT que apontam redução média de 10% no número de inscritos no Cadastro Único e queda próxima de 40% nos repasses do Bolsa Família em municípios com maior presença de cooperativas.

Segundo Azevedo, o cooperativismo gera efeitos econômicos e sociais em áreas como agropecuária, crédito, saúde e transporte. No campo, favorece ganhos de escala na compra de insumos, comercialização, armazenagem e industrialização. Cooperativas mato-grossenses teriam reduzido em cerca de 18% o custo médio de produção dos associados, enquanto a movimentação do setor no Estado avançou de aproximadamente R$ 47 bilhões para R$ 56 bilhões.

Ele também defendeu a diversificação para a industrialização de grãos, o biodiesel, o etanol e a biomassa, além da profissionalização da gestão e do planejamento financeiro para ampliar o acesso ao crédito privado.

Plantio avança, mas endividamento preocupa

Cleiton Gauer avaliou que o plantio da soja começou de forma irregular e mais lenta em Mato Grosso, mas ganhou ritmo com a regularização das chuvas. A manutenção do calendário é importante para preservar a janela de plantio do milho e do algodão de segunda safra.

A expectativa inicial de produtividade é de 62 sacas por hectare, abaixo das 65 a 66 sacas registradas em anos recentes. A distribuição das chuvas entre outubro e dezembro será decisiva para o resultado.

Segundo os dados apresentados pelo superintendente do Imea, a inadimplência rural atingiu 5,85% do crédito total no Estado. Considerando também contratos renegociados e prorrogados, o comprometimento chega a 21% do crédito, equivalente a cerca de R$ 22,5 bilhões.

Gauer alertou que a pressão financeira pode reduzir o uso de tecnologia e comprometer a continuidade das propriedades. Por isso, recomendou atenção à comercialização e ao fluxo de caixa.

Congresso terá desafios para o agro

Encerrando a edição, Nilson Leitão analisou a formação do próximo Congresso e o fortalecimento da bancada ligada à FPA. Entre as prioridades para 2027, citou segurança jurídica nas questões indígenas e fundiárias, regularização de áreas, políticas para a Amazônia Legal e uma agenda ambiental permanente.

Leitão também defendeu mudanças no seguro rural, no crédito agrícola e no tratamento do endividamento dos produtores. Para ele, o Plano Safra deveria adotar planejamento de dois ou três anos, em vez de depender exclusivamente de ciclos anuais, ampliando a previsibilidade para o financiamento e a gestão das propriedades.

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