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Agronegócio & Produção

Momento Agrícola: Algodão brasileiro, KCl russo, metano e colheita da soja são os destaques

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A escalada da produção algodoeira no Brasil, o diálogo presidencial para fornecimento de cloreto de potássio pela Rússia, o metano como solução e informações sobre a colheita de soja em Mato Grosso são os grandes destaques da edição deste sábado (19) do Momento Agrícola.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o programa é veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro e repercutido em forma de notícias e com o link do Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Algodão

O Momento Agrícola deste sábado começa falando sobre algodão. Ricardo Arioli destaca a produção de algodão na Bahia – que semeou área 15% maior de algodão na safra 2021/22, encerrando o plantio com 306.375 hectares – e, na sequência, parte para uma abordagem no âmbito nacional, onde os números da cotonicultura brasileira chamam atenção.

Algodão: MT responde por 68% da produção nacional. Bahia com 22%.

Segundo Arioli, em 2021 o Brasil exportou 2,4 milhões de toneladas de algodão em pluma, o que corresponde a 22,6% das exportações globais, significando quase o dobro das exportações de 2015, quando o país respondeu por 12,4% dos negócios no exterior. “O Brasil é o 2º exportador mundial de algodão, atrás apenas dos Estados Unidos. Mas estamos encurtando essa distância”, disse o produtor e apresentador do programa.

Leia mais:  Ureia boliviana surge como alternativa para o agro em Mato Grosso na crise global de fertilizantes

Na mesma abordagem, Arioli destaca a valorização do algodão brasileiro com a certificação ABR (Algodão Brasileiro Responsável). Vale a pena ouvir, logo no início do primeiro bloco.

Fertilizantes

O Momento Agrícola também traz neste sábado uma análise da visita do presidente Jair Bolsonaro à Rússia, com destaque para as conversa presidencial sobre o fornecimento de cloreto de potássio, elemento fundamental dos fertilizantes.

Bolsonaro e Putin: Garantia de fornecimento mínimo de potássio.

Bolsonaro recebeu do presidente Russo, Vladimir Putin, a garantia de um fornecimento mínimo do produto, o que é uma notícia importante para o Agro brasileiro. “A agricultura brasileira é altamente dependente da importação de potássio… Importamos 85% do nosso consumo e 25% vem da Rússia”, observou Ricardo Arioli.

Vale lembrar que desde o meio do ano passado, os preços dos fertilizantes subiram muito e estão na média 300% mais caros, o que impactará diretamente nos preços das próximas safras, refletindo diretamente no bolso do consumidor final em 2023.

Outras

O Momento Agrícola deste sábado traz outras abordagens relevantes para o Agro. As vendas externas do país e a participação da China nas exportações são dois temas explorados.

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As quebras de contratos da Bayer para entregas de Glifosato e a muito provável incapacidade de cumprimento de contratos de compras de insumos e de fornecimento de soja e milho pelos produtores do Sul do Brasil em razão da estiagem também são temas relevantes abordados no programa deste sábado.

Nos dois últimos blocos, o Momento Agrícola traz outras abordagens, intituladas “O Metano como solução” e “Giro da Colheita de Soja em Mato Grosso”.

Para ouvir o Momento Agrícola deste sábado na íntegra, clique a seguir:

 

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Agronegócio & Produção

Ureia boliviana surge como alternativa para o agro em Mato Grosso na crise global de fertilizantes

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As tensões no Oriente Médio, somadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia, no Leste Europeu, tem provocado efeitos em cadeia na economia global. Entre os reflexos mais imediatos estão a escalada dos preços do petróleo e os sinais de instabilidade nos mercados internacionais.

Em maio de 2026, o petróleo tipo Brent oscila entre US$ 106,55 e US$ 118,35 por barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate) se mantém próximo de US$ 98,88. A valorização da commodity impacta diretamente os custos logísticos e a produção de fertilizantes nitrogenados, insumos essenciais para a agricultura.

Instabilidade no Oriente Médio reflete diretamente na economia mundial, em especial no agronegócio brasileiro.

