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Momento Agrícola

O PL da Reciprocidade, o clichê do Imazon, notícias comentadas e entrevistas são destaques

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A reação do Brasil à polêmica dos tarifaços e a imposição de outras barreiras às exportações brasileiras por países como os Estados Unidos e a União Europeia, o recente estudo do IMAZON que classifica a pecuária brasileira como “ineficaz”, notícias comentadas e entrevistas são os destaques do Momento Agrícola deste sábado (22).

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Reciprocidade

A Comissão de Meio Ambiente do Senado aprovou na última terça-feira (18) o Projeto de Lei 2.088/2023, de autoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS). A matéria, uma vez sancionada, permitirá ao Brasil responder com sanções comerciais aos países que não mantenham uma relação de isonomia econômica.

Senadora Tereza Cristina (PP-MS), autora do PL da Reciprocidade.

O chamado PL da Reciprocidade, originalmente, tratava de equiparar exigências de controle ambiental, mas também cria barreiras econômicas para outros países ou blocos que afetem a competitividade brasileira no exterior.

Leia mais:  Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

Com a aprovação na Comissão de Meio Ambiente, a matéria deve avançar para a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Caso não exista contestação pelo plenário da Casa, o PL vai para a Câmara.

O texto ganhou força em resposta ao chamado “tarifaço” imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e às restrições impostas pelo mercado europeu à proteína bovina brasileira e à soja produzida em áreas desmatadas.

Clichê

Outra pauta do Momento Agrícola deste sábado é o velho e surrado discurso de que a pecuária brasileira é improdutiva e incentiva o desmatamento para que a produção seja ampliada.

A afirmação – um verdadeiro “clichê” do ativismo (este geralmente alimentado por recursos estrangeiros) – é usada pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON) em recente estudo, apregoando que, mesmo tendo melhorado, a pecuária brasileira segue “ineficiente” e ocupa 64% das terras usadas pelo agro no Brasil, gerando apenas 17% do valor bruto do setor.

Outras

O programa traz, ainda, uma série de notícias comentadas e blocos com entrevistas com os temas “A Vida nos EUA”, com Robson Magnani; “As mudanças no Manual de Crédito Rural”, com Guilherme Rios, da CNA, e “O Armazenamento na Fazenda”, com Paulo César Corrêa, do Centreinar.

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Para ouvir o Momento Agrícola deste sábado na íntegra, clique no podcast abaixo.

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Momento Agrícola

Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

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O produtor rural brasileiro enfrenta um momento delicado e vivenciou uma semana de decisões difíceis. O custo do dinheiro, o endividamento e a demora na renegociação de dívidas limitam o acesso ao Plano Safra justamente no período em que é preciso financiar a implantação das lavouras. Ao mesmo tempo, o mercado da carne passa por uma mudança de configuração: União Europeia e China perdem espaço relativo, enquanto os Estados Unidos aparecem como novo destino estratégico.

Na avaliação do consultor, engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Arioli, em seu programa de rádio semanal “Momento Agrícola”, a dificuldade não está apenas no volume de recursos anunciado, mas na capacidade de o produtor acessar o crédito em tempo hábil. A burocracia, as exigências bancárias e o passivo acumulado reduzem a margem de manobra de quem precisa comprar insumos, reorganizar o fluxo de caixa e decidir quanto plantar.

A renegociação das dívidas é, hoje, um dos temas centrais do setor produtivo. Sem condições claras e operacionais para repactuar débitos, produtores permanecem com restrições que dificultam novos financiamentos. O risco é que a falta de capital provoque cortes na adubação, reduza investimentos em tecnologia e comprometa a produtividade da próxima safra. O calendário agrícola, porém, não acompanha a velocidade das negociações financeiras.

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Na pecuária, a entrada dos Estados Unidos entre os mercados relevantes da carne brasileira amplia as alternativas comerciais. A diversificação pode reduzir a dependência de poucos compradores e abrir espaço para novas estratégias de exportação, mas também exige atenção a requisitos sanitários, qualidade, logística e regularidade de fornecimento. A mudança de destinos ocorre em um ambiente de disputa internacional e de consumidores mais exigentes.

Feijões e pulses

Lavoura com feijão-mungo verde em Tangará da Serra: Mais de 90% da produção é exportada.

No segundo bloco do Momento Agrícola deste sábado, Marcelo Luders, do IBRAFE, destaca as oportunidades de mercado para feijões e pulses — grupo que inclui leguminosas como lentilhas, grão-de-bico e ervilhas. Para aproveitar esse potencial, o setor precisa de informação confiável para orientar decisões de plantio, comercialização e investimento. A proposta de uma campanha para ampliar o consumo interno aparece como caminho para fortalecer a demanda e reduzir a exposição do produtor às oscilações externas.

Biodiesel estratégico

Na sequência, Jerônimo Gorgen, presidente da Aprobio, trata da qualidade do biodiesel e dos efeitos de uma eventual ampliação da mistura ao diesel. O aumento do uso pode criar mercado para matérias-primas agrícolas, contribuir para a redução de emissões e fortalecer a renda dos produtores. A expansão, entretanto, depende de qualidade constante, controle técnico e segurança para toda a cadeia de produção e distribuição.

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Plantio de soja

No último bloco, o professor Rogério Coimbra, especialista em sementes da Universidade Federal de Mato Grosso, chama atenção para ações básicas que determinam o resultado do plantio de soja. A escolha de sementes adequadas, o planejamento da operação, a qualidade da implantação e o cuidado com as condições do solo são decisões que não podem ser tratadas como detalhes. A produtividade começa antes da semeadura e depende da execução correta de cada etapa.

Em conjunto, os quatro blocos mostram um setor pressionado no curto prazo, mas com oportunidades em novos mercados, na bioenergia, nas pulses e na eficiência do plantio. Para o produtor, a prioridade é proteger o caixa, buscar informação e concentrar recursos nas decisões capazes de preservar produtividade e renda.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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