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Momento Agrícola

Novos hábitos alimentares reduzem consumo de arroz e feijão mesmo com queda nos preços

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A queda no consumo dos dois alimentos, mesmo diante de preços menores, sinaliza uma mudança estrutural nos hábitos alimentares da população brasileira.

Um dos destaques da última edição do ano do Momento Agrícola, neste sábado (27.12) é a mudança do perfil do consumidor brasileiro e seus hábitos alimentares, levando à queda no consumo de arroz e feijão, dois dos alimentos mais tradicionais da culinária brasileira.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Mudança de hábito

O brasileiro está comendo cada vez menos arroz e feijão. Pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que os níveis de consumo per capita dos dois alimentos estão entre os menores patamares desde a década de 1960.

Tradicional prato da culinária brasileira, o feijão com arroz tem perdido espaço com as mudanças de hábitos alimentares nas cidades.

Em 2024, o consumo médio anual de arroz foi de 34 quilos por pessoa, enquanto o de feijão ficou em 13,56 quilos.

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A retração ocorre mesmo em um cenário de queda de preços. Levantamento divulgado recentemente indica que o consumo de feijão recuou mais de 4%, apesar de redução de 17,5% no preço médio do produto. O arroz seguiu a mesma tendência, com queda de 4,7% no volume consumido, mesmo após recuo de 14,2% nos preços.

Refeições rápidas têm se tornado mais habituais entre os brasileiros.

Os dados indicam que o fator econômico não é o principal responsável pela mudança no prato do brasileiro. O comportamento está associado a transformações no perfil do consumidor, que dispõe de menos tempo para o preparo das refeições tradicionais e tem optado por soluções prontas, refeições fora de casa e serviços de entrega.

O modelo de alimentação baseado no preparo doméstico diário de arroz e feijão perde espaço em meio à rotina urbana, à ampliação das jornadas de trabalho e à busca por praticidade. O almoço deixa de ser uma refeição estruturada em casa e passa a ser tratado como uma necessidade funcional, resolvida de forma rápida.

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Outras

Os recordes mas exportações brasileiras, com destaque para o México e o aumento de impostos aprovado pelo Congresso para os produtores no “finalzinho” do ano também são destaques nesta edição do Momento Agrícola, em seu primeiro bloco.

Nos blocos seguintes, entrevistas abordam os temas “O agro na Argentina em 2025”, com Pablo Adreani; “O Etanol de Milho em 2025”, com Guilherme Nolasco, da UNEM; e “A pesquisa de Soja em 2025”, com Dr. Alexandre Nepomuceno, da Embrapa.

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique abaixo:

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Momento Agrícola

Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

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O produtor rural brasileiro enfrenta um momento delicado e vivenciou uma semana de decisões difíceis. O custo do dinheiro, o endividamento e a demora na renegociação de dívidas limitam o acesso ao Plano Safra justamente no período em que é preciso financiar a implantação das lavouras. Ao mesmo tempo, o mercado da carne passa por uma mudança de configuração: União Europeia e China perdem espaço relativo, enquanto os Estados Unidos aparecem como novo destino estratégico.

Na avaliação do consultor, engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Arioli, em seu programa de rádio semanal “Momento Agrícola”, a dificuldade não está apenas no volume de recursos anunciado, mas na capacidade de o produtor acessar o crédito em tempo hábil. A burocracia, as exigências bancárias e o passivo acumulado reduzem a margem de manobra de quem precisa comprar insumos, reorganizar o fluxo de caixa e decidir quanto plantar.

A renegociação das dívidas é, hoje, um dos temas centrais do setor produtivo. Sem condições claras e operacionais para repactuar débitos, produtores permanecem com restrições que dificultam novos financiamentos. O risco é que a falta de capital provoque cortes na adubação, reduza investimentos em tecnologia e comprometa a produtividade da próxima safra. O calendário agrícola, porém, não acompanha a velocidade das negociações financeiras.

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Na pecuária, a entrada dos Estados Unidos entre os mercados relevantes da carne brasileira amplia as alternativas comerciais. A diversificação pode reduzir a dependência de poucos compradores e abrir espaço para novas estratégias de exportação, mas também exige atenção a requisitos sanitários, qualidade, logística e regularidade de fornecimento. A mudança de destinos ocorre em um ambiente de disputa internacional e de consumidores mais exigentes.

Feijões e pulses

Lavoura com feijão-mungo verde em Tangará da Serra: Mais de 90% da produção é exportada.

No segundo bloco do Momento Agrícola deste sábado, Marcelo Luders, do IBRAFE, destaca as oportunidades de mercado para feijões e pulses — grupo que inclui leguminosas como lentilhas, grão-de-bico e ervilhas. Para aproveitar esse potencial, o setor precisa de informação confiável para orientar decisões de plantio, comercialização e investimento. A proposta de uma campanha para ampliar o consumo interno aparece como caminho para fortalecer a demanda e reduzir a exposição do produtor às oscilações externas.

Biodiesel estratégico

Na sequência, Jerônimo Gorgen, presidente da Aprobio, trata da qualidade do biodiesel e dos efeitos de uma eventual ampliação da mistura ao diesel. O aumento do uso pode criar mercado para matérias-primas agrícolas, contribuir para a redução de emissões e fortalecer a renda dos produtores. A expansão, entretanto, depende de qualidade constante, controle técnico e segurança para toda a cadeia de produção e distribuição.

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Plantio de soja

No último bloco, o professor Rogério Coimbra, especialista em sementes da Universidade Federal de Mato Grosso, chama atenção para ações básicas que determinam o resultado do plantio de soja. A escolha de sementes adequadas, o planejamento da operação, a qualidade da implantação e o cuidado com as condições do solo são decisões que não podem ser tratadas como detalhes. A produtividade começa antes da semeadura e depende da execução correta de cada etapa.

Em conjunto, os quatro blocos mostram um setor pressionado no curto prazo, mas com oportunidades em novos mercados, na bioenergia, nas pulses e na eficiência do plantio. Para o produtor, a prioridade é proteger o caixa, buscar informação e concentrar recursos nas decisões capazes de preservar produtividade e renda.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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