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Momento Agrícola

Mercado de carbono, modais de transportes, notícias e entrevistas são os destaques

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A regulamentação do mercado de carbono, as mudanças nos modais de transportes brasileiros, notícias comentadas e entrevistas são os destaques do Momento Agrícola deste sábado, dia 23.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Mercado regulamentado

A Câmara dos Deputados aprovou terça-feira (19) o substitutivo do Senado ao projeto de lei que regulamenta o mercado de carbono no Brasil (PL 182/2024).

Com a validação desse marco regulatório pelo Parlamento, empresas e países poderão compensar suas emissões de poluentes, o que deve contribuir para a redução dos gases de efeito estufa (GEE), e consequentemente, ajudar a enfrentar e reduzir os problemas causados pelas mudanças climáticas. O texto segue agora para sanção presidencial.

O Agro foi deixado de fora das metas de redução. Ricardo Arioli comenta a respeito desse fato positivo para o setor agropecuário.

Leia mais:  Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

Mudança nos transportes

O Grupo de Extensão em Logística da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) identificou mudanças significativas nos modais de transporte de grãos no Brasil entre 2010 e 2023.

De acordo com o levantamento da Esalq, entre 2010 e 2023, a participação do modal rodoviário no transporte de milho (incluindo mercado interno e exportação) caiu de 84% para 76%. Já a participação ferroviária subiu de 15% para 17%, enquanto o uso das hidrovias foi o que mais cresceu, saltando de 1% para 8%. No entanto, considerando apenas as exportações do cereal, a utilização de rodovias ganhou terreno no período pesquisado: subiu de 20% para 45%. Já o modal fluvial teve importante aumento, saltando de 3% para 16%, reduzindo a fatia das ferrovias.

No caso da soja, o transporte rodoviário também perdeu um pouco de espaço, passando de 75% para 69%, enquanto o ferroviário subiu para 22% (ganho de 2%), e o fluvial aumentou 4 pontos, chegando a 9%. Assim como ocorreu com o milho, na soja o crescimento do transporte fluvial afetou mais o uso das ferrovias do que o das rodovias. Nas exportações de soja, o transporte hidroviário passou de 8% para 12%, enquanto o rodoviário subiu 9 pontos percentuais, para 12%, e o ferroviário caiu para 47% no período analisado.

Leia mais:  Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

Arioli comenta o assunto, ainda no primeiro bloco do Momento Agrícola.

Outras

Além de outras notícias comentadas nos dois primeiros blocos, o Momento Agrícola traz dois quadros com entrevistas. Os temas são “O boi no algodão”, com Flávio Wruck, da Embrapa, e  “A situação atual dos produtores argentinos”, com Pablo Adreani.

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique no podcast abaixo.

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Momento Agrícola

Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

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O produtor rural brasileiro enfrenta um momento delicado e vivenciou uma semana de decisões difíceis. O custo do dinheiro, o endividamento e a demora na renegociação de dívidas limitam o acesso ao Plano Safra justamente no período em que é preciso financiar a implantação das lavouras. Ao mesmo tempo, o mercado da carne passa por uma mudança de configuração: União Europeia e China perdem espaço relativo, enquanto os Estados Unidos aparecem como novo destino estratégico.

Na avaliação do consultor, engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Arioli, em seu programa de rádio semanal “Momento Agrícola”, a dificuldade não está apenas no volume de recursos anunciado, mas na capacidade de o produtor acessar o crédito em tempo hábil. A burocracia, as exigências bancárias e o passivo acumulado reduzem a margem de manobra de quem precisa comprar insumos, reorganizar o fluxo de caixa e decidir quanto plantar.

A renegociação das dívidas é, hoje, um dos temas centrais do setor produtivo. Sem condições claras e operacionais para repactuar débitos, produtores permanecem com restrições que dificultam novos financiamentos. O risco é que a falta de capital provoque cortes na adubação, reduza investimentos em tecnologia e comprometa a produtividade da próxima safra. O calendário agrícola, porém, não acompanha a velocidade das negociações financeiras.

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Na pecuária, a entrada dos Estados Unidos entre os mercados relevantes da carne brasileira amplia as alternativas comerciais. A diversificação pode reduzir a dependência de poucos compradores e abrir espaço para novas estratégias de exportação, mas também exige atenção a requisitos sanitários, qualidade, logística e regularidade de fornecimento. A mudança de destinos ocorre em um ambiente de disputa internacional e de consumidores mais exigentes.

Feijões e pulses

Lavoura com feijão-mungo verde em Tangará da Serra: Mais de 90% da produção é exportada.

No segundo bloco do Momento Agrícola deste sábado, Marcelo Luders, do IBRAFE, destaca as oportunidades de mercado para feijões e pulses — grupo que inclui leguminosas como lentilhas, grão-de-bico e ervilhas. Para aproveitar esse potencial, o setor precisa de informação confiável para orientar decisões de plantio, comercialização e investimento. A proposta de uma campanha para ampliar o consumo interno aparece como caminho para fortalecer a demanda e reduzir a exposição do produtor às oscilações externas.

Biodiesel estratégico

Na sequência, Jerônimo Gorgen, presidente da Aprobio, trata da qualidade do biodiesel e dos efeitos de uma eventual ampliação da mistura ao diesel. O aumento do uso pode criar mercado para matérias-primas agrícolas, contribuir para a redução de emissões e fortalecer a renda dos produtores. A expansão, entretanto, depende de qualidade constante, controle técnico e segurança para toda a cadeia de produção e distribuição.

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Plantio de soja

No último bloco, o professor Rogério Coimbra, especialista em sementes da Universidade Federal de Mato Grosso, chama atenção para ações básicas que determinam o resultado do plantio de soja. A escolha de sementes adequadas, o planejamento da operação, a qualidade da implantação e o cuidado com as condições do solo são decisões que não podem ser tratadas como detalhes. A produtividade começa antes da semeadura e depende da execução correta de cada etapa.

Em conjunto, os quatro blocos mostram um setor pressionado no curto prazo, mas com oportunidades em novos mercados, na bioenergia, nas pulses e na eficiência do plantio. Para o produtor, a prioridade é proteger o caixa, buscar informação e concentrar recursos nas decisões capazes de preservar produtividade e renda.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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