Embora distante dos epicentros dos conflitos, o Brasil sente os efeitos, especialmente no agronegócio. O país depende fortemente da importação de fertilizantes — cerca de 95% dos nitrogenados consumidos são adquiridos no exterior. Tradicionalmente, Rússia, Oriente Médio e, em menor escala, a Ucrânia figuram entre os principais fornecedores. No atual cenário, entretanto, restrições comerciais agravam o quadro:

  • A Rússia prorrogou limites de exportação de fertilizantes minerais até novembro de 2026 e suspendeu licenças para nitrato de amônia em março;
  • A China adotou, em abril, novas restrições à exportação de ureia e NPK, priorizando o abastecimento interno;
  • No Oriente Médio, a instabilidade regional afeta rotas logísticas e a produção, comprometendo a oferta de nitrogenados.

Com isso, os fertilizantes — que podem representar até 40% do custo total de produção — pressionam ainda mais a rentabilidade do produtor.

Bolívia como alternativa logística

Diante desse cenário, ganha relevância uma alternativa regional: a ureia produzida na Bolívia. Em sua coluna “Circuito Rural”, o jornalista Olmir Cividini destacou recentemente a proximidade geográfica como fator estratégico.

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Na região de Cochabamba, a Bolívia mantém uma planta industrial com capacidade de produção de cerca de 2.100 toneladas diárias de ureia. A distância aproximada de 1.300 quilômetros até Cáceres (MT) representa vantagem logística significativa frente às rotas marítimas tradicionais.

MT e Bolívia: Integração em pauta

A viabilidade dessa alternativa tem avançado com iniciativas de integração regional. Em abril de 2026, a visita do governador eleito do departamento de Santa Cruz, Juan Pablo Velasco, marcou o início de uma nova etapa nas relações comerciais com Mato Grosso, com foco na estruturação de corredores logísticos.

Dois eixos se destacam:

  • Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) – San Ignacio de Velasco (Bolívia): prevê a pavimentação de aproximadamente 150 km da MT-199, conectando o estado a portos do Pacífico, como Arica e Iquique (Chile) e Ilo (Peru).
  • Cáceres (MT) – San Matías (Bolívia): proposta de pavimentação de cerca de 300 km, consolidando Cáceres como hub logístico, favorecido pela presença de estrutura aduaneira e de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

Esses corredores bioceânicos, integrados ao projeto “Corazón de Sudamérica”, podem reduzir custos de transporte rodoviário em até 40%, além de encurtar prazos logísticos.

Produção, custos e rentabilidade da safra 2026

Para a safra 2025/26, Mato Grosso deve manter sua posição de liderança nacional na produção de grãos. Projeções baseadas em dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) indicam produtividade média da soja entre 62 e 66 sacas por hectare, dependendo das condições climáticas ao longo do ciclo.

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Considerando preços médios projetados na faixa de R$ 115 a R$ 125 por saca, o faturamento bruto por hectare pode variar entre R$ 7.100 e R$ 8.200.

Por outro lado, os custos totais de produção (COE + COT), ainda segundo o IMEA, devem permanecer elevados, situando-se entre R$ 5.800 e R$ 6.500 por hectare antes do escoamento da produção. Nesse cenário, a margem operacional tende a ficar entre R$ 1.300 e R$ 2.000 por hectare, evidenciando compressão frente a ciclos anteriores, principalmente em função dos fertilizantes e defensivos.

Custo do frete pressiona resultado

Além dos custos de produção, o frete segue como variável crítica. Levantamentos recentes do IMEA apontam que o transporte rodoviário da soja de regiões produtoras do médio-norte de Mato Grosso até portos como Santos (SP) ou Miritituba (PA) deve variar entre R$ 350 e R$ 500 por tonelada em 2026, dependendo da rota, da sazonalidade e do preço do diesel.

Esse valor pode representar entre 15% e 25% do valor bruto da produção, reduzindo significativamente a margem líquida do produtor. A adoção de rotas mais curtas e integradas, como as alternativas via Bolívia e corredores bioceânicos, tende a ganhar importância estratégica.

Perspectivas

A ampliação da relação comercial entre Mato Grosso e a Bolívia, somada aos investimentos em infraestrutura, aponta para um novo arranjo logístico regional. Nesse contexto, a ureia boliviana surge como alternativa para reduzir custos, aumentar a previsibilidade no abastecimento e mitigar os efeitos da instabilidade global.

A consolidação desses corredores poderá redefinir a competitividade do agronegócio mato-grossense nos próximos anos, especialmente em um cenário de custos elevados e margens mais estreitas.

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